Nonato não era apenas o lateral esquerdo do Cruzeiro campeão da Copa do
Brasil de 1996. Era muito mais que isso. O potiguar de Mossoró era a
alma daquele time.

Líder, cérebro e referência em campo nos momentos em
que a situação se complicava, ele não fugia da responsabilidade de
comandar a equipe em campo. A partida final, diante do Palmeiras,
dentro do Parque Antárctica, foi mais uma página heroica e imortal
escrita pela Raposa (relembre no vídeo abaixo).

Com a assinatura de Nonato. Depois de empatar a primeira partida da final por 1 a 1, o Cruzeiro
tinha que vencer em São Paulo ou empatar por mais de um gol para levar o bicampeonato.

O
problema é que o Palmeiras tinha uma verdadeira seleção: Rivaldo, Cafu,
Djalminha, Luizão e Júnior, entre outros, eram comandados por Vanderlei
Luxemburgo e tinham vencido o Campeonato Paulista com sobras, tendo
marcado mais de 100 gols na campanha.O Cruzeiro chegou
desacreditado em São Paulo para a finalíssima, mas, com muita
organização tática e, sobretudo, espírito de luta dos jogadores, saiu de
campo com a vitória por 2 a 1, que valeu o bicampeonato da Copa do
Brasil.

No próximo domingo, dia 19, a conquista completa 20 anos, e o Globoesporte.com preparou uma série de matérias, com os personagens daquela história.

LEIA MAIS SOBRE A SÉRIE DE REPORTAGENS>>> Como eram o Brasil e o mundo em 1996>>> Como estão os 21 jogadores que participaram da campanha da Copa do Brasil de 1996>>> Marcelo Ramos celebra gol do título “mais marcante” do CruzeiroNa quarta parte do especial, conversamos com o capitão Nonato,
responsável por levantar o troféu na noite de 19 de junho de 1996.
Potiguar de Mossoró, ele foi revelado nas categorias de base do
Baraúnas-RN, passou por ABC-RN e Pouso Alegre-MG, antes de chegar ao
Cruzeiro, em 1990.

Ficou oito anos na Toca da Raposa II e é considerado
por muitos o maior lateral esquerdo da história do clube. Nonato
disputou 393 jogos com a camisa azul e marcou 23 gols.

Confira um bate-papo com o ex-jogador cruzeirense:GloboEsporte.com: Quando o Cruzeiro chegou em São Paulo para
o segundo jogo da final, você realmente acreditava que era possível
vencer o Palmeiras e ficar com o título?Nonato: Na
realidade, a gente tinha que acreditar.

Mas que era difícil, era. O
Palmeiras era uma seleção.

A gente sabia que ia ser difícil, mas a gente
tinha que se superar. Foi uma noite inesquecível.

O Dida pegou tudo. Se
repetisse aquele jogo 10 vezes, acho que o Palmeiras ganharia nove.


que nós conseguimos ganhar na noite mais importante.GloboEsporte.

com: O
Cruzeiro levou o gol com cinco minutos de jogo. Você e o volante
Fabinho conversaram muito para acalmar o time.

Qual foi sua importância
nesse momento de colocar os nervos no lugar?Nonato: Falar de você mesmo é difícil. A minha participação começou bem
antes.

Foi na palestra. O Levir (Culpi, técnico do Cruzeiro) acabou a
preleção dele, e o Zezé (Perrella, presidente) falou também.

Depois foi
minha vez de falar. Fui perguntando a todos jogadores, um por um.

Dida,
você se acha pior que o Velloso? Não. E fui assim em todos.

Então, falei
que só dependia da gente. Logo com cinco minutos tomamos o gol.

Aí que
foi mais importante ainda minha participação, pelo fato de estar em
campo. Eu pedi calma para os jogadores porque não estava nada acabado.

Bastava a gente fazer um gol para levar a decisão para os pênaltis. Logo
em seguida, conseguimos empatar.

Mantivemos a calma e a tranquilidade. O
Palmeiras teve inúmeras chances e não conseguir marcar.

Minha
participação valeu de novo depois do segundo gol. Eu nunca fui a favor
de dar chutão quando você está ganhando, prefiro ter a posse de bola
porque você não sofre atrás.

Eu ficava desesperado mandando os caras
tocar em mim. Eu devolvia no Célio Lúcio, no Fabinho, no Roberto Gaúcho, e
o time deles fazendo falta.

Essa parte foi fundamental.Se
repetisse aquele jogo 10 vezes, acho que o Palmeiras ganharia nove.


que nós conseguimos ganhar na noite mais importante GloboEsporte.com: Qual a principal qualidade do time de 1996?Nonato: Sem dúvida nenhuma foi a união do elenco, que era muito boa.

Vieram os
jogadores do São Paulo, e a gente fez um grupo muito bom em termos de
amizade também. Não tinha briga.

Terça e sábado tinha rachão. Era o meu
time contra o time dos paulistas.

Os caras que vieram de São Paulo não
jogavam no meu time. Mas era tudo numa boa, criamos uma amizade muito
grande.

Tinha revezamento no time. O Gilmar não podia jogar a Copa do
Brasil, porque já tinha jogado pelo São Paulo, então jogavam Célio Lúcio e
Gelson Baresi.

Foi criada uma união muito grande aquele ano.GloboEsporte.

com: Até os dias de hoje, você é um dos maiores
ídolos da torcida do Cruzeiro, mesmo já tendo parado de jogar. O que
significa isso na sua vida?Nonato: Sempre quando sou
convidado a ir à Toca da Raposa II para conversar com os jogadores,
deixo uma coisa clara para eles.

Dinheiro, a gente pode ganhar, mas ele
pode acabar. Uma coisa que não acaba nunca é o prestígio de uma
conquista.

Pode passar o tempo que for que sempre vão lembrar da Copa do
Brasil e da Libertadores que ganhamos. Sem dúvida nenhuma, esse título é tudo.

Eu saí do Cruzeiro em 1998, e onde eu vou sou
reconhecido. Os torcedores pedem para tirar foto.

Não há dinheiro no
mundo que pague isso.GloboEsporte.

com: Você ainda tem contato com os jogadores campeões da Copa do Brasil de 1996?Nonato: Na realidade, tenho contato com quase todo mundo. Sempre que eles
precisam de alguma coisa aqui em Belo Horizonte, eles me procuram.

Semana passada, conversei com o Palhinha, que está lá em Boston, nos
Estados Unidos. O Marcelo Ramos, sempre que vem aqui, fala comigo.

O
Roberto Gaúcho também. Meu relacionamento com todos é muito bom.

Pelo
fato de eu morar em Belo Horizonte, a facilidade é maior. O Cleisson
mora em Fortaleza e sempre me liga.

Quando vem aqui, a gente se
encontra. É uma amizade que passou para o lado de fora dos gramados.

.

Fonte: Globo Esporte