Todo título, além de coroar um bom trabalho, serve também para mascarar ou apagar certos problemas ocorridos ao longo da campanha. Como o futebol não é uma ciência exata, nem sempre o clube que teve a campanha mais regular ao longo da competição dá a volta olímpica. Azar dos que não conseguiram manter o ritmo e segurar a pressão, e sorte e competência daqueles que souberam crescer no momento certo.

Confira abaixo quem sobe e quem desce no futebol brasileiro após as partidas decisivas dos estaduais no último domingo.Contratado do Ceará em 2013, Rafael Vaz teve muitos altos e baixos ao longo de sua passagem pelo Vasco.

Ano passado, o zagueiro ficou de janeiro a junho treinando afastado do elenco, e, por conta do excesso de zagueiros, até foi liberado pela diretoria para acertar com outro clube. Mas permaneceu e soube esperar o momento certo de mostrar o seu valor.

Reintegrado por Celso Roth, ele aproveitou as chances dadas pelo técnico Jorginho após a sua chegada. No Carioca deste ano, além de marcar o gol da vitória sobre o Flamengo, na primeira fase, foi premiado na final com o gol de empate diante do Botafogo, que garantiu o título ao Gigante da Colina.

Após entrar para a história, ele espera renovar o seu contrato, que termina no início de junho, para não sair de São Januário. O atacante Salgueiro foi o sétimo e principal reforço do Botafogo para a temporada.

Contratado até dezembro do Olimpia, do Paraguai, para dar qualidade e experiência ao limitado elenco comandado pelo técnico Ricardo Gomes, o uruguaio ainda não desencantou. A expectativa dos torcedores era a de que ele pudesse repetir o sucesso
do seu compatriota Loco Abreu, principal responsável pela conquista do
Carioca de 2010.

Sem ter marcado um gol nas 12 partidas disputadas com a camisa do Glorioso, ele teve atuação discreta no segundo jogo da decisão contra o Vasco. Aplicado e voluntarioso, Salgueiro até tentou várias jogadas, mas sem sucesso.

Na etapa final, o uruguaio cansou e foi substituído por Luis Henrique.Sabe aquele jogador que parece vinho – quanto mais o tempo passa, melhor fica? É o caso de Ricardo Oliveira, do Santos.

O atacante, de 36 anos, foi o principal responsável pelo bicampeonato paulista do Peixe, ao marcar o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Audax, na Vila Belmiro, pondo fim a um jejum pessoal de 10 jogos sem marcar. Além da habilidade e do faro de artilheiro, ele mostrou fôlego de garoto para arrancar, dar lindo drible no marcador e chutar de bico.

Apesar das dores no joelho, que colocaram em dúvida a sua escalação na final até o aquecimento, Ricardo Oliveira provou mais uma vez que tem estrela em decisões. Não é à toa que foi convocado pelo técnico Dunga para a disputa da Copa América pela Seleção.

Com vínculo até o fim de 2017, a torcida espera que ele não pense em se aposentar tão cedo.  Apesar da alegria pelo bicampeonato paulista, o Santos está bastante preocupado com as suas finanças.

Por conta do imbróglio ainda envolvendo a cobrança de R$ 74,2 milões pela contratação do atacante Leandro Damião, no início de 2014, o Peixe não tem prazo para receber o dinheiro pela conquista do estadual – a Federação Paulista de
Futebol paga R$ 4 milhões ao campeão -, além da renda da última partida – R$ 934 mil. O fundo de
investimentos Doyen conseguiu na Justiça bloquear todos os valores
destinados ao Santos, incluindo até pagamentos feitos pela CBF.

A ação corre em segredo de Justiça no Fórum Cível de São Paulo, e o clube ainda pode recorrer.Após 40 anos, o Internacional conquistou pela terceira vez o hexacampeonato gaúcho.

E um dos grandes nomes deste feito histórico foi o atacante Eduardo Sasha. Ao marcar o primeiro gol da vitória por 3 a 0 sobre o Juventude, ele comemorou arrancando a bandeira de escanteio para dançar uma valsa, gesto que pode ser
interpretado como uma provocação ao arquirrival Grêmio, há 15 anos sem conquistar títulos de expressão – desde a Copa do Brasil de 2001, o Tricolor ganhou quatro estaduais e a Série B de 2005.

O jogador já tinha alfinetado os gremistas no primeiro duelo da final. Na ocasião, quando Andrigo marcou o gol da vitória, ele disse “Aqui não é Grêmio, c.

..

“. Após sofrer com contusões no tornozelo, que o deixaram fora dos gramados durante boa parte da última temporada, Sasha volta a ser uma das principais peças do elenco comandado pelo técnico Argel.

 Se na arquibancada a torcida do Juventude deu um mau exemplo no estádio Beira-Rio ao quebrar e arremessar cadeiras para um setor onde estavam torcedores do Internacional, dentro de campo a atuação da defesa também deixou a desejar. Após derrota na primeira partida da decisão por 1 a 0, no Alfredo Jaconi, o time sofreu novo revés, desta vez por 3 a 0.

O detalhe é que todos os gols do Colorado foram marcados de cabeça. O curioso é que o técnico da equipe de Caxias do Sul é o ex-zagueiro Antônio Carlos Zago, conhecido ao longo da carreira pela sua boa desenvoltura nas jogadas de bola aérea.

Com o seu jeito calmo e tranquilo, bem típico dos mineiros, Givanildo Oliveira, técnico do América-MG, desbancou os favoritos Cruzeiro e Atlético-MG na reta final do Mineiro e conquistou o

14º estadual da sua carreira. De quebra, ainda ajudou o Coelho a ganhar o 16º Mineiro da sua história, quebrando um jejum de 15 anos.

Nem mesmo quando o Coelho ficou ameaçado de não se classificar para a semifinal, o treinador perdeu o equilíbrio. No primeiro jogo da decisão, mostrou que tem estrela ao substituir o atacante Tiago Luis pelo lateral Danilo Barcelos, que acabou marcando os gols da vitória por 2 a 1.

Na finalíssima, ele não se intimidou diante da pressão de quase 48 mil torcedores e cantou de galo no Mineirão, novamente com a ajuda do seu “pé-de-coelho”. Conhecido e questionado desde os tempos de Internacional pelas constantes mexidas na escalação e no esquema tático de suas equipes, o técnico Diego Aguirre, do Atlético-MG, voltou a ser alvo de críticas após perder o estadual para o América-MG.

Mesmo precisando de uma vitória simples para dar a volta olímpica, o Galo não passou de um empate por 1 a 1 diante do Coelho. Além de poupar alguns jogadores, como o zagueiro Leonardo Silva, ele escalou uma equipe até então não testada na temporada, com Carlos César na lateral direita e Marcos Rocha no meio.

Apesar da perda do título do estadual, Aguirre não se arrependeu das alterações e afirmou que não tem de dar explicações sobre quem joga.     

Todo atacante vive de gols.

Talvez por isso, Walter estivesse tão incomodado com o fato de ainda não ter marcado um gol com a camisa do Atlético-PR em 2016. Apesar das críticas de parte da torcida, ele manteve o foco nos treinamentos, o que lhe permitiu adquirir melhor condição física em relação às últimas temporadas.

Para desencantar, nada melhor que uma partida decisiva e na casa do adversário. Afinal de contas, são as grandes finais que separam os homens dos meninos.

Foi o que aconteceu. Após desperdiçar bela oportunidade no início, Walter não vacilou novamente e mandou a bola para a rede após rebote do goleiro Elisson em chute de Ewandro.

Além de tirar um enorme peso das costas, o seu gol abriu caminho para a vitória por 2 a 0 sobre o Coritiba, que confirmou o 23º título estadual da história do Furacão. Após o melhor início de temporada do atacante Kleber nos últimos anos, a torcida do Coritiba tinha a esperança de que a boa fase do artilheiro do Paranaense, com 13 gols, fosse coroada com a conquista do estadual em cima do maior rival.

No entanto, a expectativa se transformou em frustração. Após a derrota por 3 a 0, na Arena da Baixada, o Coxa não conseguiu inverter a desvantagem no Couto Pereira e foi derrotado novamente pelo Furacão.

Mesmo triste com a perda do título e por não ter deixado sua marca na decisão, Kleber teve a frieza necessária para avaliar o desempenho da equipe. Segundo ele, a necessidade de fazer pelo
menos três gols de diferença fez com que a equipe sofresse as
consequências no sistema defensivo.

Dois títulos numa semana não é para qualquer um. Após a Copa do Nordeste, Grafite cravou de vez o seu nome na história do Santa Cruz com a conquista do estadual diante do Sport, na Ilha do Retiro.

O Pernambucano teve um sabor ainda mais especial para o experiente jogador, que pela primeira vez levantou a taça como capitão. Mesmo sem ter marcado nas duas partidas da decisão, Grafite foi peça fundamental ao longo da campanha.

A torcida só espera que toda essa felicidade, com início no acesso para a Série A no fim do ano passado, continue ao longo do Brasileiro. De preferência, é claro, com Grafite na equipe para tentar alçar voos ainda mais altos.

Um dos principais destaques do Sport desde o ano passado, o goleiro Danilo Fernandes está deixando o clube sem conquistar nenhuma taça. O empate por 0 a 0, que garantiu o título estadual ao Santinha, foi a sua despedida do Leão.

O jogador foi contratado pelo Internacional no
início de abril, mas ficou na Ilha do Retiro para a reta final do Campeonato
Pernambucano. Nesta segunda-feira, embarcou para Porto Alegre e já vai assinar com o Colorado.

 Contratado ano passado após um primeiro semestre desastroso – com
eliminações precoces no Campeonato Baiano, Copa do Nordeste e Copa do
Brasil -, o técnico Vagner Mancini conseguiu o acesso para a Série A do
Brasileiro e agora coroa o seu trabalho no Vitória com o título do
Campeonato Baiano. É o segundo estadual conquistado pelo clube com ele
no comando.

O primeiro foi em 2008. Apesar da pressão do Bahia, que
venceu por 1 a 0, o Leão fez valer a vantagem construída no jogo de ida,
quando ganhou por 2 a 0.

Em cinco clássicos contra o maior rival na
atual passagem, o treinador soma quatro vitórias e apenas uma derrota.
Um dos seus méritos ao longo da campanha foi ter utilizado bem as peças
que tinha à disposição quando alguém se machucava ou ficava fora por suspensão.

  Apesar da superioridade do Bahia no segundo jogo da final do Baiano contra o Vitória, Hernane, artilheiro e
principal jogador tricolor na temporada, não marcou novamente. O gol do triunfo foi feito pelo volante Feijão.

O Brocador passou em branco nos dois
jogos decisivos. Mesmo tendo ficado no departamento médico durante a semana que antecedeu o clássico, o atacante mostrou disposição e garantiu que a lesão não comprometeu o seu desempenho.

 

Com passagens de destaque por vários clubes nordestinos, como Sport e Vitória, o atacante Neto Baiano, agora no CRB, mostrou mais vez o seu valor e faro de artilheiro ao marcar o gol da vitória sobre o CSA por 1 a 0, aos 46 minutos do segundo tempo, que garantiu o bicampeonato estadual ao clube. Após a partida, durante a comemoração, o centroavante, que entrou aos 13 minutos da segunda etapa, lembrou das
cobranças sofridas pelo time e ressaltou ter sido sempre artilheiro por onde passou.

   Num domingo que deveria ser de paz e alegria por conta das decisões estaduais, uma briga generalizada na final do Alagoano manchou um pouco a imagem do futebol brasileiro. Assim que o CRB fez o gol da vitória, aos 46 minutos, torcedores
regatianos invadiram o gramado e partiram em direção aos jogadores do
CSA logo após o apito final.

Parte dos azulinos também entrou no campo
de jogo, e o estádio Rei Pelé virou um campo de guerra. Várias pessoas foram
agredidas.

Dois homens foram cercados, cada um a sua vez, espancados e
pisoteados. Cenas realmente lamentáveis.

 
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Fonte: Globo Esporte