O empate por 2 a 2 entre Cruzeiro e Coritiba, na tarde deste domingo, no Independência (confira os lances no vídeo acima), veio em um jogo movimentadíssimo. Gol relâmpago da Raposa no primeiro tempo, virada do Coxa, mais um gol celeste nos primeiros minutos da segunda etapa, muita pressão e chances de gol. O resultado final, porém, não foi nada bom para o time de Mano Menezes, que permanece no Z-4 do Brasileirão, com apenas 20 pontos.

Justamente por isso, o treinador definiu o empate como “frustrante”, apesar de manter a tranquilidade e apontar, com clareza, aquilo que o time falhou em campo.- Frustrante.

Essas são as boas oportunidades
para embalar a equipe, que dão a confiança que você precisa aumentar nessa
hora. Mas nós vamos fazer essa saída logo logo.

No primeiro tempo, a gente não conseguiu
fazer um jogo tão equilibrado como poderia por
erros nossos de posicionamento. Temos que diminuir os gols sofridos, o que é o
problema na minha opinião, porque uma equipe não pode sempre tomar dois gols, ou às vezes até mais.

Não sofrer primeiro e assegurar o resultado. O importante
é vencer, não é jogar brilhantemente nesse momento.

 Eu não pretendo mudar muito, pretendo fazer pequenos
ajustes para que a gente tenha um resultado melhor. Acho que a gente poderia ter
saído com a vitória hoje, seria mais justo.

Produzimos no segundo tempo para
empatar e virar. Não vamos deixar acontecer o que aconteceu.

O adversário
empatar e virar. Nós tínhamos uma boa vantagem, tem que saber aproveitar essa
situação que o jogo oferece.

Tem que ser maduro pra isso. É o
que eu quero.

O resultado foi muito pior para o Cruzeiro do que para o Coritiba. A equipe paranaense, com o ponto ganho, segue fora da zona de rebaixamento, e o Cruzeiro continua na 18ª posição.

Por isso, Mano disse que o resultado é mais sentido pelo time, que precisa sair logo da situação incômoda.O importante é vencer, não é jogar brilhantemente neste momento.

Eu não pretendo mudar muito, pretendo fazer pequenos ajustes para que a gente tenha um resultado melhor.- Estes resultados, embora a gente não goste, vão fazer
parte de uma campanha.

Todo mundo, às vezes, empata um jogo em casa. É que no
momento que o Cruzeiro está, custam mais esses pontos que a gente deixa escapar.

Nesse momento tem que ter equilíbrio para pontuar em casa e fora de casa. Quando
você não consegue fazer em casa, tem que buscar fora o que você deixou escapar.

Acredito que a equipe está madura o suficiente e produzindo um futebol capaz de
pontuar fora de casa, como fizemos contra o Corinthians. É isso que passei para
os jogadores, tranquilidade para que eles saibam conviver com esses resultados
que não são tão gostosos, porque vitória é o que a gente quer dentro de casa.

Mas não
tem nada de mais grave, que a gente não possa resolver.Confira outros pontos abordados por Mano Menezes na entrevista coletiva:O que deu errado?- Não é uma questão de vontade.

A gente saiu bem, fez um gol cedo, mas não
conseguimos encaixar bem para neutralizar um volume de jogo que o Coritiba
passou a ter pelo lado direito da nossa defesa, esquerdo do ataque deles. Ficamos
distantes, Rafinha ficou muito aberto pela direita, e o time ficou com pouca
armação.

O adversário se aproveitou, teve a felicidade de fazer dois gols de
bola parada, porque não chegava com frequência em termos de criação. Mas é gol,
a gente faz e sofre gols de bola parada.

No intervalo a gente fez essas
correções. Perdemos o Fábio, foi a primeira alteração.

Era mais necessário você
mexer no posicionamento da equipe. Trouxemos o Rafinha para dentro do campo,
empurramos o Ezequiel mais para frente.

Empurramos o adversário para trás,
criamos, marcamos cedo o gol de empate e criamos chances suficientes para virar
o jogo ao meu ver. Mas as vezes você não vira.

Com apenas um volante, o time ficou desprotegido?- Quantos chutes a gol o Coritiba deu no jogo? A gente não
teve vulnerável. Se tivessem tido um volume de jogo e
chegado muito pelo centro, criado um número grande de chances, ia dizer que
ficamos vulneráveis, mas não foi o que aconteceu.

O adversário jogou com bola longa
o tempo inteiro. Quando a gente deu algum
espaço, foi porque tinha que arriscar para virar o jogo.

Não tem sentido
terminar um jogo em casa com o resultado de 2 a 2 sem ter se arriscado. A equipe se arriscou, e às vezes, assim, você dá espaço.

No
segundo tempo, acho que o Lucas (França) fez uma defesa numa cobrança de falta, uma ou
outra em bolas lançadas na área. Foi o que o Coritiba conseguiu criar.

Mau desempenho em casa- Eu não posso olhar para trás porque eu não estava aqui e não
vou responder por questões que não dizem respeito a mim. Vou falar do Cruzeiro
que eu estou dirigindo.

Foram dois jogos em casa e temos quatro pontos. É isso
que vai contar, é o turno que vamos fazer, que é o segundo.

Tenho certeza que a
equipe vai apresentar os resultados que a gente precisa.Atuação de Ezequiel- É bastante difícil entrar nessa hora dos jogos como
entrou ele e o Lucas (França).

O que eu quero dar é
tranquilidade para que eles possam entrar e render bem. Foi bem, teve
iniciativa, chegou pelo lado com qualidade.

Sofreu um pouco no primeiro tempo
no setor dele porque ali estavam posicionados mais jogadores do Coritiba, como o Neto Berola e outros jogadores, buscando a criação das jogadas. Quando a
gente foi mais agressivo, ele cresceu no jogo, chegou à frente no segundo tempo.

É o
estágio natural. Jogadores chegam, vêm de outros clubes, de uma estrutura
menor, outra categoria de disputa.

Tem que ter paciência para o jogador ficar no
nível do Cruzeiro. Não pode desistir com facilidade, senão vai ter que fazer
isso com outro.

É bom ir com calma, e a resposta tem sido boa nesse aspecto.Jogos decisivos pela frente e ajustes na equipe- Os jogos vão ter uma carga decisiva bastante grande,
temos que ter maturidade para conviver com eles.

Precisa de experiência, saber se
comportar no jogo, precisa se impor. Se não tecnicamente, de outra maneira.

Saber
encarar situações que um jogo desse apresenta. É o que estou tentando passar para
eles.

Coisas simples do futebol, mas coisas importantes. Coisas que vão acontecer
dentro do jogo, que a gente não pode deixar que seja contra (o time) em determinado momento.

Também aproveitar as situações a favor. Eu treino, cobro posicionamento e gosto que
as coisas funcionem lá dentro.

Não gosto de tomar o gol de empate que tomamos,
por exemplo. Trabalhamos para isso.

A gente sabe que aquele jogador que raspou a
bola não pode chegar sozinho na frente do jogador nosso. Aquela bola raspada é
praticamente fatal.

Temos que nos dedicar e concentrar o tempo inteiro. São em
detalhes como esses que os jogos se resolvem.

A gente pode fazer bem e fazer
melhor.Instabilidade emocional ou falhas táticas?- Não teve instabilidade emocional.

Todos os problemas que
tivemos no primeiro tempo foram táticos. Senão teríamos ficado muito mais
nervosos quando Fábio saiu.

Ele é uma liderança, capitão da equipe. A equipe,
no segundo tempo, respondeu bem quando o Lucas entrou.

A situação não tem nada
a ver com isso. As dificuldades que tivemos foram táticas, tanto que foram
corrigidas com os mesmos jogadores para o segundo tempo.

Agora, Mano Menezes tem uma semana inteira para trabalhar o time. O Cruzeiro volta a entrar em campo no próximo domingo, contra o Figueirense, no Orlando Scarpelli, às 18h30 (de Brasília).

O time catarinense também briga para fugir do Z-4. No momento, é o 17º colocado, com 21 pontos, um a mais que o Cruzeiro.

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Fonte: Globo Esporte