Toda a dor que o judô brasileiro sofreu nos dois primeiros dias de competições na Rio 2016 parece ter sido compensada com o feito de Rafaela Silva, nesta segunda-feira nublada no Parque Olímpico. A carioca, que cresceu em uma comunidade carente e gostava de brigar na rua, se transformou em uma atleta disciplinada, persistente e, agora, ainda mais temida pelas adversárias.

É o poder que uma medalha de ouro olímpica possui. Depois do Campeonato Mundial, a judoca chega a uma conquista inédita e que entra no hall das mais marcantes em sua carreira. Poucas conseguiram repetir sua façanha.

Os ares da sua cidade natal parecem fazer bem para Rafaela. A conquista do Mundial também aconteceu no Rio de Janeiro, que voltou a dar sorte para a carioca, que mostrou uma confiança digna de uma heroína nacional na sua campanha. Nas quatro primeiras lutas, foram raros os momentos em que Rafaela esteve intimidada, correndo o risco da vitória escapar. Conseguiu se impor em todos os confrontos com uma postura agressiva de quem sabia bem onde queria chegar e o que seria necessário para isso.

Contra Sumiya Dorjsuren, da Mongólia, Rafaela mostrou a mesma determinação e busca incessante por pontos das outras quatro lutas que a colocaram na decisão.

Depois de abrir vantagem, Rafaela precisou se defender bem diante dos ataques da asiática, que foram constantes em uma tentativa de ir com tudo pra cima da adversária. No judô, defender também é uma arte.

O empurrão da torcida a fez se sentir mais forte e combativa. Gritando os nomes da lutadora e do país, a arquibancada fez o quimono da mongolesa ser puxado com mais força ainda, tendo fundamental importância no resultado final.

Medalha de bronze

A terceira colocação ficou com a portuguesa Telma Monteira, que mostrou ter vindo para ficar, como ela mesmo afirmou após uma das suas lutas. Diante da romena Corina Caprioriu, atual vice-campeã olímpica, a portuguesa fez valer suas palavras de confiança para subir ao pódio.

A comemoração foi junto da delegação lusitana na arquibancada, quando pulou a grade que separa público de atletas e técnicos, arrancando aplausos dos torcedores.