Pedro Bial e Rodrigo Dourado, diretor do “BBB”(Foto: Globo/Paulo Belote)O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF – RJ), por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, protocolou, nesta semana, ação civil pública contra a Globo Comunicação e Participações por dano moral coletivo e discriminação racial ao utilizar como esponja de lavar louças, no “BBB 16”, um boneco black power.
Diversas representações contra a emissora foram recebidas na Seção de Atendimento ao Cidadão do Ministério Público Federal (MPF) sob a alegação de que o objeto reforça um estigma de comparação entre o cabelo crespo e uma esponja de aço e contribui para ofender a imagem do negro no país, diz publicação do MPF.
A primeira aparição do boneco foi no programa “Mais Você”, de Ana Maria Braga, no dia 19 de janeiro de 2016 – mesmo dia da estreia da 16ª edição do “BBB”.

A repercussão negativa diante da exibição do objeto foi imediata. Internautas de todo o país questionaram a repudiaram a utilização do utensílio, ato considerado inadequado e preconceituoso em relação à população negra.

Mesmo diante da polêmica, e com toda a repercussão negativa, a Globo decidiu manter a esponja no cenário da atração. O objeto só não foi utilizado como esponja lava-louças no reality porque Ronan deu uma destinação diversa a ele.

A polêmica esponja do “BBB16” durante exibição do “Mais Você” (Foto: Reprodução/Globo)“Um dos participantes do reality show, que é negro, identificou de pronto a inadequação do objeto e ele mesmo retirou o boneco da pia e passou a utilizá-lo como um simulacro de microfone”, relatam os procuradores da República Renato Machado e Ana Padilha Oliveira, autores da ação.
“A representação do cabelo Black Power como esponja de pia faz uma clara alusão ao estereótipo racista do ‘cabelo para ariar panela’ ou ‘cabelo Bombril’, servindo apenas para reforçar o preconceito, ainda intrínseco a muitos setores da sociedade, desde a abolição da escravatura’”, argumentam os procuradores.

Punição para a GloboAlém na reparação dos danos morais coletivos causados pela Globo, no valor que não pode ser inferior a 0,5% do faturamento do “BBB 16” (só antes da estreia, o programa faturou R$ 190 milhões), o MPF quer ainda a veiculação, durante a exibição do “Mais Você”, bem como durante o horário nobre em que era exibido o reality show, de uma retratação pela emissora à população negra pela utilização do boneco-esponja.

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Fonte: TV Foco