A saída de Deivid do Cruzeiro, após a eliminação na semifinal do Campeonato Mineiro, abriu a temporada de caça ao técnico, na Toca da Raposa II. A diretoria do clube mineiro tem vários nomes na lista e, inclusive, já conversou com alguns deles. Jorginho, atualmente no Vasco, é o preferido do presidente Gilvan de Pinho Tavares, mas ele tem contrato com o Vasco até o final do ano.

O treinador do Botafogo, Ricardo Gomes, também está na lista. Abel Braga, do Al Jazira, dos Emirados Árabes Unidos, interessa à Raposa, mas cláusulas contratuais dificultam o acerto.

Marcelo Oliveira, comandante azul no bicampeonato brasileiro, é o nome preferido de alguns membros da diretoria, mas esbarra no veto do presidente, que o considera um bom nome, mas acha sua volta prematura. Marcelo deixou o clube em maio do ano passado.

Um técnico estrangeiro pode ser a solução para o Cruzeiro, que conversou com o argentino Jorge Sampaoli. Dois entraves, porém,
descartaram a contratação do técnico campeão da Copa América de 2015, com a seleção chilena.

O
primeiro deles é o salário: ele recebe em euros e o valor é muito alto,
incompatível com a realidade brasileira. O segundo motivo é que ele tem
proposta de três clubes de ponta da Europa.

E, muito provavelmente, o
destino de Sampaoli será a Itália.Reinaldo RuedaA bola da vez no Cruzeiro é o colombiano Reinaldo Rueda.

Técnico do Atlético Nacional de Medellín, dono da melhor campanha na fase de grupos da Taça Libertadores desse ano (veja abaixo os gols da goleada sobre o Peñarol dentro de Montevidéu), Rueda já treinou as seleções de Honduras e Equador. Para o comentarista do SporTV, Henrique Fernandes, o técnico colombiano tem qualidades que podem ser muito úteis ao Cruzeiro.

LEIA TAMBÉM>>Colombiano Reinaldo Rueda vira alvo do Cruzeiro para ser novo treinador- Rueda é um treinador
experiente, com duas Copas do Mundo no currículo, 2010 (Honduras) e 2014
(Equador), mas poucos trabalhos em clubes. Costuma montar times muito fortes
dentro de casa, ofensivos, apostando principalmente na velocidade pelos lados
de campo e na pressão.

No atual trabalho no Atlético Nacional, beneficiou-se de
uma base deixada por Juan Carlos Osorio e do bom momento financeiro do time de
Medellín, que pôde investir em reforços para esta Libertadores como Victor
Ibarbo, ex-jogador da seleção colombiana. O sucesso de Rueda no Nacional foi
até, de certa forma, surpreendente, já que ele não comandava um clube há muito
tempo.

Antes de trabalhar nas
seleções de Colômbia (base e principal), Honduras e Equador, o grande trabalho
do Colombiano tinha sido o ofensivo time do Independiente de Medellín que, em
2003, chegou até a semifinal da Libertadores, eliminando Grêmio e caindo para o
Santos antes da final. Henrique Fernandes acredita que, pelo Cruzeiro ter seis jogadores que falam espanhol no elenco – quatro argentinos, um uruguaio e um brasileiro naturalizado uruguaio – Reinaldo Rueda pode ter o trabalho facilitado na Toca da Raposa II.

– Sem dúvidas, sim. Apesar
de nenhum ter trabalhado com ele, justamente pelo fato de Rueda ter trabalhado
somente em seleções, entre 2003 e 2014.

Os estrangeiros podem ser intermediários
do treinador no contato com o grupo, auxiliando em termos em português e
espanhol e até em conceitos que são expressos de formas diferentes de acordo
com a língua. Outro ponto positivo é o fato de o Cruzeiro ter uma comissão
fixa, com profissionais que conhecem as peculiaridades do futebol brasileiro,
das competições e de cada adversário.

Essa comissão certamente ficará no clube
mesmo que Rueda traga auxiliares.HistóriaCaso Rueda seja o preferido da diretoria cruzeirense, não seria a primeira vez que o Cruzeiro contaria com um estrangeiro no comando técnico do time.

O uruguaio Ricardo Diéz, em 1953, e o argentino Filpo Nuñez, em 1955 e em 1970, dirigiram a Raposa. Diéz teve quatro vitórias, três empates e cinco derrotas, em 12 jogos, e Nuñez conseguiu 11 vitórias, oito empates e 11 derrotas, em 30 partidas.

O sucesso de Rueda no Nacional foi
até, de certa forma, surpreendente, já que ele não comandava um clube há muito
tempo. Antes de trabalhar nas
seleções de Colômbia (base e principal), Honduras e Equador, o grande trabalho
do Colombiano tinha sido o ofensivo time do Independiente de Medellín que, em
2003, chegou até a semifinal da Libertadores, eliminando Grêmio e caindo para o
Santos antes da final.

No futebol brasileiro atual, o argentino Edgardo Bauza dirige o São Paulo, e o uruguaio Diego Aguirre está no comando do Atlético-MG. Recentemente, o argentino Ricardo Gareca esteve à frente do Palmeiras, o colombiano Juan Carlos Osorio foi técnico do São Paulo, e o espanhol Miguel Portugal treinou o Atlético-PR.

Para Henrique Fernandes, esse processo de internacionalização dos técnicos no Brasil tem origem na Copa do Mundo.- Acho que é um efeito do
que vimos na Copa do Mundo aqui do Brasil.

Depois da derrota da Seleção, há um
consenso de que o nosso futebol vive um momento de atraso, apostando em
conceitos que já não são os mais importantes no futebol mundial. Essa ideia
acabou pesando mais nos treinadores brasileiros, que perderam espaço no mercado
nacional.

Além disso, nos últimos anos, treinadores estrangeiros têm feito
sucesso na Libertadores, superando equipes brasileiras teoricamente mais fortes
montando times bem estruturados e organizados. Como o Brasil vive momento
econômico melhor que o das nações vizinhas, torna-se viável (e até barato)
trazer estes técnicos de destaque no continente.

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Fonte: Globo Esporte