Finalmente, a vitória veio. Nesta quinta-feira, a bola do Cruzeiro entrou, e o bom resultado voltou a aparecer depois de seis jogos. E não foi uma vitória qualquer.

Mostrando evolução, marcando bem e concluindo com precisão, o time de Mano Menezes venceu o Internacional por 4 a 2, com show de Rafael Sobis, e respirou no Brasileirão (confira os gols do jogo no vídeo acima). Apesar de sair atrás no placar – sofreu um gol aos dois minutos do primeiro tempo, o time conseguiu ser superior e vencer com segurança.

O resultado ainda não foi suficiente para tirá-lo da zona de rebaixamento. Segundo Mano Menezes, porém, o resultado foi o primeiro passo para esse objetivo.

Ele elogiou a postura dos jogadores, revelou as mudanças imediatas que promoveu em campo e, principalmente, festejou o resultado.- A equipe vai ajustando, os jogadores vão encorpando essa
nova ideia de jogar que é um pouco diferente do que se estava fazendo.

Fizemos
esse resultado que vale muito para a gente. Ainda não nos tira de uma situação de
últimos quatro colocados, mas dá o alento do início da recuperação, mostra
força, devolve confiança aos jogadores.

É o primeiro passo de muitos que temos
que dar ainda pra chegar em uma condição melhor.Sobre Rafael Sobis, o treinador não poupou elogios, mas voltou a afirmar que os destaques individuais só são possíveis quando a equipe, coletivamente, tem um bom rendimento.

– Um já é difícil fazer, imagina três em um jogo como esse. Foi
muito feliz na definição.

A equipe deu as oportunidades, ele aproveitou. É isso
que queremos.

Sobis, Ábila, Willian. Temos muitos jogadores pra
definir e fazer os gols.

O que eu quero é que o coletivo esteja bom. Se o time
está bom, uma hora o individual aparece.

Só é possível nessa ordem. Vamos
trabalhar para que seja assim.

Confira outros pontos abordados por Mano Menezes na entrevista coletiva:Gol sofrido aos dois minutos e reação do time- Embora
a gente não espere e faça tudo para não acontecer, às vezes acontece (gol sofrido no início do jogo). Mas a equipe
estava bem preparada, o torcedor ajudou muito.

Tomar um gol aos dois minutos, dentro de casa, normalmente mexe com o ambiente do jogo. O torcedor apoiou a
equipe, veio junto, sentimos a confiança e crescemos no jogo.

Fizemos o gol de
empate relativamente rápido, o que restabeleceu a normalidade. O gol sofrido
foi acidental, um lance isolado do primeiro tempo.

Aí fizemos o 2 a 1, a equipe
começou a encontrar espaços importantes pra criar jogadas de qualidade, fizemos
o terceiro. Voltamos melhor ainda na segunda parte do jogo e praticamente
definimos.

Depois ainda sofremos um pouquinho, porque diminuímos um pouco a
pressão sobre o homem da bola, embora todos os nossos jogadores estivessem bem
posicionados.Atuação de Bruno Ramires e postura em campo- Naturalmente, os jovens ainda descuidam algumas coisas.

Estamos ali pra isso. É o trabalho do técnico.

O jogador que joga ali, não pode
flutuar demais. Tem que encaixar a marcação no jogador adversário.

Sempre tem um jogador
que tem que prestar atenção. Eles trabalharam muito com o Seijas no setor do
Bruno Ramires.

Depois entrou o Alex, que é um extraordinário jogador. Não tem a
mesma condição física, mas não pode deixar ele manipular a bola com liberdade,
senão vai criar alguma coisa boa.

Bruno cresceu no segundo tempo, é a segunda
vez que faz a função com a gente, entrou num momento difícil para fazê-la. Foi
muito bem auxiliado por Ariel, que tomou conta do meio-campo novamente, ganhou
muitas bolas, voltou a fazer a bola passar no nosso pé.

E ele precisa fazer isso mais
ainda para que a equipe tenha o controle do jogo.O Cruzeiro vinha criando um número
muito grande de oportunidades nos jogos, mas não vinha conseguindo definir.

O
que eu fiz foi dar uma ideia para a equipe um pouco mais definida. Nós não podemos
sofrer mais muitos gols.

Nenhuma equipe suporta sofrer muitos gols como o Cruzeiro vinha sofrendoO que foi feito para a equipe evoluir tão rápido?- Antes de assumir a equipe, como sempre faço, observei alguns
jogos do Cruzeiro. A movimentação para que a parte inicial da criação das
jogadas acontecesse já era bastante boa.

O Cruzeiro vinha criando um número
muito grande de oportunidades nos jogos, mas não vinha conseguindo definir. O
que eu fiz foi dar uma ideia para a equipe um pouco mais definida.

Nós não podemos
sofrer mais muitos gols. Nenhuma equipe suporta sofrer muitos gols como o Cruzeiro vinha sofrendo.

Se você sofre três gols, você precisa fazer quatro para
ganhar a partida. E você não faz quatro gols toda hora contra grandes
adversários.

Precisamos diminuir isso e ter uma ideia a partir daí. Até
diminuímos um pouco as oportunidades criadas.

Eu disse isso, que iria mesmo
diminuir um pouco. Se tem um momento que uma equipe sai do seu posicionamento, é
quando está atacando e tem a posse de bola.

Se você faz isso muitas vezes,
começa a apoiar com os dois laterais, começa a chegar com muita gente na
frente, quando o adversário toma a bola, tem muito espaço para contra-atacar. A
gente não pode dar isso toda hora para as grandes equipes como são as equipes da Série A.

Essa é a ideia. E, mesmo assim, a equipe criou um grande número de
oportunidades, o suficiente pra fazer os quatro gols.

Até poderíamos ter feito mais.Mano não gosta de centroavante? O que achou da atuação de Ábila?- No futebol, a gente cria muita coisa que não é verdadeira.

Eu já li tanta coisa sobre a minha passagem no Cruzeiro. Que eu indiquei
treinador pra me substituir.

Nunca fiz isso. Que eu não gosto disso, não gosto
daquilo.

Eu tenho preferência por jogar bem e ganhar. A maneira que a equipe
jogar bem e tiver mais próxima da vitória, é a minha forma de jogar.

Eu nem
acho que Ábila seja um jogador que jogue enfiado no meio dos zagueiros, só
protegendo bola. Ábila fez movimentação de diagonal para os dois lados, fez
grandes jogadas.

A jogada que ele bateu no travessão e, depois fizemos o gol,
foi uma jogada perfeita. Eu não gosto do sujeito que fica lá parado no meio de
dois zagueiros, porque é o sonho de todo zagueiro para marcar.

E perde o time em
movimentação e opções. É isso que eu não gosto.

O resto, tudo eu gosto. Se
fizer gol então.

..

Pressão por gols perdidos nas últimas rodadas- Quando uma equipe cria e passa a não marcar gols, começa a
se estabelecer uma pressão muito grande sobre as conclusões da equipe. Eu vi lá
em Santos, alguns jogadores nossos colocando a mão na cabeça, bola não entra, a
gente cria, passa perto.

Hoje, antes do jogo, eu disse a eles que tivessem calma, que direcionassem a bola para o gol. O chute não precisava ser perfeito.

Ela entra. Entra pra todo mundo, entra para nós.

São sete metros e pouco de gol, o
goleiro é um sujeito só. Ele não consegue fechar isso tudo não.

Tem que ter calma um
pouco, finalizar com jeito que ela vai entrar, como entrou hoje quatro vezes.
Eles são ótimos jogadores, concluem muito bem.

Quando passa um tempo sem fazer,
fica aquele fantasma, aquela coisa. Tem que ter calma, porque a bola entra.

O que gostou e o que não gostou?- Eu gostei de quase tudo na equipe, com pequenas exceções. Penso que podemos aproveitar melhor o penúltimo passe.

Estamos chegando pelo
lado do campo muitas vezes, e o nosso cruzamento tem sido mais no pé do
adversário do que em jogadores nossos. Podemos fazer ajustes de posicionamento e
trabalhar melhor o jogador que chega, levantar a cabeça, fazer uma assistência,
e não simplesmente jogar a bola na área.

Temos capacidade para isso. Podemos melhorar,
porque chegamos várias vezes.

No mais, a equipe marcou bem, o Internacional foi
chegar com bola alta, porque a gente quase não deixou chegar com bola
trabalhada por dentro, chute frontal. A equipe está bem posicionada, já
entendendo aquilo que gosto.

Quando se faz um 4 a 2 com a pressão que a gente estava, é sinal que as coisas deram muito mais certo do que errado.Pouco tempo para trabalhar o time e Corinthians pela frente- O Campeonato Brasileiro é assim mesmo.

Quando você passa por
um, dá uma respirada, uma olhada para o da frente, e é um pouco pior. Sabemos como
é difícil jogar lá, sabemos que o adversário está nas primeiras colocações,
sabemos que tem uma ideia de jogo clara há bastante tempo, mesmo mudando os
profissionais.

Se mantém uma ideia de jogo, e os jogadores sabem executar muito
bem. O Cruzeiro tem condições de chegar lá e brigar pelo resultado.

É o que
penso e o que vou passar aos jogadores. A recuperação em cima da vitória é
melhor.

Cabeça fica boa, você tem ideias mais firmes, o resultado traz uma
confiança maior, os jogadores passam a acreditar mais no trabalho. Tenho certeza que nossa
recuperação vai ser melhor ainda do que conseguimos fazer pra esse jogo.

Vamos
pensando que podemos fazer mais um bom jogo e trabalhar para vencer. Não podemos
desperdiçar nenhuma oportunidade.

Se ela está lá, mesmo com a dificuldade
grande, temos que buscar.
.

Fonte: Globo Esporte