Documentos indicam a fraude em licitações de transporte público em pelo menos 19 cidades de sete estado e do Distrito Federal. As fraudes tinham objetivo de favorecer as famílias Constantino e Gulin. Segundo os procuradores, há documentos suficientes para indicar a existência de uma “organização criminosa muito bem estruturada” que fraudava licitações em diversas cidades do país.

Conforme andamento das investigações, o esquema acontecia da seguinte forma: a empresa Logitrans era contratada pelas prefeituras para fazer estudos de logística e projeto básico de mobilidade urbana; o filho do engenheiro Garrone Reck – um dos diretores da empresa -, Sacha Reck, atuava na concorrência como advogado ou assessor jurídico de empresas de ônibus interessadas em explorar as linhas. Sacha obtinha informação privilegiada sobre as licitações e atuava na elaboração dos editais, orientando ou seguindo orientações dos empresários sobre cláusulas que deveriam constar nos documentos. As prefeituras publicavam esses editais, elaborados por advogados ligados ao escritório de advocacia do qual Sacha Reck era sócio e por pelo menos um engenheiro, que fazia avaliação técnica das propostas das empresas.

Além de Uberlândia as cidades envolvidas no esquema são:  Sete Lagos, em Minas Gerais; Marília, Jaú, São Sebastião e São José do Rio Preto, em São Paulo; Florianópolis e Joinvile, em Santa Catarina; Pontal do Paraná, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Paranaguá, Maringá, Telêmaco Borba e Piraquara, no Paraná; Belém, no Pará; Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; Porto Seguro, na Bahia e Brasília, no Distrito Federal.

De acordo com os documentos e e-mails indicam tentativa de fraude na licitação de ônibus de Uberlândia, para viabilizar a vitória da Viação Sorriso de Minas, de propriedade de Pedro Constantino e Donato Gulin. Representante da empresa tinha acesso antecipado a documentos da licitação e edital.  O contrato é vigente, até hoje, e a Sorriso de Minas opera pelo Sistema Integrado do Transporte (SIT) de Uberlândia, ao lado das concessionárias Turilessa e São Miguel que também participaram e venceram o processo.

A licitação em Uberlândia ocorreu na época em que a Settran era assumida interinamente pelo secretário-executivo Marconi Santos. Foi divulgado pela imprensa, que Marconi vai apurar as irregularidade mas garante que não houve nenhuma irregularidade por parte do município.

A empresa Logitrans disse a imprensa que, o ex-secretário não se recorda da empresa como representante da Sorriso de Minas e que mais detalhes sobre o processo poderiam ser adquiridos a partir do desarquivamento do mesmo ou com a Procuradoria Geral do Município, uma vez que ele era comissionado e não tem acesso mais com a troca de gestão. A assessoria de imprensa da Prefeitura de Uberlândia informou que a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settran), sob a atual gestão do secretário Luciano Pereira de Freitas, solicitou o desarquivamento do processo licitatório em questão, após análise do conteúdo, será possível levantar as informações como valores e prazo de concessão. O gerente-geral da Sorriso de Minas em Uberlândia, Alaor Morais, informou em nota que empresas distintas venceram o edital em três lotes e negou o favorecimento ou beneficiamento no certame.

Um inquérito civil foi instaurado pelo promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, Luiz Henrique Acquaro Borsari, para investigar o suposto beneficiamento da empresa no processo de licitação em Uberlândia.