Reprodução/TV Globo Zezé Macedo como a Dona Bela, da “Escolinha do Professor Raimundo” “Ele só pensa naquiiiilo”. Quem não se lembra do bordão de Dona Bela, a personagem pudica da “Escolinha do Professor Raimundo” imortalizada por Zezé Macedo nos anos 90 e homenageada por Betty Gofmann na nova versão do programa produzida pelo Canal Viva? Mas pensar só em Dona Bela é pouco para dar conta da carreira desta importante atriz, que teria feito cem anos nesta sexta-feira (6), estrelou uma centena de filmes e chegou a ser chamada por Oscarito de o “Carlitos (personagem de Charles Chaplin) de saia”. “Ela era a sua parceira predileta.

Uma atriz maravilhosa e uma mulher vitoriosa, uma das primeiras, que tem um peso muito grande na nossa cultura”, afirma Betty, que também interpretou a atriz, morta em outubro de 1999, na peça “A Vingança do Espelho: A história de Zezé Macedo”, que retorna aos palcos no segundo semestre. “Ela está no imaginário popular, muito amada e querida até hoje.

Você fala Zezé Macedo, as pessoas já abrem um sorriso.” O alívio cômico, reforçado pelo título de “a mulher mais feia do país” que carregou por toda a carreira, escondia uma “tristeza na alma, que só os grandes comediantes têm”, segundo Flavio Marinho, autor do espetáculo e biógrafo de Zezé.

“Ela tinha chanchada na veia, mas também tinha uma coisa chapliniana, meio patética, melancólica, solitária. Era muito mais do que a mulher feia da voz esganiçada, como era popularmente conhecida.

Gostaria que a vissem como o gênio da comédia que ela era.” Tragédia vira comédia Nascida em Silva Jardim, no interior do Rio de Janeiro, Zezé Macedo, quando criança, chegou a subir no palco, mas não profissionalmente, e logo desistiu da ideia, pois se casou com o mecânico e eletricista Alcides Manhães, com quem se mudou para Niterói.

Os dois tiveram um único filho, Hércules, morto com apenas um ano, de traumatismo craniano, depois de cair do colo da avó paterna. Ela deu um grito de pavor e tristeza, quando viu que o neném tinha morrido.

Depois ficou um tempo sem conseguir falar e, quando a voz voltou, ficou esganiçada. “O mais incrível é que ela transformou essa dor, com a qual conviveu pelo resto da vida a ponto de nunca mais querer ter filho, e usou essa voz, acentuando ainda mais o que já era fino, para fazer humor tragicômico.

Ela extraía dessa dor o humor e fazia as pessoas rirem”, analisa Betty Gofman. Já separada, Zezé partiu para a capital fluminense e passou a exercer vários bicos como escriturária e funcionária pública, até se tornar secretária do novelista e diretor Dias Gomes e do ator Rodolfo Mayer na Rádio Tamoio.

“Tinham as radionovelas e ela vivia pedindo para fazer um papel e um dia uma atriz não pôde se apresentar. Ele sabia que ela escrevia poesia e, então, a colocou para recitar um poema no rádio com aquela voz.

As pessoas acharam muito engraçado. E, a partir daí, convidaram para trabalhar no rádio e no cinema”, acrescenta Betty.

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Fonte: Uol Televisão