A comissão especial do Senado aprovou nesta sexta-feira (6) o relatório a favor do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.Foram 15 votos a favor e cinco contrários ao parecer do relator, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que aponta a existência de elementos suficientes para a petista ser afastada e julgada por crime de responsabilidade. O presidente da comissão, Raimundo Lira (PMDB-PB), não votou sob a alegação de que, pelo regimento, só deveria se manifestar em caso de empate.

O resultado era previsível diante da minoria governista de apenas cinco membros no colegiado. Durante os trabalhos, autores da denúncia e a defesa de Dilma foram ouvidos, além de especialistas a favor ou contra o impeachment.

A votação foi eletrônica, mas antes os líderes puderam se posicionar. “O impeachment é um remédio amargo para punir o mau governante com seu afastamento”, afirmou o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), pela oposição.

A petista Gleisi Hoffmann (PR) rebateu: os que votam a favor, segundo ela, são “golpistas da Constituição”. Discurso seguido pelo líder do governo, Humberto Costa (PT-PE).

“Não há crime cometido pela presidente. O relator teve que se armar de uma lupa, fazer contorcionismo jurídico”, afirmou.

A presidente Dilma é acusada de editar, em 2015, decretos de créditos suplementares sem aval do Congresso e de usar dinheiro de bancos federais em programas do Tesouro, as chamadas “pedaladas fiscais”.Agora, o caso vai ao plenário do Senado na próxima quarta-feira (11).

São necessários os votos da maioria dos presentes na sessão para que o relatório seja aprovado e Dilma afastada por até 180 dias. Até agora, 51 dos 81 senadores já se manifestaram a favor da abertura do processo, conforme levantamento da ‘Folha de S.

Paulo’.Confirmado o resultado em plenário, o próximo passo é o processo contra Dilma.

Nesta etapa, exige-se o mínimo de 54 votos para afastá-la definitivamente do cargo -até agora, 41 declararam voto neste sentido.Em nome da bancada do PMDB, partido do vice Michel Temer, o senador Waldemir Moka (MS) defendeu o parecer de Anastasia na comissão especial.

“Não nos cabe outra alternativa a não ser votar pela abertura do processo”, disse.Como nos demais dias de comissão, deputados favoráveis ao afastamento da presidente apareceram para assistir aos trabalhos.

A abertura do processo foi aprovada na Câmara, no dia 17 de abril, com 367 votos.Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ) e Marcos Rogério (DEM-RO) estiveram no colegiado e gravaram vídeos.

Um dos principais articuladores do impeachment, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que deve ser ministro do Planejamento de um eventual governo de Temer, também compareceu.Veja como cada deputado votou: A favor do parecer:PMDBDário Berger (SC)Raimundo Lira (PB) – presidente da comissão: não votouSimone Tebet (MS)Waldemir Moka (MS)Hélio José (DF)PSDBAloysio Nunes Ferreira (SP)Antonio Anastasia (MG) – relator da comissão: SimCássio Cunha Lima (PB)DEMRonaldo Caiado (GO)PSBFernando Bezerra Coelho (PE)Romário (RJ)PRWellington Fagundes (MT)PTBZeze Perrella (MG)PPAna Amélia (RS)Gladson Cameli (AC)PSDJosé Medeiros (MT)Contra o parecer:PTGleisi Hoffmann (PR)José Pimentel (CE)Lindbergh Farias (RJ)PCdoB:Vanessa Grazziotin (AM)PDTTemário Mota (RR)FolhaPress
.

Fonte: Gazeta de Uberlândia