Quando deixou o município de Tomé-Açu, interior do estado, com
apenas 14 anos, Gustavo Ramos Melo tinha dois objetivos traçados para o futuro:
estudar e se tornar um árbitro de futebol. Onze anos depois, o apitador se
orgulha de ter conquistado os dois objetivos. Formado em educação física, ele
ganhou, aos 25 anos, a grande oportunidade da carreira na arbitragem até aqui:
apitar um clássico entre Remo e Paysandu, pelo Parazão.

No último domingo, no
Mangueirão, Gustavo teve atuação destacada, deixando de lado a crença de que os
árbitros locais não têm condições de comandar um Re-Pa.- Todo árbitro sonha em estar envolvido nos grandes jogos,
fiquei feliz com a notícia (de que apitaria o Re-Pa), no entanto, procurei
ficar muito tranquilo, pois sabia da importância em manter o foco único na partida.

E não é porque você é jovem que não possui capacidade para desempenhar a
função. Fazer parte deste seleto grupo de árbitros que conduziram um Re-Pa é
algo que nos enche de orgulho.

No clássico, Gustavo Melo preferiu manter o controle do jogo
através da conversa firme com os jogadores, sem distribuir muitos cartões. O árbitro,
aliás, aplicou apenas um cartão amarelo, que foi para o lateral direito Levy,
do Remo.

Em vários momentos deixou a partida correr, marcando poucas faltas, mantendo uma tendência da arbitragem mundial. Gustavo também teve a sua torcida pessoal no Re-Pa.

Amigos e familiares
do apitador, incluindo os seus pais, viajaram mais de 100 quilômetros para
assistirem a estreia do toméaçuense no jogo que envolve uma das maiores
rivalidades do futebol nacional. Após o seu apito final, ele
não escondeu a satisfação pelo resultado do trabalho desenvolvido na partida.

– O jogo foi muito corrido e exigiu a nossa tranquilidade na
condução. Ressalto o trabalho dos assistentes e dos quarto e quinto árbitros.

Ao fim da partida, a emoção tomou conta, as lágrimas foram inevitáveis..

. Só
queria ir embora para poder dar um abraço nos meus familiares, que são os nossos
maiores torcedores.

Meus pais e alguns amigos vieram de Tomé-Açú para
assistirem o Re-Pa. Muita gente disse que, pela primeira vez, torceria por um
árbitro.

Saí de cabeça erguida, com o sentimento de dever cumprido.Com a experiência de comandar um clássico entre Remo e
Paysandu, Gustavo Melo se credencia para se tornar um dos principais árbitros
do futebol paraense.

Segundo ele, o objetivo, a partir de agora, é
seguir os passos de Dewson Fernando Freitas da Silva e se tornar um árbitro da
FIFA.- Vamos manter o foco no nosso trabalho e deixar que as
coisas fluam naturalmente.

A arbitragem requer levar as coisas etapa por etapa.
Assim, espero, um dia, poder chegar à FIFA como o Dewson chegou.

.

Fonte: Globo Esporte