Nesta segunda-feira, o Atlético-MG venceu o Coritiba por 2 a 1, no Independência, e chegou à oitava posição do Campeonato Brasileiro, com 23 pontos. Algumas coisas chamaram a atenção na atuação do Galo. Uma delas, por exemplo, é a dificuldade que o time tem de criar jogadas no meio-campo com a ausência de Cazares, que está machucado.

Contra o Coxa, Robinho entrou com a responsabilidade de fazer essa função, mas sofreu para criar chances no meio-campo. Foi decisivo como atacante, que é, de fato, a posição dele.

Lá na frente, marcou dois gols. Na análise após o jogo, Marcelo Oliveira comentou sobre a dependência do time de seu armador titular, admitindo que o melhor momento que a equipe teve até aqui sob seu comando foi com o equatoriano.

– A necessidade nos fez jogar com três atacantes nas linha de três (jogadores na última linha ofensiva antes do centroavante – normalmente formada por um meia e dois pontas). O Carlos é atacante, o Robinho é atacante, e o Maicosuel é atacante.

Não tínhamos um armador. Cometemos um erro: o Robinho estava muito adiantado, grudado no Fred.

A gente não tinha criação na bola que saía do volante para o jogador que iniciava a jogada. Em algum momento melhorou, depois tentamos até com o Pratto, que também não tem essa função.

Esse jogador é sempre importante. O momento melhor nesses dois meses foi quando o Cazares entrou no time e fez essa função.

LEIA MAIS>> Fred pede mais equilíbrio ao Galo, mas celebra: “Valeu a pena pelo resultado”>> Após dois meses fora, Lucas Pratto cita dificuldades e espera se recondicionarOutro ponto de destaque da partida desta segunda foi o trio “PRF” em campo pela primeira vez. Pratto, Robinho e Fred atuaram juntos por pouco mais de 45 minutos.

O desempenho do time com esta formação ofensiva desperta muita curiosidade – e até algumas dúvidas. É possível que joguem juntos sem deixar o time muito exposto? Fred, na saída de campo, disse que sentiu o time ofensivo demais, muito aberto a levar contra-ataques.

Marcelo, em sua análise, emitiu opinião semelhante. O treinador gostou da atuação dos três, mas ressaltou que faltou um equilíbrio na marcação.

– Fiquei satisfeito com a vitória, e agora precisamos criar um equilíbrio. Quando você vai jogar com mais atacantes, eles têm que ajudar na marcação, e você não tem que sair tanto com os volantes, que tem que jogar mais na laterais, porque o Douglas e o Carlos César são muito ofensivos.

Esse equilíbrio faltou em alguns momentos, mas a vitória foi muito importante. Quando não consegue ser brilhante, você precisa ganhar na eficiência.

Confira outros pontos abordados por Marcelo Oliveira na entrevista coletiva:Como avalia o retorno de Lucas Pratto?- Ele fez bons treinamentos, mas a gente sabia que, pelo ritmo e condicionamento, era um jogador para a gente aproveitar em um tempo menor, como meia hora. Ele poderia, com a vontade que está
e a qualidade que tem, nos ajudar nesse período, principalmente no segundo
tempo.

Como faltavam 10 minutos para acabar o primeiro tempo (quando Carlos machucou), consultei, e ele
disse que estava muito bem. Criamos o revezamento entre ele e o Fred na marcação
do volante, porque a gente estava com esse problema na marcação.

Achei que ele fez algumas boas
jogadas da forma que ele sabe fazer, teve uma ou outra dificuldade porque o Coritiba
marca muito bem.Carlos e Clayton jogam melhor quando entram durante as partidas?- Já joguei muito tempo, estive no atlético muito tempo.

É muito difícil jogar aqui, porque é uma grande equipe, a exigência é imensa, a torcida apoia e cobra a todo momento. São dois jogadores de muito potencial técnico, que também ajudam muito na parte tática e que são jovens.

Dá a impressão que quando eles entram durante o jogo, acabam produzindo mais. Cabe ao técnico trabalhar isso para eles terem a confiança de jogar da mesma forma quando começam o jogo.

Tenho certeza que todos os dois vão render muito na medida que puderem jogar tudo o que sabem, iniciando ou entrando na partida. Acomodação não pode haver em nenhum time, mas é importante que quem esteja no banco entre tentando fazer um pouco mais, pelo menos na parte física, porque sabe que vai jogar menos tempo.

O Atlético-MG ainda está jogando em um nível inferior ao das equipes que brigam pelo título?- Está um pouco abaixo. A confiança é grande de que (o time) possa crescer na medida que você tiver todos os jogadores e não tiver que mexer tanto.

O time é como uma engrenagem, e ela precisa estar bem sintonizada. Ter que trocar todo dia o time quebra um pouco o entrosamento.

Tenho certeza que vamos melhorar, e acho também que o adversário valorizou a vitória, porque marcou muito. Marcaram muito os laterais, os volantes.

A consciência é de que a gente pode jogar melhor para chegar no objetivo maior que temos pela frente.Como vencer o líder Palmeiras na próxima rodada?- Temos que entrar no jogo pensando que temos todas as possibilidades de ganhar.

O Palmeiras está muito regular, é muito rápido. Se quisermos disputar o título, embora tenha ainda um longo caminho, é necessário que a gente pontue neste tipo de jogo.

Enfrentar o Palmeiras neste momento é um motivador ainda maior. Esperamos contar com mais atletas voltando essa semana.

Luan já treinou um pouco, Donizete também. Que a gente posa chegar com um time forte capaz de brigar por uma vitória e engrenar no caminho que nos dê a condição de chegar lá na frente.

Quem faz mais falta: Fernando Prass e Gabriel Jesus ao Palmeiras ou Douglas Santos ao Atlético-MG?- Os dois jogadores do Palmeiras são muito importantes. A liderança e a segurança do Prass, e o Jesus para mim talvez seja o melhor jogador do campeonato, tudo que ele faz, faz muito bem.

Temos que estar preparados para conviver com estas situações. A gente espera que não aconteça tanto ao mesmo tempo (desfalques).

O caso do Douglas a gente está preparado, e felizmente o Fábio Santos está treinando muito bem e esperando a oportunidade para suprir a ausência do Douglas.
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Fonte: Globo Esporte