Em um ano, cerca de 230 mil pessoas deixaram de ter plano de saúde em Minas Gerais. No Brasil, foram 1,43 milhão. Ou seja, a cada cem que saíram do sistema privado, 16 são mineiros. De acordo com balanço divulgado ontem pela Agência Nacional de Saúde (ANS), de maio do ano passado para maio deste ano, o volume de beneficiários no Estado caiu 4,4%, de 5,42 milhões para 5,19 milhões. O professor de economia do Ibmec, Felipe Leroy, destaca que, por trás do encolhimento desse mercado, está a acentuada crise econômica.

“Com as sucessivas quedas do Produto Interno Bruto (PIB), atreladas às reduções nas vendas por causa de uma inflação que está subindo, o poder de compra das famílias é diretamente afetado e é preciso escolher o essencial. No caso do plano, ainda há a possibilidade de trocar o privado pelo público, embora a qualidade do serviço não seja a mesma. Essa é uma maneira de manter os outros gastos com consumo”, avalia Leroy.

Na avaliação do professor, além dos planos individuais, o impacto é enorme nos empresariais. “Com as altas taxas de desemprego, cada pessoa que é demitida e sai do plano, leva cerca de três dependentes junto”, avalia.

O custo também tem afastado os usuários. O advogado Estélio José Corrêa, 64, está sem plano há cerca de um ano. Após a separação, deixou de ser dependente da mulher e afirma que, diante de preços tão altos, está difícil aderir. “Eu estou procurando, mas é muito caro”, diz.

Por meio de nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), que representa as operadoras, destaca que muitas pessoas que perderam emprego se veem, por vezes obrigadas a cortar o plano de saúde, embora essa decisão tenda a ser uma das últimas medidas. “No total, 11,4 milhões de pessoas ficaram sem ocupação formal. Nesse caso, se não tiverem outra fonte de renda que permita a manutenção de um plano individual, elas deixam os planos e recorrerem ao serviço público em busca de atendimento, o que sobrecarrega o Sistema Único de Saúde (SUS)”, ressalta a federação, que representa as operadoras.

Empresarial

Minas Gerais. O volume de beneficiários dos planos empresariais no Estado é quase cinco vezes maior do que os individuais. São 3,58 milhões coletivos contra 775 mil individuais.

ANS determina portabilidade extraordinária

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que os cerca de 10 mil beneficiários do plano de saúde da Fundação Irmão Diamantino tenham direito à portabilidade extraordinária. Além dessa, com atuação em Minas, a ANS anunciou a medida para outras duas operadoras. Por meio de nota, a agência explicou que elas apresentaram graves anormalidades econômico-financeiras e administrativas e estão em saída ordenada do mercado. “No entanto, são obrigadas a manter o atendimento aos seus beneficiários, nos moldes do que foi contratado até que o processo esteja completo”, afirma. Essa portabilidade permite que o beneficiário escolha qualquer plano de saúde disponível, que deverá aceitá-lo. Em caso de dificuldade, ele deve registrar queixa junto à ANS. (QA)

Alta elevada expulsa os mais velhos

A associação de defesa dos consumidores Proteste vai pedir ao Ministério Público Federal que investigue a prática das operadoras de planos de saúde de elevar excessivamente as mensalidades, para a faixa etária de 50 a 59 anos.

Segundo a coordenadora institucional da Proteste, Maria Ines Dolci, como as empresas não podem reajustar por faixa etária após os 60 anos, por causa do Estatuto do Idoso, as operadoras dos planos concentram esses aumentos na faixa de 50 até 59 anos, por exemplo.

“Apesar de legal, essa prática onera demais, principalmente nessa situação de crise econômica, e a pessoa fica sem condições de arcar com os novos valores”, explica Maria Inês Dolci. (QA)

Um absurdo

“Eu só tenho plano porque minha sobrinha paga. É um absurdo subir muito quando ficamos mais velhos, quando mais precisamos.”

Laura Gonçalves, 78
Aposentada

Só pela inflação

“Alguma coisa tem que aumentar, mas tem que ser só a inflação. Não acho certo reajustes abusivos, de acordo com a faixa etária.”

Marta Azevedo, 58
Diretora de escola

Aumento injusto

“Os aposentados não recebem direito. É um absurdo reajustarem mais para os mais velhos. Idoso não devia pagar era nada.”

Aparecida Oliveira, 73
motorista de escolar

QUEILA ARIADNE/OTEMPO