A partir desta segunda-feira (11), a Globo passa a exibir a nova fase de “Velho Chico”, que terá um salto de 28 anos em sua história.
Em entrevista ao colunista Maurício Stycer, Luiz Fernando Carvalho, diretor artístico da trama, falou sobre a nova fase do folhetim e se mostrou entusiasmado com a sua exibição. “É um corte brutal, de tempo, espaço e questões em relação ao Brasil.

Algumas continuam as mesmas, outras foram abandonadas, outras avançaram. A essência está muito clara nas páginas dos jornais de hoje: houve uma grande decepção com a classe política, independentemente dos partidos.

Houve um abandono das questões brasileiras”, disse ele. “A novela, na nova fase, mostra mais camadas contraditórias, embates.

Enquanto o romance é mais plano, agora terá mais contradições. Esse pai agora, ao mesmo tempo, está destruindo o rio São Francisco”, completa.

O diretor, apesar de já ter comandado diversos folhetins, diz que não se considera um “noveleiro”. Ele defende o seu método de trabalho para o gênero e faz uma crítica aos que sugerem uma “revolução” nas tramas brasileiras.

“Guardo comigo um certo amadorismo em relação às novelas. Não me considero um noveleiro.

Talvez por isso tenho um espírito corajoso e curioso, e guarde uma fé em relação a este conteúdo, onde muita gente já desprezou ou acha que tem que fazer uma revolução para parecer um seriado americano. Não acho que precisa disso.

Acho que precisa fazer uma reflexão para parecer novela brasileira de boa qualidade, com as coordenadas e temas brasileiros. Quanto mais a gente se desvia disso, mais a gente perde essa interlocução com o público”, afirmou.

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Fonte: TV Foco