Depois de toda edição do Minas Trend Preview, em Belo Horizonte, é a mesma coisa. A estilista mineira Fabiana Milazzo, 45, – com sua grife de mesmo nome e de vestidos ultraelaborados – tem o mesmo problema, que muitos gostariam de ter em tempos de pedidos minguados: precisa contratar ao menos mais dez funcionários para se juntar aos 70 empregados diretos que tem na fábrica em Uberlândia para dar conta da entrega dos pedidos de seus vestidos de alto luxo e do restante da coleção. Da fábrica, Fabiana diz não saber quantas peças saem por mês com intrincados bordados com materiais nobres como paetê cristal, vidrilhos e cristais, porque nunca fez essa conta.

“Um vestido bordado demora até dois meses e, geralmente, pesa 4 kg”, conta, referindo-se ao trabalho manual que é feito por bordadeiras.Como a pedraria é importada da Tchecoslováquia e tem paetê comprado que só existe na Índia, Fabiana conta que tem lidado com o aumento do dólar.

“Eu estou arcando com a alta da moeda e, para isso, espremi a margem de lucro ao máximo para continuar vendendo o tanto que vendo”, informa Fabiana.Preços.

 Tanto valor agregado assim tem um preço: um vestido totalmente bordado atinge a cifra de R$ 12 mil nas lojas próprias da marca – uma em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e outra em São Paulo – e nas 80 multimarcas que adquirem as peças. “Minha roupa não é barata.

No varejo, tem vestidos longos que variam de R$ 8.000 a R$ 12 mil”, calcula.

Quem compra Fabiana Milazzo tem predominância na faixa etária de 20 a 30 anos, com muitas formandas e das classe A e B, segundo pesquisa da marca.Fidelização.

 Cliente fiel, Ivana Menezes, que tem uma loja de mesmo nome em Goiânia (GO), é compradora da marca há seis anos. “Os vestidos longos e bordados de pedraria são os que mais vendem entre as clientes de Goiânia.

A Fabiana está sempre inovando no jeans e com o zibeline. Ela consegue fazer do jeans uma roupa de noite”, diz Ivana, que estava no estande da grife no Minas Trend para comprar peças da coleção verão.

Sobre os preços, Ivana conta que as clientes não reclamam. Para ajudar na manutenção das vendas de lojistas fiéis como Ivana, Fabiana tem investido valores maiores, mas não revelados, em marketing.

O que, para ela, garante também reconhecimento da marca no mercado. “Neste ano, estou investindo pesado em marketing, trouxe duas top models internacionais para o desfile”, conta uma das estratégias.

Sobre a crise, Fabiana diz não ter sentido retração no negócio em nenhum momento. “Estou exportando tabém.

Clientes de Abu Dhabi adoram a moda mineira. Vendo na Europa, inclusive na Les Suites em Paris”.

ColeçãoPeças. São duas coleções desenvolvidas por ano.

E, em cada uma, Fabiana Milazzo cria 130 peças. “Para a criação, viajo muito porque desenvolvo tecido fora do país e compro da Itália e da França”.

HELENICE LAGUARDIA/OTEMPOFOTOS FABIANA MILAZZO/DIVULGAÇÃO
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Fonte: Gazeta de Uberlândia