Após a derrota para o Fluminense e o polêmico episódio de Riascos, o clima de tensão pairava no ar para o reencontro do Cruzeiro com sua torcida. O pior mandante do Brasileiro vinha recebendo sonoras vaias dentro do Gigante da Pampulha, a maioria deles, direcionadas a Paulo Bento. As críticas ao treinador português continuaram, principalmente, depois que ele foi expulso.

Mas, por uma noite, a arquibancada fez as pazes com os jogadores do Cruzeiro, e o apoio intermitente foi fundamental para empurrar o time para as oitavas de final da Copa do Brasil, após o triunfo 2 a 1 sobre o Vitória, no Mineirão. O público pagante foi de 10.

775.Na hora da substituição de Gino por Ariel Cabral, o jogador do Sport apressou a saída do argentino.

Paulo Bento deixou área técnica para reclamar e acabou expulso pelo árbitro. O português lamentou muito, mas na saída para o túnel foi muito vaiado e xingado pela parte da torcida que fica próxima à saída para o vestiário, com gritos pedindo a saída do treinador.

– Fora Paulo Bento! Fora Paulo Bento! – gritaram alguns mais exaltados, obrigando os seguranças do estádio a fechar o toldo que protege a saída para livrar o treinador dos insultos. Outro ponto curioso ao final da partida foram as pazes entre os mesmos torcedores que criticaram Paulo Bento e o zagueiro Bruno Rodrigo.

Um dos mais criticados nos últimos jogos, o defensor, que entrou no lugar de Bruno Ramires, deu sua camisa para os torcedores que brincaram com o jogador, dizendo que ele estava perdoado. Na hora que a escalação do Cruzeiro foi anunciada no telão,
deu para ter uma noção da insatisfação do torcedores com determinadas peças dos
time.

O mais vaiado foi o treinador Paulo Bento, que quando teve seu rosto
exibido no telão, recebeu sonoras criticas. Entre os jogadores, apenas Bruno
Ramires foi vaiado com força.

Léo foi muito aplaudido, mostrando que a torcida
pedia uma mudança na zaga. Henrique e Arrascaeta também receberam muitos
aplausos.

Apoio da torcidaO jogo começou e, apesar do claro descontentamento, com um
apoio incondicional da torcida. Os primeiros nove minutos foram de
intermitentes, com os cruzeirenses não parando de cantar um só minuto.

Só pararam para lamentar o chute perigoso de Edimar, de fora da
área. A empolgação inicial do início do jogo passou, mas a torcida
continuava reagindo ao domínio do Cruzeiro no primeiro tempo.

O destino, muitas
vezes, provoca algumas ironias e, no Mineirão, ele se mostrou em dobro. Bruno
Ramires surgiu nas costas da zaga do Vitória, para abrir o placar.

E foi
comemorar justo com quem? Paulo Bento. Os dois mais vaiados antes do jogo foram
protagonistas do primeiro gol do Cruzeiro.

 Na comemoração do primeiro gol com a camisa
do Cruzeiro, nada de pedir silêncio para a torcida. O jovem volante exaltou e
comemorou junto com os cruzeirenses.

No segundo tempo, as vaias foram só para os ex-cruzeirenses
que jogam no time do Vitória. A cada passe errado ou jogada que não dava em
nada, Marinho era muito vaiado pelos torcedores no Mineirão.

E bastaram dois
minutos, para que as arquibancadas explodissem novamente, mais um gol inédito.
Desta vez do argentino Ábila, que fez o seu primeiro, de canhota, com a camisa
estrela.

A torcida gritou muito e, talvez pela novidade, e pelo primeiro jogo
do centroavante no Mineirão, não soube direito fazer um grito para homenagear o
camisa 50. A relação entre a torcida e o time era surpreendente.

Lembrava, em alguns momentos, o entrosamento que foi marca do Cruzeiro de 2013
e 2014. As mágoas recentes foram deixadas de lado, e os cruzeirenses na
arquibancada vibraram muito com uma bola tirada por Bruno Ramires no meio de
campo.

O volante isolou a bola e levou os torcedores ao delírio.

Aí veio o momento de tensão.

Pênalti para o vitória, as vaias foram todas para
o juiz, já que a torcida não concordava com a marcação. Poderia ser o terceiro
gol de penalidade de Diego Renan, no terceiro jogo contra o rubro-negro baiano
na temporada.

Mas Fábio impediu, e a defesa foi comemorada como um gol, seguido
pelo tradicional grito para o capitão celeste, dizendo que o camisa 1 é o
melhor goleiro do Brasil.

Mas logo depois, o Vitória diminui, com Marinho e, apesar do
choque, a torcida logo reagiu e voltou a apoiar o time.

A expulsão de Paulo Bento provocou a ira de alguns torcedores, que estavam atrás do banco do Cruzeiro. Mas, de uma maneira geral, os cruzeirenses não criticaram as substituições.

Muitos brincaram que, desta vez, não havia Allano para entrar no jogo, já que este foi emprestado ao Bahia e era muito criticado pelos torcedores. No final do jogo, as duas bolas na trave – de Ábila e Rafinha – acenderam de vez os torcedores que fizeram a festa com a pressão do Cruzeiro.

O resultado terminou mesmo em 2 a 1, e ao fim da partida, os torcedores cantaram o hino do clube, a plenos pulmões, como um grito de esperança para a temporada irregular da Raposa. 
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Fonte: Globo Esporte