Treino, repetição e entrosamento dão resultados, ainda que
eles demorem a chegar. O Corinthians teve 45 minutos ruins em Bogotá, contra o
Independiente Santa Fe, mas se recuperou quando colocou a bola no chão, aplicou
os conceitos mais trabalhados pelo técnico Tite e conseguiu arrancar um empate
valioso por 1 a 1, que praticamente coloca o Timão nas oitavas de final da Taça
Libertadores.Antes do gol de Elias, aos 12 do segundo tempo, é preciso falar sobre o que não deu certo.

O Santa Fe se aproveitou de um Corinthians
desorganizado, ainda ressentido pela derrota no clássico contra o Palmeiras.
Marcou a saída de bola com até quatro jogadores e evitou que Cássio saísse jogando
com zagueiros e laterais.

Então, o time de Tite teve de apelar aos chutões.Os colombianos tiveram seis finalizações no primeiro tempo.

O Corinthians não passou nem perto de incomodar o goleiro Zapata: zero chute a
gol. Estático e distante, o Timão perdeu a organização tão trabalhada por Tite.

Em lance emblemático, Lucca recebeu lançamento pela esquerda e ninguém se
aproximou para dar opção de passe. O atacante foi cercado por quatro rivais e,
claro, perdeu a bola.

Minutos antes, Elias tinha passado pelo mesmo aperto.

A pressão do Santa Fe não demorou a surtir efeito, principalmente porque a falta de compactação e a marcação frouxa, incomuns neste Corinthians, foram regra na primeira etapa.

Com as linhas de quatro jogadores muito distantes, nomes como Seijas e Gómez, os dois articuladores do Santa Fe, ficaram à vontade. Numa falha geral do sistema defensivo, Otero aproveitou rebote de uma bola na trave para abrir o placar.

Tite corrigiu os problemas ofensivos ao abrir Fagner pela direita e
Lucca e Uendel pela esquerda, alargando a linha de defesa do Santa Fe e
encontrando mais espaços pelo meio. Mesma solução que ele encontrou em outros jogos travados no início do ano.

O time se reagrupou em campo, as triangulações começaram a fluir, e o Corinthians, enfim, voltou a mostrar sua cara.LEIA TAMBÉM: Tite valoriza empate do Corinthians: “Estamos acima do que eu imaginava”Outro mérito foi entender que Guilherme não
é Renato Augusto.

Não é o jogador que deve buscar a bola na zona intermediária.
Seu papel é mais parecido com o de Jadson, de se posicionar perto da área,
abrir espaços e colocar os colegas na cara do gol.

Em duas infiltrações de Elias, dois passes em profundidade de Guilherme. O segundo resultou no empate.

E MAIS: Elias festeja recuperação acelerada e empate do Timão: “Não temos limite”Giovanni Augusto, Elias e Guilherme são os destaques
técnicos do Corinthians e jogaram juntos apenas pela segunda vez no ano. É
natural que as coisas não tenham saído bem contra o Palmeiras e em parte do
duelo desta quarta.

A cobrança e a expectativa, porém, vão aumentar à medida
que o trio ganhar entrosamento. Às vésperas das fases decisivas, o sucesso do
Corinthians de 2016 vai passar pelo mesmo setor que brilhou em 2015: o
meio-campo.

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Fonte: Globo Esporte