Era o retorno ao Morumbi após 126 dias. Era
para ser festa, mas o São Paulo mais uma vez não fez uma partida convincente.
Deixou a desejar taticamente e repetiu erros de jogos anteriores.

Pelo
menos sobrou vontade: a equipe do técnico Edgardo Bauza saiu atrás, não desistiu
e foi buscar o gol da vitória sobre o Oeste, por 2 a 1, aos 45 minutos do
segundo tempo. A partida mostrou que o Tricolor evoluiu em
alguns pontos, já que jogou bem pelos lados e mostrou que não há bola perdida.

Em compensação, ainda há muito a melhorar. Sem tempo ou margem para erros,
Bauza tem uma longa tarefa no comando do São Paulo.

Neste sábado, o técnico argentino voltou a
apostar na qualidade do trio formado por Ganso, Michel Bastos e Daniel para
servir Calleri. A estratégia não funcionou.

Diante de um adversário bem
fechado, o São Paulo não teve qualidade e criatividade para colocar a bola no
chão.A alternativa encontrada foi levantar a bola
na área, o que, em vez se ser solução, se tornou problema.

Calleri estava isolado no ataque, e, mesmo
quando recebia a ajuda de alguns companheiros, não era o suficiente para levar
vantagem sobre a alta zaga do time de Itápolis. Sem ver sua proposta inicial se encaixar, o
São Paulo foi se perdendo.

Qualquer espaço encontrado no campo ofensivo era
oportunidade para mandar a bola na área. As trocas de passes pelos lados do
campo até aconteciam, mas o objetivo final era o mesmo: cruzamentos que acabavam
rebatidos de qualquer forma pelos defensores do Oeste.

O Tricolor ficou mais nervoso em campo.
Desorganizado, passou a falhar não só no ataque.

Ao se mandar com os dois
volantes e também os laterais, o time de Bauza ficou exposto. O Oeste deixava
apenas Cristiano após o meio de campo, porém tinha um rápido contra-ataque que
se tornou uma dor de cabeça para os são-paulinos.

Aos 43 minutos do primeiro tempo, a equipe de
Itápolis precisou de apenas uma chance para ser mais efetiva do que o São
Paulo. Mazinho
descolou bom passe para Fernandinho, que cruzou rasteiro da esquerda e
encontrou Cristiano livre para empurrar ao fundo das redes.

A zaga tricolor estava escancarada. Veja: Os problemas eram evidentes.

Mesmo quando o
Oeste falhava, como no minuto seguinte ao gol, quando Leandro Santos soltou a
bola nos pés de Calleri, o Tricolor não conseguia finalizar bem. As vaias no
intervalo eram merecidas.

No vestiário, Bauza precisaria mudar peças e também a
postura de sua equipe. Daniel, que errou tudo, deu lugar a Kelvin.

Mais veloz, o São Paulo se tornou mais presente no ataque. A jogada ainda era a
mesma.

Mas, quando os cruzamentos na área pareciam que não levariam a nada,
Hudson apareceu como homem surpresa e, meio sem querer, desviou o passe de
Bruno, encobriu o goleiro Leandro Santos e empatou a partida. Assista: A pressão continuou.

Pelos lados, o Tricolor
jogava bem. Quando centralizava em busca do arremate, faltava capricho.

Rodrigo
Caio mandou por cima ao desviar a cobrança de escanteio. Kelvin cruzou rasteiro
e ninguém completou.

Hudson cruzou para Kelvin, que, na pequena área, não
alcançou. Em uma das raras vezes em que o São Paulo
teve espaço e jogou pelo meio, Ganso apareceu.

O meia deu mais um de seus
lindos passes, colocou Calleri na cara de Leandro Santos, o atacante tentou
cortar o goleiro, se jogou dentro da área, e o árbitro marcou o pênalti.Seria o momento ideal para o Tricolor retomar
o controle da partida.

Seria. Maicon contrariou os companheiros, ignorou os pedidos
da torcida por Denis, pegou a bola e foi para cobrança.

Escolheu o canto
direito do goleiro e viu Leandro Santos fazer a defesa. Veja: Assim como em boa parte deste início de ano
são-paulino, quando tudo parecia que ia dar errado, o time se superou.

O personagem da partida foi a síntese de tudo
isso. Maicon, que desperdiçou o pênalti, se mandou para o ataque.

Lucas Fernandes
ensaiou um voleio para completar o cruzamento de Mena, pegou mal na bola, mas
encontrou o zagueiro livre para escorar ao fundo do gol. Pelo quarto jogo seguido, o São Paulo marcou
nos acréscimos e deixou conseguiu minimizar uma partida apenas razoável.

 
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Fonte: Globo Esporte