As aulas diurnas da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) desta segunda-feira (6) não foram realizadas. A suspensão ocorreu após a divulgação de um vídeo, que circulou na internet neste fim de semana, onde um terceiro sargento reformado do exército brasileiro, de 51 anos, que não teve o nome divulgado, e que é matriculado no curso, aparece supostamente realizando ameaças contra seus colegas.

No vídeo de pouco mais de 30 segundos, o universitário afirma que se ele cair, irá levar todo os outros alunos junto. As imagens ganharam as páginas de alunos da UFU no Facebook e chegou até a direção da Faculdade de Direito.

Diante da repercussão, o Diretório Acadêmico da universidade, publicou nesse domingo (5), uma nota informando que as aulas seriam interrompidas. Durante a manhã desta segunda, o sargento reformado foi ouvido na reitoria, mas ainda não se sabe se alguma medida administrativa será tomada contra ele.

A universidade informou que o caso está sendo acompanhado pelo reitor da UFU, Elmiro Santos Resende, que analisa o fato e, caso seja necessário, prossiga com as meninas administrativas internas.

A UFU ainda não soube confirmar quando o vídeo foi gravado e por qual motivo ele foi produzido. Também não se sabe ainda qual o objetivo final do vídeo.

A pesas da interrupção no período diurno, as aulas do período da noite foram mantidas.

Colegas de sala 

Devido às proporções que o caso ganhou, alguns colegas da classe do militar decidiram publicar um texto no Facebook, onde afirmam acreditar que o colega sofra com problemas psicológicos.

“Nota de esclarecimento e repúdio

O decorrer desse domingo foi turbilhado por informações desencontradas e exageradas, baseadas em “achismos” relativas a um fato que envolve diretamente a turma 67 diurna. Essa nota serve justamente para esclarecer tais fatos e repudiar todos os preconceitos que o rondaram.

Primeiramente, cabe esclarecer que não é verídico que um aluno de nossa sala ameaçou outros alunos dessa sala ou teve qualquer reação agressiva em relação a eles. A pessoa em questão se trata de alguém que nitidamente necessita de uma intervenção no campo social, vez que é evidente possuir algum transtorno psicológico. Sua atuação na sala é permeada por momentos de extrema lucidez e inteligência, mas também por aparentes devaneios. Porém, seu agir em sala demonstra um enorme desenvolvimento espiritual e humano. Trata-se de alguém que está sempre preocupado com o próximo e que agrada a todos.

Ocorre que por ser muito ligado a religião e numerologia, e estar em um momento de sua vida onde os devaneios estão sobrepondo os momentos de lucidez, nossa sala entendeu por necessário o cancelamento da aula de segunda-feira (06/06), vez que tal data não é bem vista por tal colega. 

Consideramos que seria melhor que ele permanecesse em casa em tal dia. Porém, tal fato juntamente com um vídeo descontextualizado espalhou-se por toda a faculdade e causou um estardalhaço desnecessário , em que várias opiniões preconceituosas e extremistas foram expressadas e a situação real foi destorcida a ponto de se tornar irreconhecível para aqueles que sabem realmente do que se tratou.

Entendemos que a pessoa em questão necessita de um acompanhamento individualizado, apropriado à sua necessidade. A intervenção que seria necessária em tal caso deve ser direta com a família do aluno, a fim de que esta procure tomar as medidas necessárias.

Porém, os pedidos que vimos nessa faculdade eram deprimentes. As pessoas perderam a sensibilidade e esqueceram tudo que aprenderam sobre humanidade e tratamento digno. Termos errados, informações erradas, estardalhaço desnecessário foi o presenciado hoje.

Lições tão difundidas na faculdade de Direito relativas a direitos humanos, presunção de inocência e ética foram sepultadas no dia de hoje. Além de características que deviam ser inatos ao ser humano, como compaixão, compreensão e empatia. O que se viu foram julgamento extremistas daqueles que estão se formando para ponderar e buscar a realidade dos fatos, ao invés das dos boatos.

Por esse motivo, por esse frenesi desnecessário, nossa sala julgou fundamental a edição dessa nota. Queremos deixar claro que o aluno sob o qual girou esse circo sensacionalista passa por um momento frágil e precisa de uma intervenção adequada. Ele não condiz ao que espalharem e não merece ser repetido aqui. É um ser humano, digno, inteligente, evoluído, generoso e querido por toda a nossa sala que passa por tal situação. E é assim que ele deve ser visto. Nada além disso é o que a 67 diurno vivenciou em nosso convívio diário e longo com ele.

Obrigado.”

Boletim de ocorrência

O medo de que o vídeo se tornasse um registro policial ultrapassou as barreiras do meio acadêmico e chegou até a Polícia Militar (PM).

Conforme a corporação, alguns alunos que se sentiram acuados procuraram um batalhão da polícia e relataram o caso. Os militares tomaram conhecimento do vídeo e foram até a casa do estudante, localizada no bairro Santa Mônica, mas nada de ilícito foi encontrado.

Ele chegou a ser encaminhado para o batalhão do bairro, onde foi ouvido e liberado. Um boletim de ocorrência por ameaça foi registrado e uma cópia dele foi encaminhada para o 36º Batalhão do Exército Brasileiro.

Exército

O militar que não teve o nome revelado serviu ao exército por quase dez anos, mas acabou afastado.

Em 1991, segundo informou a assessoria de imprensa do Exército Brasileiro da cidade, ele deixou a carreira militar por causa de problemas de saúde. A corporação não informou quais seriam esses problemas.

CAMILA KIFER/OTEMPO