Joaquina (Andreia Horta) e Bertoleza (Sheron Menezes) em cena de “Liberdade Liberdade”(Foto: Globo/João Cotta)Mario Teixeira, que recentemente assinou a autoria da novela das sete ‘I Love Paraisópolis’ (2015) ao lado de Alcides Nogueira, está de volta, agora na faixa das onze com ‘Liberdade, Liberdade’.
Coautor das novelas ‘Os Ossos do Barão’ (1996), ‘O Cravo e a Rosa’ (2000) e ‘Ciranda de Pedra’ (2008), além de ter colaborado com Silvio de Abreu em ‘Passione’ (2010), Teixeira também foi roteirista de séries infanto-juvenis como ‘Sítio do Pica-pau Amarelo’ (2001-2007) e ‘Castelo Rá Tim Bum’ (1994). Tem uma importante carreira literária que já lhe rendeu os Prêmios Jabuti e Prêmio Biblioteca Nacional de 2015 com o romance ‘A Linha Negra’.

‘Salvando a Pele’, ‘Alma de fogo’ e ‘O Golem do Bom Retiro’ são outros livros de destaque em sua carreira.
A seguir, o autor fala sobre ‘Liberdade, Liberdade’, trama que estreia na próxima segunda-feira, dia 11, após ‘Velho Chico’.

Mário Teixeira, autor de ‘Liberdade, Liberdade’(Foto: Globo/Estevam Avellar)De onde surgiu a ideia de contar a história da filha de Tiradentes?
A ideia de falar sobre Joaquina partiu do argumento da Márcia Prates. A partir dele, desenvolvi uma história sobre a volta de uma menina cujo pai, Tiradentes, foi considerado um traidor.

Joaquina traz dentro de si essa carga dramática. Ela volta de Portugal em um momento crucial da história brasileira, com a comitiva imperial.

Raposo tem posses e criou essa moça como uma nobre em Portugal. Mas o seu retorno ao Brasil provoca uma busca dela por si mesma.

Ela volta para uma terra que é dela, mas que condenou seu pai à morte e de uma forma trágica, na forca.
Quem é Joaquina e de onde vem a força dessa personagem?
Joaquina é uma mulher impetuosa, justa, acredita fielmente em seus valores e na busca por igualdade e liberdade.

Não deixa os conceitos sociais mudarem a forma como pensa. O grande trauma que sofreu ao testemunhar a morte do pai serviu de impulso para se tornar uma mulher ainda mais forte.

Descobrir mais sobre a luta de Tiradentes exaltará nela o sangue guerreiro e heroico do pai. Mas na trama, além de Joaquina, teremos outras personagens femininas fortes.

Entre elas, Virginia (Lilia Cabral), que é a dona do cabaré e uma articuladora do movimento dos rebeldes. Está presente desde o início da trama, e é ela quem ajuda na fuga de Joaquina e Raposo para Portugal.

Quando Joaquina retorna ao Brasil, Virginia vai ser sua consciência política, com quem Joaquina vai poder contar. São duas mulheres à frente de seu tempo, destemidas, e que acima de tudo acreditam e propagam os valores de igualdade, liberdade e fraternidade.

Não há muitos registros históricos da filha de Tiradentes e essa é uma obra ficcional. Quais foram suas referências para escrever a novela?
Essa é uma obra baseada em argumento de Márcia Prates, livremente inspirada no livro ‘Joaquina, Filha do Tiradentes’, de Maria José de Queiroz.

Mas fiz também uso de diversas outras fontes para construir essa história. Os romances que mais me influenciaram foram “O Vermelho e o Negro” e “A Cartuxa de Parma”, de Stendhal, os livros do Joseph Conrad (“A flecha de ouro”), os do Alexandre Dumas e os do Emilio Salgari (“O corsário negro”).

 E não só os romances, mas vi filmes como “Os duelistas”, “Rainha Margot”, os filmes da Martine Carol (“Caroline Cherie”), indicados pelo Silvio de Abreu, também me serviram de base. Livros de história como as pesquisas fundamentais do Kenneth Maxwell (“O livro de Tiradentes”, “A devassa da Devassa”); os da Laura de Mello e Souza (“Desclassificados do ouro”) me fizeram entender melhor as relações de poder na época; e Júnia Ferreira Furtado (“Homens de negócio”), que jogou luz sobre os negócios das Minas Gerais setecentista, as relações hierárquicas que ainda vigoravam no período da nossa história.

Relatos de viajantes da época também me foram muito úteis, como “Viajantes estrangeiros no Rio de Janeiro joanino”, de Jean Marcel Carvalho França. “As cartas chilenas”, de Tomás Antonio Gonzaga, também foram uma grande referência.

Como acontece a criação de uma história em que o momento histórico onde ela se desenvolve, ou seja, o pano de fundo da trama é representativo?
A história também é uma visão muito pessoal, os grandes historiadores a tratam assim. Eu acredito que a ficção também seja capaz de resgatar o passado.

Eu aprendi muito sobre o Brasil do século XIX lendo Machado de Assis e seus contemporâneos, como Manuel Antonio de Almeida, por exemplo. No futuro, acredito que os historiadores vão consultar as nossas novelas para ajudar a contar a história da época.

Penso na história como um romance policial: as testemunhas não são muito sinceras, e sua visão é muito particular, sujeita a interpretações. A própria memória nos trai.

Alexandre Dumas fazia e acontecia com a história. Inventava fatos e invertia a cronologia dos acontecimentos a serviço da narrativa.

E eu concordo com Hilary Mantel, que disse, no prefácio de um de seus livros, que, quando se trata de diferenciar o fato da ficção, qualquer coisa que pareça particularmente inverossímil provavelmente é verdadeira.
O que o público pode esperar de ‘Liberdade, Liberdade’?
Ação, aventura, emoção e romance.

Essa é a história de uma mulher que vive nesse período conturbado, em que o Brasil deixa de ser colônia e passa a ser a capital do império. Vamos falar dessa mulher, dos amores dela dentro desse contexto histórico que foi a vinda da família real para o Brasil.

Vamos falar de amor, mas também de revolução, de inconfidência e dos movimentos que desembocaram na independência do país.

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Fonte: TV Foco