Ricardo Boechat (Foto: Reprodução)

Nesta segunda (18), o jornalista Ricardo Boechat resolveu se manifestar sobre o discurso de Jair Bolsonaro durante a votação do impeachment.
Na ocasião, o deputado elogiou um torturador da ditadura. “Contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, o meu voto é sim”, disse Bolsonaro.

Ricardo Boechat declara que cada deputado tinha o direito de se expressar como queria, mas defender torturador não tem nada a ver com política. “Cada deputado tem o direito a palavra, e isso faz parte da democracia.

Registre-se também a infinita capacidade do deputado Bolsonaro atrair para si os holofotes falando barbaridades sucessivamente”, declara o jornalista.
“Algumas fazem sentido dentro de uma lógica ideológica, outras não fazem sentido dentro de lógicas nenhuma como dedicar o seu voto a memória de um notório torturador.

Torturadores não tem ideologia”, dispara Boeachat. Veja abaixo:
Outra pessoa que comentou as declarações de Bolsonaro foi Amelinha Teles, vítima do Coronel Ustra na época.

“O que significa essa declaração do deputado é que ele quer que o Estado brasileiro continue a torturar e exterminar pessoas que pensem diferente dele. Que democracia é essa que quer a tortura, a repressão às pessoas que não concordam com suas ideias?”.

Amelinha Teles (Foto: Reprodução)No mês passado, Amelinha, que fez parte da resistência, conta um dos métodos de Ustra. “Ele levou meus filhos para uma sala, onde eu me encontrava na cadeira do dragão (instrumento de tortura utilizado na ditadura militar parecido com uma cadeira em que a pessoa era colocada sentada e tinha os pulsos amarrados e sofria choques em diversas com fios elétricos atados em diversas partes do corpo), nua, vomitada, urinada, e ele leva meus filhos para dentro da sala? O que é isso? Para mim, foi a pior tortura que eu passei.

Meus filhos tinham 5 e 4 anos. Foi a pior tortura que eu passei”, revela.

A Presidente Dilma também comentou as falas do deputado. Dilma foi uma das vítimas de Ustra, e, entre outras coisas que não vem ao caso devido ao seu teor chocante, ela tomou um soco no rosto com tanta força que quebrou sua mandíbula.

Dilma Rousseff em recente pronunciamento (Foto: Reprodução)“Eu lastimo que esse momento tenha dado abertura para esse tipo de fala. A aventura golpista levou à uma situação que nós não vivíamos no Brasil: de raiva, de ódio.

Num processo como o nosso que a democracia resulta de uma luta é terrível ver alguém votando em homenagem ao maior torturador que o Brasil conheceu.”