O Ministério Público Federal investiga a utilização de dinheiro público para o financiamento da empresa particular Axis Aeroespace na construção do polo aeroespacial em Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, anunciada há cinco anos. O projeto, que tem parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), contaria com o investimento de R$ 72 milhões, cujo anúncio foi feito pelo então secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em 2012, Narcio Rodrigues.

O ex-secretário, que está preso desde a semana passada por envolvimento em outra denúncia, tem como responsável pelos contatos o filho Caio Narcio, que não atendeu as ligações da reportagem.

Inicialmente, parte do dinheiro para a construção do polo seria liberada pelo Ministério da Educação, por meio de uma emenda da bancada mineira, mas a única coisa que saiu do papel foi a construção do protótipo de um avião.

De acordo com a prefeita de Tupaciguara, Edilamar Novais Borges, faz tempo que não há atividade alguma no local, e na prefeitura não há arquivos sobre o assunto.

A Axis Aerospace fabricaria o Tupã, um avião para até seis passageiros e que colocaria Tupaciguara no Complexo Aeroepacial de Minas Gerais. A empresa recebeu cerca de R$ 7,2 milhões para a construção do modelo do avião em tamanho real, um recurso da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e que foi gasto. Mas, para o andamento do projeto, era necessário investimento do governo federal, o que não ocorreu.

Quando a primeira parcela do dinheiro, cerca de R$ 10 milhões, foi liberada para a instalação de laboratórios de pesquisas aeroespaciais, o MPF entrou no caso. Os recursos da emenda seriam para aplicação direta, o que dispensaria um processo de licitação e que não ocorreu, de acordo com o procurador da República Cleber Eustáquio Neves.

“Esse recurso veio de uma emenda parlamentar de iniciativa do senador Aécio Neves destinada a essa empresa específica. Parte dele foi repassada para a UFU, que deveria contratar diretamente a empresa. Eu considero irregular essa contratação, porque deveria ter ocorrido o procedimento licitatório e não ocorreu”, justificou.

A assessoria de Aécio explicou que a obra seria viabilizada por meio de emenda de bancada, assinada pelo conjunto de senadores e deputados eleitos por Minas, que destinaria à UFU os recursos para o projeto. Mas, por decisão do governo federal, os recursos não foram liberados. As informações são do G1.