Discreto e às vezes pouco lembrado pelo seu nome entre o público, Umberto Magnani ficará na memória das pessoas próximas a ele pelo seu bom humor. Enquanto se despediam do ator no teatro de Arena, em São Paulo, nesta quinta-feira (28), amigos e familiares destacaram o temperamento brincalhão e afetivo de Umberto.”Ele era uma pessoa muito engraçada, só falava bobagem”, disse ao UOL Irene Ravache.

“A última vez que vi o Umberto foi lá no Projac, com cigarrinho na mão. Falei ‘ainda no cigarrinho?’ E nós demos risada”.

O afeto e o bom humor do ator também estão entre as lembranças da atriz Sandra Coverloni, que atuou com ele na série inédita A Grande Viagem, que será exibida pela TV Brasil. Na produção, Magnani é um senhor com Alzheimer, pai da personagem de Sandra.

“Era a coisa mais fofa”, contou a atriz. “Foi uma delícia, ele foi o pai mais fofinho que já tive na ficção.

Ele tem os olhos mais doces. Cara acolhedor, deixava todo mundo à vontade.

Não tinha ninguém  que falava ‘ah, o Umberto’..

.”Segundo Sandra, os dois brincavam bastante no set de filmagens.

“Teve uma cena que era nós dois sentadinhos, na cama. Aí antes a gente ficava ‘tranqueira’, ‘boba’, ‘tonto’.

Aí a gente gravava, bonitinho, e depois começava de novo, a gente ficava brincando. Vai fazer muita falta”.

Amigo de longa data de Magnani, o ator Genezio de Barros contou ao UOL que os dois costumavam se divertir muito juntos – e que ele inclusive frequentava a casa da família do artista, em Santa Cruz do Rio Pardo. “A gente tinha uma aproximação grande.

Descíamos o Rio Santa Cruz de boia. Ele era um menino no corpo de um adulto, gostava de brincar, fazer sacanagem”.

Barros ainda falou que Magnani finalmente vivia um papel à sua altura, como o padre Romão de Velho Chico. “Finalmente haviam dado um papel decente, à altura do talento dele.

Mas ele cumpriu a missão. Foi rápido, não ficou sofrendo”.

O ator mirim Antônio Haddad Aguerre, 10, foi o único a lembrar que Magnani também ficava bravo, apesar do jeito engraçado. Os dois trabalharam juntos entre 2014 e 2015, na peça “Elza e Fred”.

“Ele me ensinou tudo sobre teatro. Era brincalhão demais.

Mas eu também adorava quando ele ficava bravo. Ele era mais risonho do que bravo”.

Leopoldo Pacheco, que esteve na primeira fase de Velho Chico, lembrou da boa convivência que teve com o amigo durante dois meses de filmagens no Nordeste. “O Magnani tem um humor muito particular, ele é uma pessoa muito humana, muito digna, muito amorosa, aquela alma que você pode não desgrudar mais.

Tenho essa pessoa fraterna que ele é. O mundo tá tão difícil, tão despedaçado.

E ele era um eixo nesse lugar, de saber que você pode ser feliz, que, apesar de tudo, viver vale a pena”.
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Fonte: Uol Televisão