“Aqui em Aperibé tem campeão nacional”. Foram com essas palavras que Hugo Gomes Rodrigues, de 25 anos e torcedor apaixonado pelo Fluminense, recebeu a reportagem da TV Globo e do GloboEsporte.com.

Por ocasião da última rodada do Campeonato Brasileiro de 2015, o filho da cidade de Aperibé, localizada na região norte do estado do Rio de Janeiro, deu a cidade motivos de sobra para festejar. Foi de lá que saiu o campeão nacional do Cartola FC do ano passado.

 Por volta da 21ª rodada, quando estava em 52º na Liga Nacional, Hugo enxergou a chance de ser o grande campeão do fantasy game.  – Lá pra 21ª ou 22ª rodada, vi que estava na 52ª posição nacional e pensei: “Estou bem colocado”.

Aí ficou ainda mais sério. Vi que tinha condições de pegar essa liderança.

Quando chegou a 28ª rodada cheguei à primeira colocação. Daí por diante foi só alegria.

(Nessa noite) até dormi, mas demorei um pouquinho. Fui tirando print pra mandar para os amigos.

Liga para um, liga para outro. Aí ficaram colocando nas redes sociais: “Aperibé tem um líder”.

É uma pressão absurda. Fazendo uma brincadeira é uma coisa, mas quando você vê que pode ser campeão nacional é outra.

Já muda toda a perspectiva da competição. Comecei a acompanhar os primeiros colocados nacionais pra saber quem eles iriam escalar.

Isso me deu uma base e me tirou um pouco da pressão. Foi um pouco tenso, mas graças a Deus deu certo no final – contou Hugo.

  A data de 6 de dezembro, dia em que aconteceram todos os jogos da 38ª rodada do Brasileirão de 2015, foi marcante não apenas para Hugo, mas para toda a pequena cidade de Aperibé. O clima em toda região foi de extrema ansiedade e expectativa.

O cartoleiro mais famoso do município precisou pular de evento em evento pela vizinhança para tentar aliviar o estresse. Hugo chegou até a entrar de penetra num aniversário de casamento de uma parente.

   – A última rodada tem uma história curiosa. Acabei de montar o time e estava tendo a final do campeonato municipal daqui.

Fui pro campo assistir a finalíssima. Até pra aliviar um pouco a pressão.

Cada hora vinha um: “Vitinho do Inter fez gol”, “O Corinthians tomou um gol”. Quando vim pra casa, a última rodada demorou um pouco a atualizar os scouts.

Atualizava o meu, atualizava o do adversário. Ele me passava, eu o passava.

Ficou aquela tensão. Fui para o aniversário do filho de um amigo meu, o Rhikelmy.

Nome sugestivo, de craque. No celular, todo mundo me perguntando e eu acompanhando as parciais.

 Amigos falavam que eu tinha passado, que eu tinha perdido. Até que um amigo meu, o Arthur Sanches, zagueiro do Bangu que faz parte da nossa liga assim como seu pai, o radialista Zé Arthur, me mandou a mensagem dizendo que eu fiquei em primeiro.

Eu estava com a minha namorada, família dela, amigos. Mas eu fiquei esperando sair o resultado definitivo.

Dali fomos de penetra (risos) para o aniversário de casamento da minha cunhada. Fomos até pra tirar o estresse, esquecer um pouquinho e esperar o resultado definitivo, que só saiu segunda-feira às 8h.

Mas antes já havia saído grito de “é campeão”, na festa de aniversário (do Rhikelmy) e depois fomos para o aniversário de casamento. Por dentro eu estava eufórico e com um pouco de alívio também – revelou Hugo.

  Outros personagens também se destacaram nesse acontecimento marcante para Aperibé. O pai de Hugo, Juvenal Borges Rodrigues, também fanático pelo Fluminense assim como quase toda a família, se deixou dominar pela aflição.

Juvenal passou aquela noite, em casa, contabilizando a pontuação do meia Alan Patrick, do Flamengo, para se certificar que o filho realmente iria ser o grande campeão do Cartola FC. Pelo lado das piadas e das brincadeiras, um amigo de Hugo também ganhou papel fundamental.

Justamente o mais zoador da liga local, denominada como “Valeu Seu Dinheiro é Meu”, Renan, torcedor do Vasco, terminou a disputa em último lugar. Mas Hugo garante que o bom humor do amigo prevaleceu diante das brincadeiras.

   – Seguir o coração depende muito. Se o seu time estiver bem o coração ajuda, mas no Cartola FC tem que deixar um pouco de lado.

Meu amigão aqui (Hugo aponta para Renan e ri), torcedor do Vasco, foi escalar com o coração e não deu muito certo pra ele não (risos). Ele foi o lanterna (risos).

Mas por incrível que pareça, mesma sendo lanterna era o mais zoador da galera. Então ele tirou isso de letra – disse Hugo, fazendo alusão ao fato do Vasco da Gama ter terminado o Campeonato Brasileiro em 18º lugar e ter sido rebaixado à Série B.

Para 2016, Hugo Gomes já garantiu que buscará o bicampeonato nacional do Cartola FC. E aproveitando a grande novidade do fantasy game, Hugo jogará pelo modo Cartoleiro PRO.

O fato de um vizinho ser o atual campeão nacional tem servido de estímulo para outros moradores de Aperibé aderirem a versão paga, que dá direito a prêmios. Justamente por isso, Hugo não se furtou a ceder dicas valiosas para que seus amigos tenham chances de, quem sabe, repetirem o seu feito inesquecível.

E o cartoleiro número 1 de 2015 não fechou as portas do seu treino para a imprensa. Pelo contrário, revelou os seus conselhos para todo o Brasil.

   – Não uso muito o coração. No Cartola sou um pouco caseiro.

Gosto de escalar jogadores que vão atuar em casa. Jogadores de meio-campo, preferencialmente os que cobrem bola parada.

Pra conseguir assistência é muito fácil. O cara bate escanteio e se sair gol ele já está com cinco pontos garantidos.

Goleiro, a defesa difícil vale três pontos. Muita gente gosta de escalar goleiro fora de casa, porque acha que vai fazer defesas mais difíceis.

Só que se tomar um gol vai fazer menos dois pontos. Então tem que fazer duas defesas difíceis pra ficar com quatro.

Enquanto um que vai ter um jogo teoricamente fácil, em casa, não toma gol e já vai garantir cinco. Defesa é tentar colocar time que não vai levar gol pra garantir os cinco pontos de defesa.

Atacante sempre os artilheiros. Eu preferi (em 2015) colocar Fred, Ricardo Oliveira e Lucas Pratto – aconselhou o atual campeão nacional do Cartola FC.

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Fonte: Globo Esporte