FUTEVÔLEI: DESCONTRAÇÃO E “TÍTULO”Após conquista da Supercopa em 2015, logo na primeira temporada nos Emirados Árabes, Éverton Ribeiro segue o processo de evolução longe do Brasil e se aproxima de uma nova conquista. A três rodadas do fim, o Al Ahli, de Dubai, lidera com seis pontos de vantagem a liga nacional, com grandes de chances de confirmar o favoritismo. Assim como a equipe, o brasileiro ganha destaque e comemora a boa fase individual.

 Em entrevista por telefone ao GloboEsporte.com, Éverton destaca a trajetória na temporada, relembra final histórica da Champions da Ásia – que acabou sendo vencida pelo Al Wahda, de Valdívia – e exalta os resultados na liga.

 – É um
momento muito bom, não só meu, mas o que a equipe inteira está passando. Nos
entrosamos e fomos nos conhecendo cada vez melhor um ao outro.

Conseguimos
chegar na final da Champions da Ásia, que foi um feito inédito, e estamos muito
perto do título da liga. Estou muito feliz, conseguindo ajudar a equipe com
gols, assistências.

Fico feliz por estar podendo continuar fazendo meu trabalho
bem feito e ver que está dando resultado. O meia foi apresentado na equipe em fevereiro de 2015.

Desde então, muitos jogadores acertaram a transferência para o mundo árabe. Segundo Éverton Ribeiro, a situação deixou a competição ainda mais competitiva.

 – Desde a
minha chegada vi que vieram mais jogadores de qualidade para cá, como Nilmar,
Caio, o Tagliabúe, um argentino que está fazendo muitos gols, Valdívia,
Denílson..

. São muitos jogadores que deixaram a liga mais forte, isso é bom,
tanto para mim, que me mantenho em alto nível, quanto para a competição que vai
se fortalecendo.

 Adaptado e com boas atuações dentro de campo, o jogador rapidamente ganhou a torcida do Al Ahli. O próprio Éverton admite a mudança no comportamento dos torcedores, que passaram a apoiar a equipe em maior número na temporada.

  Não dá para esquecer, né (risos)? Foram dois anos incríveis, a torcida do Cruzeiro me acolheu muito bem.”- Quando eu
cheguei aqui a torcida já comparecia, mas não o tanto de pessoas que comparecem
hoje.

A fase que a equipe vem vivendo também ajuda muito. Hoje eles comparecem
em peso, quase todos os jogos são com muitos torcedores, então fico feliz do
trabalho estar sendo reconhecido.

A torcida até está me homenageando,
celebrando comigo uma vitória importantíssima na temporada. Mesmo com o carinho dos árabes, a cabeça e o coração do brasileiro por vezes se encontram em Minas Gerais.

Os dois anos de Cruzeiro marcaram a carreira de Éverton Ribeiro, que revela que a torcida da equipe mineira é inesquecível. – Não dá para esquecer, né (risos)? Foram dois anos incríveis, a torcida do Cruzeiro me
acolheu muito bem.

Sempre que eu precisei eles me apoiaram. Atualmente digo só
que ganhei mais uma torcida.

 01FUTEVÔLEI: DESCONTRAÇÃO E “TÍTULO”Não são muitos os dias livres nos Emirados, mas quando a acha espaço na agenda, Éverton Ribeiro aproveita para curtir a família e confraternizar com os brasileiros que moram em Dubai. Atualmente, a atividade preferida é o futevôlei.

De acordo o meia, a mesma qualidade nos gramados é refletida na areia, para delírio de Ciel, companheiro de clube, que acabou perdendo o “título” do torneio organizado para o empresário Pierre Fernandes, que fez dupla com o ex-jogador do Cruzeiro.- Sempre que
tem um tempinho a gente brinca.

O Ciel fica bravo quando ele perde (risos). A
gente jogou na casa dele, fizemos um torneio, é bacana.

Tem muitos brasileiros
aqui, a maioria gosta de jogar futevôlei. Sempre que dá para reunir o pessoal a
gente faz, vem brasileiros de outras equipes, até mesmo sem ser jogador,
empresários, comissários de bordo.

É bom para conversar, descontrair. Eu dei
trabalho para eles lá (risos).

Brincamos no torneio, e fui campeão ao lado do
Pierre. A convivência com Ciel e Lima, os dois brasileiros do elenco do Al Ahli, e com o preparador Leandro é um dos fatores que auxiliam na adaptação e facilita a vida longe de casa.

Com elogios aos colegas, Éverton revela que os encontros são frequentes. – O Leandro
ajuda muito na parte de comunicação, quando a gente não entende o que as
pessoas falam e também na parte física, na prevenção de contusões, ajuda
bastante.

Dentro de campo, é fácil jogar com Ciel e o Lima, são jogadores que
deram certo no futebol, têm qualidade. Fora de campo também, sempre que a gente
pode nos reunimos, isso ajuda muito na convivência.

 Confira outros trechos da entrevista de Éverton Ribeiro:GLOBOESPORTE.COM: É sua segunda temporada nos Emirados.

Muita coisa mudou no seu estilo de jogo?ÉVERTON RIBEIRO: Meu jogo
continua o mesmo, creio que eu não mudei muito. Acho que aprimorei mais a parte
tática.

Aqui a gente precisa bastante, o treinador é romeno, cobra muito isso.
Mas tenho tentado jogar criando oportunidades para a equipe vencer os jogos.

 A liga já está encaminhada, mas na Copa do Presidente estão nas quartas e pegam o time do Zé Love, o Al-Shaab, que já está rebaixado. É um jogo perigoso?Com certeza.

 No ano passado pegamos um time que não vinha bem na liga e nos deram muito
trabalho na Copa, por ser um jogo só. Tem que ter muita atenção, o ataque deles
é muito forte, tem os brasileiros, não podemos dar bobeira.

É entrar focado
para classificar. Quais são seus planos: permanecer por aí, voltar para o Brasil, buscar um novo mercado?- Ainda tenho
mais dois anos e meio de contrato.

Estou muito bem aqui, cada vez mais
adaptado, a equipe me dá uma estrutura muito bom de trabalho. Para minha
família também é bom morar aqui.

Estou feliz, a primeira coisa é concentrar nos
campeonatos e tentar conquistar os dois títulos para fechar mais um ano de
trabalho da melhor maneira possível. Depois é descansar e curtir a vida.

 Você acabou perdendo espaço com o Dunga. Você concorda com quem diz que você abriu mão de defender a seleção brasileira?- Foi uma
escolha que eu fiz de estar vindo para os Emirados.

Sabia que poderia ficar
mais distante (da Seleção), é mais difícil de ser convocado. Mas é como falo,
tenho que continuar fazendo meu melhor.

Quando fui chamado pela última vez a
própria comissão me falou que tem que estar sempre em alto nível, preparado
para quando pintar a oportunidade, entrar e corresponder. É o que faço,
trabalho muito e estou à disposição da Seleção.

Não abri mão da Seleção. Pintou
uma oportunidade na minha carreira de jogar fora do Brasil e optei por escolher
esse caminho.

Mesmo com essa opção continuo pensando em Seleção, ajudar sempre
que eu puder. Me mantenho no meu melhor nível e estou preparado.

 
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Fonte: Globo Esporte