O apoio de partidos menores da base – como o PP, o PDT e o PSD – ao governo federal será decidido nesta semana. Depois do movimento iniciado pelo PMDB, que pode culminar na saída do principal aliado do Planalto, o governo teme o chamado “efeito dominó”.“Vamos fazer uma reunião na quarta-feira (amanhã) e decidir por maioria de bancada.

Acho que existe sim uma grande chance de o PP deixar o governo”, afirmou o deputado federal Odelmo Leão. O parlamentar esclareceu que sua posição pessoal é pelo impeachment.

“O partido não deveria nem ter entrado no governo, na minha opinião”, disse.O PP controla o Ministério da Integração Nacional, ocupado por Gilberto Occhi, que já havia afirmado sua intenção de se licenciar do cargo para tratar um tumor na próstata.

O partido também tem a terceira maior bancada da Câmara dos Deputados, com 49 parlamentares.Dentre esses, 14 seriam a favor do impeachment e outros 35 aguardam uma definição do partido.

Em entrevista ao portal UOL, o presidente da sigla, Ciro Nogueira (PI), admitiu que não será possível segurar a bancada.PDT.

Outro partido membro da base aliada do governo, o PDT também vai analisar a situação esta semana e pode bater em retirada. “Hoje a orientação é a que foi tirada em janeiro, de votar contra o impeachment, até por uma visão histórica do partido.

Mas estamos em um momento do país em que se exige reavaliações quase que diárias”, afirmou o deputado federal Subtenente Gonzaga. Hoje, o Planalto dá os votos do PDT como certos.

Gonzaga também é um dos parlamentares de partidos da base aliada com posição favorável ao impeachment, mas afirmou que só a retirada da presidente Dilma Rousseff (PT) não seria suficiente para resolver o problema. “Há a necessidade de colocar um basta na corrupção, e digo isso em relação a todos os partidos”, disse.

O PSD, do atual ministro de Cidades Gilberto Kassab, liberou nesta segunda os 31 deputados federais de sua bancada para votarem livremente na votação do processo de impeachment. O deputado Rogério Rosso (DF) é o presidente da comissão que redigirá o parecer sobre o impedimento de Dilma.

Parlamentares do PSD afirmam que a liberação da bancada havia ocorrido antes da escolha da comissão.Saída do PRBQuase desembarque.

 Mais cedo neste mês, o PRB, partido da base que possuía o Ministério do Esporte, anunciou sua retirada do governo. A pasta, que era então ocupada por George Hilton, foi colocada à disposição da presidente e deverá ser ocupada por Ricardo Leyser, do PCdoB.

Apesar do gesto, o PRB manteve o controle sobre grande parte do ministério e, informalmente, ainda apoiaria o governo.Ministro quer PR no governoSão Paulo.

 Além do PMDB, o PR, outro importante partido da base aliada, deve se reunir nesta terça para decidir se continua ou desembarca definitivamente do governo Dilma Rousseff.Ainda sem horário confirmado (portanto pode acontecer depois da reunião do PMDB), o encontro vai tratar de alinhar um discurso pró ou contra a continuidade desse governo.

O ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), o Carlinhos, disse que se depender dele, “o partido não sai do governo de jeito nenhum”. “Eu não saio do governo, faço parte do governo Dilma”, garante.

Rodrigues pondera que o partido esteve até agora ocupando cargos importantes no governo e que não seria correto abandoná-lo neste momento. Além de ministro, Carlinhos é o primeiro suplente no Senado, na vaga de Marta Suplicy (PMDB –SP).

É importante lembrar que quando Marta foi eleita, ela ainda era PT – e Carlinhos fazia parte da chapa PT/PR. Com uma longa carreira de vereador em São Paulo, o ministro também é conhecido como um habilidoso articulador político.

O ministro diz não saber se essa é a posição hegemônica na sigla (pró-governo), mas garante que vai trabalhar para convencer seus pares. O PR tem 40 deputados.

IndecisãoNo poder. Diferentemente do PMDB, que defende a saída dos ministros do partido do governo, no caso de rompimento, no PR não existe uma definição se os cargos serão deixados.

Possível próximo governo terá dificuldade para formar apoioBrasília. Na hipótese cada vez mais palpável de um impeachment, a costura de uma nova coalizão de apoio a Michel Temer (PMDB), o primeiro na linha sucessória, tende a ser uma tarefa complexa, independentemente do abalo que os próximos movimentos da operação Lava Jato venham a provocar no mundo político.

Há pela frente uma agenda de ajustes orçamentários indigestos, que podem incluir da elevação de impostos a uma reforma da Previdência com redução de direitos. Os candidatos naturais a abraçar essa pauta são PSDB e DEM, principais sustentáculos das reformas liberais do governo FHC na década de 1990.

Os demais votos terão de ser buscados – provavelmente à base de cargos e verbas – nas legendas de menor protagonismo político, que, atualmente, formam a maioria da Casa, como PP, PR e PSD.Fragmentaçãopartidária é recordeBrasília.

A Câmara dos Deputados votará o afastamento da presidente Dilma Rousseff em meio a um nível recorde de fragmentação partidária, o que dificultará a governabilidade do país seja qual for o desfecho do processo. Hoje, nada menos de 25 partidos têm assento na Casa.

Os três maiores – PMDB, PT e PP, pela ordem – reúnem juntos pouco mais de um terço dos deputados federais. Com a ajuda de benesses da legislação, o Brasil se tornou um dos líderes mundiais em proliferação de partidos desde sua redemocratização.

LARISSA VELOSO/OTEMPO
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Fonte: Gazeta de Uberlândia