Considerado um dos cantores mais populares do Brasil, Cauby Peixoto Barros – morto neste domingo (15) – nasceu em 10 de fevereiro em 1931, no bairro de Santa Rosa, em Niterói (RJ), em uma família de músicos. Sua vertente artística surgiu no colégio de padres salesianos em que estudava, ao cantar no coro da igreja existente na instituição de ensino. Após se formar, Cauby foi trabalhar no comércio e, nessa época, começou a participar do programa de calouros “Hora dos Comerciários”, da Rádio Tupi.

Em 1952, se mudou para São Paulo, onde passou a cantar em boates e na Rádio Excelsior, destacando-se com repertório de músicas estrangeiras. Sua capacidade de interpretar canções em inglês impressionou o empresário Di Veras, que, com intenção de renovar o elenco da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, então dominado por ídolos como Emilinha Borba e Orlando Silva, o convidou para atuar naquela emissora.

Seu lançamento na Rádio Nacional foi preparado nos moldes norte-americanos, com muita publicidade, e, em pouco tempo, Cauby se tornou um ídolo, sendo perseguido por fãs. “As moças rasgavam minhas roupas, me beijavam e teve uma que até desmaiou”, relembrou ele, em entrevista ao “Programa do Jô “.

Em 1956, gravou o maior sucesso de seu repertório, “Conceição”, que o fez aparecer na revista norte-americana “Time” como o maior ídolo da canção popular brasileira.
Ostracismo e volta à mídia
Com essa exposição na mídia estrangeira, o cantor foi convidado a fazer uma excursão nos Estados Unidos e tentou carreira por lá, usando o nome Ron Coby, mas acabou não acontecendo.

De volta ao Brasil, transferiu-se para a Rádio Tupi e, em 1959, voltou à terra do Tio Sam para uma temporada de 14 meses, com shows e participações em TV. Nesse período, gravou, em inglês, “Maracangalha”, de Dorival Caymmi, e, numa terceira ida aos EUA, participou do filme “Jamboreé”, do estúdio Warner Brothers.

Durante as décadas de 60 e 70, no entanto, Cauby acabou focando seus shows em clubes e boates e, com isso, caiu um pouco no ostracismo. A volta à mídia aconteceu em 1980, ao lançar pela Som Livre um disco comemorativo por seus 25 anos de carreira.

O álbum só continha músicas feitas por grandes nomes da MPB especialmente para ele, como “Bastidores” (Chico Buarque), “Cauby, Cauby” (Caetano Veloso), “Brigas de Amor” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) e “Oficina” (Tom Jobim). A partir de então, voltou a receber convites para se apresentar em palcos de maior prestígio.

Nessa época, gravou com um disco com a amiga Angela Maria, parceria que se repetiria dez anos depois, uma das famosas a lamentar sua morte.
Homenagens e prêmios
Em 2001, em entrevista ao jornal “Extra”, Cauby falou pela primeira vez sobre sua homossexualidade, até então sempre comentada, mas nunca oficializada.

A entrevista foi dada após ele se apresentar na boate gay Le Boy, no Rio, quando ele foi ovacionado pelo público presente. “Nós somos especiais”, disse o cantor, antes de cantar “People”.

“Pode me chamar de gay, do diabo a quatro. Eu gosto é de cantar”, disse o artista.

“A gente consegue enganar por algum tempo, mas não por todo o tempo”, completou.
Quando completou 73 anos, em 2003, Cauby estreou na extinta e tradicional casa de shows “Canecão”, no Rio de Janeiro, onde nunca havia se apresentando, emocionando a plateia.

Em 2006, foi homenageado no teatro com o musical “Cauby”, escrito por Flávio Marinho e protagonizado por Diogo Vilela. No ano seguinte, venceu o Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Música Romântica” com o CD “Eternamente Cauby Peixoto – 55 anos de carreira”.

Seu último prêmio foi recebido em 2013, no 24º Prêmio da Música Brasileira, recebendo os troféus de “Melhor cantor” e de “Melhor disco popular”, pelo CD “Minha serenata”. Ao todo, Cauby contabiliza mais de 130 discos lançados, entre inéditos e coletâneas.

O último deles foi lançado em 2015, após um período de internação. Nessa época, o artista passou pela UTI e o estado chegou a ser considerado grave.

.