Objetividade. A palavra simples, de 12 letras, é muito usada no dia a dia na língua portuguesa. No futebol, ela pode ter um significado muito maior.

No futebol moderno muito se valoriza a posse de bola, um time ter a capacidade de dominar o adversário. Nos números, o Cruzeiro demonstra toda sua superioridade no Campeonato Mineiro.

A equipe de Deivid teve maior posse de bola em todos os jogos do Estadual, mas nem sempre isso se refletiu em gols marcados. A Raposa marcou 18 gols em 12 jogos, nove a menos que o Atlético-MG, que tem o melhor ataque da competição.

A dificuldade de transformar a possa de bola em gols ficou clara nos dois últimos jogos – derrota para o América-MG e empate sem gols com o Campinense. São 180 minutos sem balançar as redes.

A verdade é que, em muitos momentos durante estas partidas, o Cruzeiro tocava a bola sem objetividade, alternando os lados do campo e, muitas vezes, trocando passes no campo de defesa. LEIA MAIS>>> Deivid afirma ser julgado por causa da idade: “Cobrança injusta”>>> Treinador não dá pistas de que time entra em campo contra o América-MGQuando enfrenta equipes fechadas, como o Campinense, que jogam com duas linhas defensivas de quatro próximas, o Cruzeiro tem dificuldade de imprimir velocidade e criar jogadas.

Desta forma, acaba girando a bola entre os jogadores em busca de espaço, mas não é incisivo à defesa adversária, muitas vezes voltando a bola para os defensores para começar a jogada desde o início.No primeiro jogo da semifinal do Mineiro, em que o Cruzeiro perdeu por 2 a 0 para o América-MG, a equipe comandada por Deivid teve 64% de posse de bola, contra 36% do rival.

Em contrapartida, o alviverde finalizou mais, foram 10 contra nove. Contra o Campinense, a disputa pela redonda foi mais acirrada, 54% de posse de bola para a Raposa e 46% para a equipe paraibana.

Mas, desta vez, os mineiros finalizaram mais. Foram 11 chutes contra nove.

 Mas aí cabe uma análise. O Cruzeiro chuta pouco de longa distância.

Não é à toa que marcou apenas um gol na temporada de fora da área. Foi em um lance bola parada, uma falta cobrada por Sánchez Miño, na vitória por 2 a 0, sobre o Guarani-MG, no Mineirão (reveja no vídeo abaixo).

  No último jogo, contra o Campinense, fora 11 finalizações. Três de Lucas Romero, três de Elber, duas de Alisson, duas de Rafael Silva e uma de Bruno Rodrigo.

Menos da metade foram chutes de longa distância. O treinador Deivid acredita que os jogadores têm cumprido bem a função de manter a posse de bola.

No entanto, prega que esse domínio tem que ser mais agudo. – Temos conversado, temos que ter a posse de bola aguda.

Tem que ser aguda para agredir o adversário, não adiante ter posse bola à toa. Em alguns momentos nesses dois jogos tivemos posse de bola por ter posse de bola.

Acha que não tem ambição, mas temos ambição. A posse de bola é para induzir o adversário a marcar e abrir mais espaço.

Tivemos essa dificuldade. Estamos cientes do que temos que fazer, que temos que passar para a final, temos que resumir tudo fazendo um grande jogo.

Para chegar à decisão do Campeonato Mineiro, o Cruzeiro precisará de gols. Isso porque o time precisa vencer a partida por mais de um gol de diferença para evitar que, pelo segundo ano consecutivo, não seja um dos finalistas do Estadual.

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Fonte: Globo Esporte