A CBF ainda não desistiu. Por mais que a Fifa sinalize que
vá liberar o uso do vídeo no futebol somente em 2017, a Comissão Nacional de
Arbitragem (Conaf) ainda tem esperanças de conseguir a autorização para que
comece o uso já em agosto. Na próxima semana, membros da Conaf irão à Holanda
para um workshop destinado aos países interessados na tecnologia.

Na ocasião, os
brasileiros esperam convencer a Fifa de que estão preparados para dar o pontapé
inicial, como diz Sérgio Corrêa, presidente da Conaf. > Comissão da CBF crê que Fifa não liberará auxílio de vídeo em jogos oficiais este ano> CBF elogia aprovação do uso de vídeo e espera liberação da Fifa para agosto> CBF adotará novas regras em seus torneios; veja as principais mudanças– A Fifa definiu que seria só em 2017.

Estão dizendo que a CBF
está mentindo ao falar que pode ser em agosto. Não.

Nós só estamos tentando
mostrar à Fifa que temos condições de iniciar. Só isso.

Vamos tentar uma
condição especial. Vamos para a Holanda, vamos ver o projeto deles e vamos
continuar tentando até o último minuto para que inicie em agosto.

Estamos
trabalhando nisso há seis meses, temos mapeamento de todos os estádios, tudo
está pré-estabelecido. Falta só a autorização.

Se não sair, vamos ter mais
tempo para preparar. Não estamos com pressa, é projeto antigo, temos tudo
preparado – declarou Corrêa.

 

Mesmo sem a resposta positiva da Fifa, a CBF já se
antecipou. A entidade já realizou testes com os equipamentos para o projeto chamado
“Árbitro de vídeo”.

A primeira experiência, ainda sem comunicação com o árbitro
principal, ocorreu no jogo de ida da decisão do Campeonato Carioca, entre Vasco
e Botafogo, no Maracanã, e teve apoio da Ferj. A intenção é fazer mais testes,
até mesmo com o envolvimento do juiz em campo.

No entanto, tais avaliações
deveriam acontecer em amistosos ou jogos amadores. A CBF espera usar os
torneios de base.

 

 

No único teste feito até agora, o autor do projeto, Manoel
Serapião, foi o responsável por liderar o experimento. Ele assumiu o papel de
árbitro de vídeo ao analisar, instantaneamente, possíveis jogadas que teriam
que ser analisadas no clássico entre Vasco e Botafogo.

Serapião, que é
diretor-técnico da Escola Nacional de Arbitragem, também crê que o futebol
brasileiro já esteja preparado para incorporar a novidade.

 

Falta só a autorização.

Se não sair, vamos ter mais
tempo para preparar. Não estamos com pressa, é projeto antigo, temos tudo
preparado”– Nós estávamos no Maracanã, mas em uma unidade móvel.

Não
estávamos no campo de jogo. O árbitro (de vídeo) não precisa ficar no campo,
até porque para ficar no campo seria complicado.

A experiência foi extremamente
válida. Podemos traçar uma diretriz mais real do que imaginávamos.

Criamos um
protocolo de atuação. Teremos alguns impactos substanciais na partida e estamos
indo para Amsterdam para discutir o protocolo.

Estamos criando sinais para o
árbitro indicar quando ele souber da decisão após a consulta no vídeo. Um
exemplo seria um sinal para indicar se foi gol ou não em um lance duvidoso –
comentou Manoel.

 

Segundo o presidente da Comissão de Arbitragem, Sérgio
Corrêa, a CBF não irá divulgar em quais partidas os testes serão feitos. Ele
assegurou que as cabines onde o árbitro de vídeo e seu assistente trabalharão
serão monitoradas.

O material e local para treinamentos dos árbitros, além de
uma lista com os possíveis nomes para ocuparem a função já foram criados. Falta
apenas a autorização da Fifa.

 

– Só não faremos em agosto por determinação da Fifa, mas vamos
continuar trabalhando. A estrutura não é simples, mas o trabalho é.

O vídeo não
vai acabar com erros. No próprio teste que fizemos, tivemos duas situações no
jogo que não tínhamos a imagem.

Às vezes acontecem situações que fogem do nosso
controle. Mas foi muito satisfatório esse primeiro evento.

Tudo estava sendo
feito no papel, tivemos várias reuniões, testes mentais, e agora já temos uma
base melhor para seguir trabalhando – definiu Sérgio. O recurso do vídeo será permitido somente em quatro
ocasiões: para determinar se um gol foi marcado, em casos de expulsão,
marcações de pênalti e para identificar um determinado jogador, caso haja
suspeita de punição equivocada a um atleta.

A tecnologia não servirá para
lances de impedimento, a menos que seja uma clara situação de gol. Segundo
Corrêa, técnicos, jogadores ou qualquer membro de comissão técnica não poderão
requisitar a revisão de um lance.

A decisão partirá apenas do árbitro
principal. O orçamento total previsto é entre R$ 12 e R$ 15 milhões.

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Fonte: Globo Esporte