Lília Cabral em entrevista ao ‘Ofício em Cena’, na GloboNews(Foto: Globo/Caiuá Franco)Lília Cabral, entrevistada de Bianca Ramoneda no ‘Ofício em Cena’ desta terça-feira, dia 19, tem uma trajetória de muitas conquistas mas, apenas na maturidade, viu a carreira dar uma virada. Antes era vista como a atriz que fazia bem personagens engraçadas, pobres, doces, ingênuas.
“Sou muito agradecida e feliz quando lembro de todos os papéis que fizeram com que o público me conhecesse, mas eu já estava me desgastando.

Depois de 10 anos ganhando aquele tíquete-restaurante, digamos assim, contando dinheirinho, me veio um personagem maravilhoso, a Sheila, de ‘Histórias de Amor’, que foi o meu primeiro contato com o Maneco [Manoel Carlos, autor]”, revela a atriz. Logo depois veio ‘Laços de Família’, quando ela percebeu que o público começou a observá-la de maneira diferente.

“Eu queria demais que as pessoas entendessem que eu também sabia emocionar. E foi quando fiz a cena com o Fernando Torres, em que eu contava a história da nossa vida, ele se emocionava e morria em seguida”, lembra a atriz.

A partir daí, todos perceberam que ela também tinha o dom de fazer chorar e os elogios não pararam de chegar.
Para acessar suas emoções, Lília dedica muito tempo ao estudo, lê as cenas até se tornarem orgânicas, sem que seja preciso pensar nelas.

Apenas num segundo momento, ela começa a pensar no tipo de emoção que a cena requer: “Nada disso é um sacrifício para mim, é uma delícia, eu adoro. Depois que tem tudo isso, em último caso é que eu vou pensar: ‘Ah, ela tem o cabelo assim, ela fala assim, ela anda desse jeito, o figurino é daquele outro”, explica.

Em seu processo de criação, ela diz ainda que gosta de inventar, correr riscos, mesmo que os diretores ou autores não gostem do resultado. Como atriz, considera não ter limites: “Eu sou a pessoa mais careta , sempre fui.

Agora, em cena sou muito doida. Doida, sou louca.

Acho que sou capaz de tudo”, diverte-se.
Mas, apesar de ser uma atriz consagrada, Lília lembra que precisou mentir para o pai no início, sobre a profissão que escolheu seguir.

A atriz recorda que era uma menina muito feliz na infância e adolescência, mas muito reprimida dentro de casa. “Quando saía de casa era outra pessoa e quando entrava em casa voltava a viver um personagem”, define.

Foi essa situação que a levou a mentir para o pai e dizer que estava estudando Jornalismo, em vez de Teatro na Escola de Artes Dramáticas. “No primeiro e no segundo ano, ninguém desconfiou.

Foi no dia da estreia de uma peça de sucesso que fiz, chamada ‘Divinas Palavras’, quando me vi naquele palco, nua em cima de uma carroça, com o teatro lotado, cheguei em casa e falei: acabou a brincadeira. Já sou maior de idade, tenho uma profissão, devo a ela respeito”, desabafa.

Assim como Tony Ramos revelou em sua entrevista ao ‘Ofício em Cena’, Lília diz que não leva personagem para casa. “Venho da minha casa possuída.

Agora, na hora que acaba, imagina se eu vou levar para casa? Não levo mesmo! Sempre lembro dos meus professores falando: vocês são interruptores. Acendeu, vai lá fazer.

Desligou, acabou”.
A entrevista de Lília Cabral ao ‘Ofício em Cena’ vai ao ar nesta terça-feira, dia 19 de abril, às 23h30, na GloboNews.

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Fonte: TV Foco