Jornalista que recebeu críticas de João Roberto Marinho resolveu rebater informações do empresário.
Há alguns dias, o jornalista David Miranda publicou um artigo no The Guardian (um dos maiores jornais britânicos) intitulado “A razão real que os inimigos de Dilma Rousseff querem seu impeachment”, no qual abordava questões sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff e o papel da mídia dominante do Brasil, protagonizado pela Globo.
Acontece que João Roberto Marinho, herdeiro do Grupo Globo, resolveu sair em defesa da emissora e publicou uma carta em resposta ao artigo, publicada no próprio The Guardian.

Agora, David Miranda resolveu responder ao comentário e fez duras críticas ao empresário. Confira alguns trechos:
“A enganosa tentativa de João de confundir o público estrangeiro misturando a operação Lava Jato com o impeachment de Dilma exemplifica perfeitamente o tipo de fraude e o viés pró-impeachment que a Globo vem disseminando institucionalmente por mais de um ano”.

João Roberto Marinho (Foto: Reprodução)“Sob o comando de seu pai, a Globo saudou e glorificou o golpe civil militar que removeu um governo de esquerda e democraticamente eleito no país. (…) Em 1984, a Globo simplesmente mentiu para o país quando descreveu um enorme protesto pró-democracia em São Paulo como uma festa pelo aniversário da cidade”.

“Essa não é a conduta de uma organização de mídia genuína. É a conduta de uma família oligárquica usando seus meios de comunicação para moldar e manipular a opinião pública em favor de seus interesses.


“A sugestão de que a Globo é uma organização de notícias neutra e imparcial – ao invés de principal braço de propaganda da oligarquia brasileira – é cômica para qualquer um que já tenha assistido a seus programas. A rigor, a parcialidade da Globo, e em particular de seu principal show noturno de notícias, o Jornal Nacional, tem sido tão escancarada que se tornou uma fonte inesgotável de piadas.


William Bonner (Foto: Reprodução)“A Globo, por exemplo, visivelmente enterrou as notícias sobre a lista da Odebrecht. Um de seus comentaristas, Arnaldo Jabor, chegou a insinuar que se tratava de uma conspiração do governo.


“Compare, por exemplo, os 14 minutos melodramaticamente gastos pelo Jornal Nacional reencenando as ligações de Lula como se fossem uma novela aos 2 minutos e 23 segundos que dedicou à lista da Odebrecht. Em nenhum dos dois casos a ilegalidade estava expressa, como foi a justificativa para a não divulgação da lista da Odebrecht.

Em ambos os casos, portanto,  a investigação da PF deveria ter sido aguardada – dois pesos, duas medidas.”
“Não há nada inerentemente errado com uma mídia partidária e ativista.

(…) Mas o que está errado é enganar o público dizendo a ele o que todos sabem ser falso: que a Globo e outras grandes organizações são neutras e livres de opinião”.
“É verdade que a Globo não detém todos os meios de comunicação influentes.

Há uma pequena quantidade de outras famílias bilionárias que são donas de quase todo o resto.”

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Fonte: TV Foco