Penúltimo colocado no Campeonato Brasileiro com 15 pontos, o Cruzeiro vivencia uma situação delicada na temporada e vem repetindo o mesmo insucesso que teve em boa parte do último ano, quando também esteve ameaçado de rebaixamento durante parte da competição. Daquela vez, o salvador foi Mano Menezes, o mesmo antídoto contratado pela diretoria agora para tentar livrar o time, pelo segundo ano consecutivo, do descenso. Ele será apresentado nesta quarta-feira e já começa a trabalhar, tendo como objetivo principal tirar a equipe mineira das últimas posições da tabela.

Além da dança das cadeiras constante no comando técnico (cinco mudanças em 13 meses), em que Mano fez parte, a diretoria viu a maioria das contratações de jogadores não dar certo desde o começo do ano passado.Esses insucessos e imprevistos fizeram o clube ter que agir no mercado e gastar mais dinheiro ainda para contornar a situação.

Nesta temporada, por exemplo, foram 17 contratações, mas apenas Lucas Romero pode ser considerado um sucesso até agora. O jogador chegou e garantiu vaga no time de Deivid e foi mantido na equipe de Paulo Bento.

Lucas foi titular em boa parte do tempo que esteve aqui na Toca, mas ainda não conseguiu render o esperado. Nessa avaliação, foram retirados aqueles contratados recentemente na janela
internacional: Edimar, Ezequiel, Denilson, Rafinha, Rafael Sobis e Ramón
Ábila, todos com pouco tempo no clube.

LEIA MAIS>>> Cruzeiro revela ter negociações adiantadas para vender Riascos>>> Willian admite dificuldade do grupo para entender filosofia de Bento>>> Diretoria do Cruzeiro admite erros na atual temporadaOs demais que chegaram à Toca, este ano, ainda não conseguiram se firmar. Sanchez Miño até rescindiu com o clube e acertou o retorno à Argentina.

Com pouco espaço na era Paulo Bento, Rafael Silva foi emprestado ao Figueirense. Outros atletas pouco atuaram, como é o caso do meia Bruno Nazário, com apenas três partidas disputadas até agora pelo Cruzeiro.

Principalmente quando o
clube vive um mau momento, parte da imprensa e da torcida olha o que não
funcionou bem. Por outro lado, vejo que o Cruzeiro produziu coisas
boas, como a vinda do Romero.

O Cruzeiro não
tinha como fazer grandes investimentos com recursos próprios do clube. O
mercado sofreu muitas mudanças.

É um momento de reorganização em todos
os aspectosArgumentado sobre o (in)sucesso das contratações em 2016, o diretor de futebol do Cruzeiro, Thiago Scuro, disse que o clube teve que se adequar à nova realidade.- Principalmente quando o
clube vive um mau momento, parte da imprensa e da torcida olha o que não
funcionou bem.

Por outro lado, vejo que o Cruzeiro produziu coisas
boas, como a vinda do Romero. O Cruzeiro não
tinha como fazer grandes investimentos com recursos próprios do clube.

O
mercado sofreu muitas mudanças. É um momento de reorganização em todos
os aspectos.

Mas para quem fica de fora parece que é só o jogo. O que é
fundamental, claro.

Um clube como o Cruzeiro
vive de conquistas. E a situação atual não é a que queríamos.

Não é
momento de discutir caso a caso das contratações, temos que é proteger o
trabalho dos atletas e da comissão técnica. E que a torcida volte a
maior número ao estádio para alcançarmos bons resultados.

 Nesta temporada, o clube fez praticamente o mesmo número de contratações no ano passado. Em 2015 foram 18, mas só Arrascaeta e Ariel Cabral permaneceram.

Os outros 16 contratados não estão mais em Belo Horizonte. Sem contar aqueles que serviram de moeda de troca, praticamente só o atacante Marinho deu retorno aos cofres da Raposa, já que o clube vendeu um percentual dos direitos do atleta ao Vitória.

Scuro garante que as contratações são feitas de maneira minuciosa e que todos que chegam precisam ter tempo, o que na prática não aconteceu.
– Contratação por melhores
momentos não existe mais nos clubes grandes do futebol maior.

A gente
vê jogos completos e pega informações, faz observações, gerando
relatórios. A contratação parte da necessidade do
elenco aliado à comissão técnica.

É importante que a forma de jogar e
tempo no clube impactam muito. O Arrascaeta, por exemplo, precisou de um
tempo maior para se adaptar ao futebol brasileiro.

No ano passado foi
questionado e, neste ano, é um dos principais atletas
do Cruzeiro.Scuro afirma que as investidas realizadas nesta temporada são pensadas a longo prazo, mas que o resultado em um curto tempo influenciam, e muito, essa manutenção da política.

– Reduzimos no final do
ano por exigência de orçamento. Tínhamos investimento alto na folha.

Não
é justificativa pelo que o clube está vivendo hoje. Não era isso que o
Cruzeiro merecia pelo trabalho que está sendo
feito.

Em cinco, seis meses geramos investimentos já previstos. Com
exceção do Denilson, que veio por empréstimo com possibilidade de
continuar, todas as outras tem três, quatro, cinco temporadas no
Cruzeiro.

Não é trabalho para 2016. É para os próximos anos
e assim trazer menos pessoas.

Mas para ter médio e longo prazo
precisamos do curto prazo também. É a 13ª temporada em que estou no
futebol e nunca vi algo parecida.

Ninguém daqui dentro nem eu estamos
acostumados a viver essa situação.Dança das cadeiras dos técnicosDesde o começo de junho do ano passado, já foram cinco mudanças no comando.

Após o insucesso na Libertadores e no início do Brasileiro, Marcelo Oliveira deixou o clube, após o bicampeonato brasileiro e o título do Campeonato Mineiro. Vanderlei Luxemburgo assumiu logo em seguida, mas seu trabalho não rendeu o esperado, e sua saída foi anunciada no fim de agosto.

Só com a chegada de Mano Menezes é que o Cruzeiro se reabilitou no campeonato nacional e até chegou a sonhar com Libertadores.Com proposta milionária da China, Mano não permaneceu para 2016, e o Cruzeiro apostou no jovem Deivid.

O treinador não resistiu à pressão pela eliminação nas semifinais do Campeonato Mineiro e pelo futebol que não agradava. Depois de quase três semanas sendo treinado pelo interino Geraldo Delamore, o clube acertou com Paulo Bento, que também teve aproveitamento bem abaixo da expectativa, e deixou o Cruzeiro na última segunda-feira.

Depois de pouco mais de seis meses fora, Mano Menezes volta a Belo Horizonte e irá encontrar novamente este cenário.Contratações na era Gilvan
Desde que assumiu o comando do clube no começo de 2012, Gilvan de Pinho Tavares, e toda a diretoria que vem trabalhando ao longo desse tempo, contrataram 85 jogadores para o profissional.

Antes dessa temporada, haviam sido 68, sendo que apenas sete permanecem até hoje na Raposa: Dedé, Bruno Rodrigo, Henrique e Willian (vindos em 2013), Manoel (2014), além de Arrascaeta e Ariel Cabral (2015). Também permanecem atletas contratados para os juniores e que subiram para o profissional, como os meias Marcos Vinícius e Alex.

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Fonte: Globo Esporte