No mundo corporativo é essencial ter um cartão de visita pessoal guardado na carteira. Informações, contatos e até um endereço eletrônico que redirecione, talvez, para um currículo. Nunca se sabe quando uma oportunidade vai surgir e, afinal, dizem que a primeira impressão é a que fica.

No futebol também é assim. Quando um jogador ou um time se destacam logo de cara, diz-se que eles mostraram o cartão de visita.

Foi assim com Fred, que chegou num dia, e dois dias depois já estava marcando gol em clássico.O Atlético-MG também tem um cartão de visitas tradicional.

No entanto, apesar de ser muito utilizado, há quase quatro anos, nunca havia funcionado. É o “Chutão do Galo”, que começou com o Cuca, em 2012.

 Acontece que essa jogada já era do Atlético mesmo, eu via
até quando enfrentava aqui (pelo Cruzeiro), que acontecia e foi cobrado hoje na
preleção, que no jogo do América aconteceu a mesma coisa, só que o Léo cabeceou
para dentro e não apareceu ninguém. Deu certo hoje, é uma
forma de dar um cartão de vistas para o adversário, mostrar para torcida que
vamos jogar para cima e pressionar o adversário.

A jogada é simples. Quando o Atlético-MG vai sair com a bola no início do primeiro ou do segundo tempo, um jogador rola a bola para o companheiro dar um chutão em direção ao ataque.

Um zagueiro corre em direção ao ataque para desviar a bola de cabeça para o meio da área do adversário, onde algum atacante está pronto para o remate. Na teoria parece difícil, né? Na prática, também, já que o Galo demorou quase quatro anos para marcar desta maneira.

Na vitória por 5 a 3 sobre o Botafogo funcionou perfeitamente (veja a jogada no vídeo abaixo). Com as novas regras de arbitragem, (uma delas diz que a bola não precisa ser mais rolada para frente) Robinho rolou para trás, para Erazo.

Ele deu o chutão, Leonardo Silva casquinhou para Fred, que de calcanhar ajeitou para Cazares. O equatoriano abriu o placar aos 12 segundos, gol mais rápido da história do Galo no Brasileiro.

 Mudaram os jogadores, mas a jogada permaneceu. Réver, Jemerson, Otamendi, Tiago, Rafael Marques, Gilberto Silva, Edcarlos.

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Vários zagueiros já tiveram que dar o chutão do Galo, mas na maioria das vezes era Leonardo Silva que subia ao ataque para disputar pelo alto. Em 2013, na campanha da Libertadores, Jô também era uma referência para o “Chutão do Galo”.

O atual treinador, Marcelo Oliveira, comemorou que a jogada funcionou pela primeira vez, mas garantiu que o lance já é incorporado pelos jogadores do Atlético-MG e, contra o Botafogo, só houve a execução perfeita.- Acontece que essa jogada já era do Atlético mesmo, eu via
até quando enfrentava aqui, que acontecia e foi cobrado hoje na
preleção, que no jogo do América-MG aconteceu a mesma coisa, só que o Léo cabeceou
para dentro e não apareceu ninguém.

Os jogadores estava distantes dele. Só distribuímos
o Clayton pela direita, o Cazares e o Fred por dentro para pegar essa segunda bola.

Porque a primeira, quase sempre o Léo vai conseguir buscar. Deu certo hoje.

É uma
forma de dar um cartão de vistas para o adversário, mostrar para torcida que
vamos jogar para cima e pressionar o adversário.”Chutão do Galo” fail 

Mas nem sempre a jogada deu certo.

No último final de semana, inclusive, no clássico contra o América-MG, o Galo tentou o chutão. Na saída de bola do segundo tempo, Fred rolou para trás, Erazo lançou a bola para Leonardo Silva.

Até aí tudo certinho, como manda o manual. O capitão mandou a bola para o meio, mas a defesa do Coelho interceptou, com Suéliton (veja a tentativa no vídeo abaixo).

 Outra tentativa que também quase seu muito errado foi em um dos jogos mais emblemáticos da história do Atlético-MG. Foi na partida contra o Tijuana, pelas quartas de final da Libertadores de 2013.

Isso mesmo, o jogo que deu a Victor o título de santo, por ter defendido o pênalti de Riascos. Mas bem antes do fatídico lance, nos primeiro segundos de jogo, o Galo quase pagou caro pela jogada do chutão, que só viria a funcionar mais de três anos depois.

 Na saída de bola, Tardelli rolou para Ronaldinho, que tocou para trás. Réver foi dar um chutão, mas foi surpreendido pela marcação adiantada do time mexicano.

A bola explodiu nas costas do atacante do Tijuana e sobrou para Riascos, que cortou para o meio e quase abriu o placar no Independência, se não fosse boa intervenção de Victor. Mais de três anos depois, o “Chutão do Galo” finalmente deu certo.

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Fonte: Globo Esporte