Com quase sete meses à frente do cargo de vice-presidente de futebol do Cruzeiro, Bruno Vicintin comemora já ter implantado, em parte, sua filosofia e planos para o profissional do Cruzeiro. Mas ele tem mais e grandes desafios pela frente, junto com o presidente do clube, Gilvan de Pinho Tavares, e os outros dirigentes que estão no comando. Um deles é montar uma equipe forte para o Campeonato Brasileiro, já que o técnico Deivid já avisou que não está satisfeito com o grupo que tem em mãos – mesmo com os bons resultados até agora na temporada, inclusive a vitória no clássico (relembre no vídeo acima) -, e também reequilibrar a saúde financeira do clube, que está se reestruturando.

Temos que esperar, ver como vai funcionar a janela
europeia, o que vai aparecer no mercado. Precisamos de alguns poucos
ajustes para ficarmos ainda mais competitivos.

Temos um grupo hoje
que está mostrando muita união. Temos que valorizar e prestigiar issoO dirigente respondeu a algumas perguntas feitas pelo GloboEsporte.

com e garantiu que o Cruzeiro está atento ao mercado. Segundo ele, o clube confia muito no grupo que tem em mãos, mas que está de olho na janela europeia, no meio do ano.

– Não
tem um número (de contratações). Temos que esperar, ver como vai funcionar a janela
europeia, o que vai aparecer no mercado.

Precisamos de alguns poucos
ajustes para ficarmos ainda mais competitivos. Tudo será conversado.

A
gente já vem conversando semanalmente, avaliando o time rodada a rodada.
Depois do Mineiro vamos avaliar uma coisa ou outra que eventualmente
precisará ser corrigida.

LEIA MAIS>>> Deivid desabafa após vitória: “Não usei nome como jogador para estar aqui>>> Atuação histórica de Fábio está entre as melhores do goleiroNo começo da temporada, o Cruzeiro contratou sete jogadores (Sanchez Miño, Pisano, Romero, Federico Gino, Rafael Silva, Bruno Nazário e Douglas Coutinho), além de muitos do ano passado terem saído. O dirigente concorda com o técnico Deivid e diz é preciso fazer pequenos ajustes.

– Estamos sempre em busca de reforçar o time. Temos um
time formado e precisamos de alguns poucos ajustes.

Temos um grupo hoje
que está mostrando muita união. Temos que valorizar e prestigiar isso.

É
um grupo que está muito concentrado e vem buscando se aprimorar. Além de ter a missão de montar uma equipe competitiva para o Campeonato Brasileiro, Bruno Vicintin tem o desafio de equilibrar a saúde financeira do clube, que, recentemente, atrasou pagamentos da compra de Arrascaeta e Pisano, mas rapidamente sanou as situações.

Outro passo dado foi reduzir a folha salarial para 2016.- Fizemos essa reestruturação até para manter as
condições financeiras.

O planejamento principal, a princípio, era
enxugar o grupo. Tínhamos um número elevado de atletas gerando um custo
alto.

Decidimos apostar mais na qualidade do que na quantidade. Tivemos
que fazer essas mudanças justamente para o clube continuar saneado.

Podemos falar hoje que, financeiramente, já houve uma grande mudança no
Cruzeiro. Estamos conseguindo colocar a casa em ordem.

Temos que
continuar, porque ainda há ajustes para fazer o time ficar ainda mais
forte.Pressão da torcidaBruno Vicintin considera como normal as cobranças em cima do trabalho do técnico Deivid e da diretoria.

Apesar de o Cruzeiro ser o líder invicto do Campeonato Mineiro, a torcida – mesmo com a vitória no clássico sobre o Atlético-MG – considera que o futebol ainda precisa melhorar para a temporada. Entretanto, a diretoria vem tendo o aval do conselho do clube, como conta o dirigente.

– É natural que um clube do tamanho do Cruzeiro seja
cobrado, é o clube com mais títulos no estado, com maior torcida.
Estamos fazendo um trabalho em longo prazo.

A princípio, o plano era
manter o Mano (Menezes). Não foi possível.

Então apostamos em uma manutenção do
trabalho que vinha dando certo no fim do ano passado. O Deivid
participou de todas as reuniões ao lado do Mano para o planejamento de
2016, estava por dentro de tudo, além de ter apoio total do grupo.

Ontem, depois do clássico, eu encontrei por acaso o Alvimar Perrella (ex-presidente do Cruzeiro) em um
restaurante. Ele me deu parabéns, disse que dificilmente um dirigente
tem coragem de apostar em treinadores ou goleiros novos, e tínhamos que
sair da mesmice mesmo.

Eu fiquei feliz com aquele elogio. Mas tenho
consciência que ainda não ganhamos nada e ainda estamos evoluindo.

Os
números, por enquanto, são positivos, mas são os títulos que marcam. Vejo
uma evolução no trabalho nos últimos cinco jogos, com cinco vitórias
seguidas, mas todos dentro do clube ainda esperamos que a evolução
continue.

Bastidores do clássicoPresente no Independência, para o clássico contra o Atlético-MG, no último domingo, Bruno Vicintin contou como estava o clima no vestiário antes e depois da vitória por 1 a 0.- Como
torcedor, fico feliz em ver um capitão igual ao Fábio falando na
preleção da importância do clássico, da camisa do Cruzeiro, de quantos
torcedores estavam nos vendo pela televisão pelo mundo.

Depois do jogo, a
comemoração no vestiário foi enorme, cada jogador que entrava vibrava
muito e era abraçado por todos. A gente valoriza essa vontade de vencer.

Tenho mais liberdade com os garotos da base, o Élber, o Allano, o Alex e
os demais, e posso afirmar aqui que eles sabem a importância que um
clássico tem para o clube, conhecem a grandeza do Cruzeiro e sabem como é
importante dar a vida nesses jogos decisivos. Eles foram acostumados a
ganhar clássicos na base e agora estão se acostumando a ganhá-los no
profissional.

São virtudes que valorizamos no nosso grupo.Balanço da gestãoAnunciado como vice-presidente de futebol do clube em 31 de agosto de 2015, em meio às cobranças no Campeonato Brasileiro (o clube ocupava a 16ª posição do Brasileiro, com 22 pontos em 21 jogos), o dirigente comemora os bons números do Cruzeiro sob sua gestão.

São 18 vitórias, nove empates e três derrotas. Falta ainda o primeiro título, é claro.

– O balanço que faço é
positivo, de um grande aprendizado. Tenho que agradecer ao doutor Gilvan (de Pinho Tavares)
e ao doutor (Francisco, vice-presidente) Lemos pela confiança.

Muitas pessoas pregam uma interação
entre a base e o profissional, mas são dois mundos muito diferentes e é
legal conhecer os dois lados. Quando há algo errado na base, há um tempo
maior para você corrigir.

No profissional, a pressão por resultados te dá 
força a tomar atitudes que, na base, teríamos mais tempo para avaliar se
são certas ou erradas. Mas, certamente, foram sete meses e 30 jogos de
muito aprendizado.

Uma coisa que eu trouxe da minha experiência na base é
que nem tudo está errado nas derrotas e nem tudo está certo nas
vitórias. Temos sempre que ter frieza para analisar em que podemos
melhorar.

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Fonte: Globo Esporte