Na hora de comprar uma geladeira, o brasileiro é o consumidor do mundo que mais leva em consideração a etiqueta de eficiência energética, segundo o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). O objetivo de economizar na conta de luz no fim de mês, porém, pode não estar sendo alcançado. Isso porque na maioria das vezes, o consumidor acredita que a classificação “A” do selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) significa que aquele modelo tem o menor consumo de energia e isso nem sempre é verdade.

“A classificação que vai de A até E mostra a eficiência do produto seguindo critérios internacionais. Vários países como Estados Unidos, Índia, Japão, têm seus programas de etiquetagem que seguem padrões semelhantes.

Porém, a eficiência não é o mesmo que consumo. Para saber qual modelo de geladeira, por exemplo, tem um consumo de energia menor, ou seja, que vai gastar menos no fim do mês na conta de luz, é preciso avaliar quantos Quilowatt hora (kWh) aquele modelo gasta mensalmente”, explica o responsável pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) do Inmetro, Marcos Borges.

A informação sobre o consumo mensal de kWh consta na etiqueta da Procel, mas o destaque é menor. “O gráfico (colorido) desvia a atenção e acaba eclipsando as outras informações (da etiqueta)”, avalia o médico Marco Lazzeri, 39.

“Para o apartamento novo, comprei tudo que fosse eficiente. Mas observei se a classificação era “A”, diz.

A psicóloga Kelly Chalub Couto, 38, comprou uma geladeira há cerca de dois meses e também não observou o dado que indica a consumo de kWh. “Se há diferença (de consumo entre os aparelhos classificados como “A”) que ela seja exibida realmente”, afirma Kelly.

Para Lazzeri, a informação sobre o consumo de energia não está claro na etiqueta e pode induzir o consumidor ao erro. “Aprendi que preciso ler mais do que o gráfico enorme e colorido”, conclui.

Além da informação sobre o consumo estar ‘escondida’ na etiqueta, os critérios de avaliação do PBE do Inmetro foram questionados pela associação de consumidores Proteste. A entidade afirma que comparou o gasto de energia de várias marcas de máquinas de lavar roupa, geladeira e ar condicionado e constatou que há produtos que apesar de consumir bem mais energia, têm a mesma classificação.

No caso de Marcos Lazzeri, que adquiriu um refrigerador frost free com duas portas, 98% dos 250 modelos similares comercializados no Brasil são classificados como “A” e a última revisão dos critérios foi feito há 10 anos atrás.Outros produtosAlém da geladeira, a Proteste questiona a classificação de outros eletrodomésticos.

Ar condicionado. No caso do ar condicionado de janela, a soma das classificações “C” e “D” não passam dos 11%, demonstrando concentração na parte superior.

Lava-roupas.  Foi pedida a inclusão dos parâmetros eficiência de centrifugação, lavagem e consumo de água.

Eles estão previstos desde 2014, mas não foram colocados em prática.Lâmpada LEDEconomia.

Segundo a Proteste, os preços das lâmpadas LED precisariam cair 43% para compensar a troca de todas as lâmpadas de casa para economizar energia; ou esperar cinco anos para retorno do investimento.LUDMILA PIZARRO/OTEMPO
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Fonte: Gazeta de Uberlândia