O árbitro apita o fim da partida, e Lisca parte extasiado direto à arquibancada da Arena Castelão para reger o grito torcida: “Saiu do hospício, tem que respeitar: Lisca Doido é Ceará”. O canto que virou grito de guerra da campanha do Ceará para escapar do rebaixamento à Série C, em 2015, não sai da cabeça do treinador. Isto mesmo após a saída do clube, anunciada no último dia 28.

Sem mágoas, o comandante leva com orgulho o rótulo de “doido” e mira dar sequência à carreira ao assumir um cargo na Série A.Depois de deixar Fortaleza, Lisca aproveita o raro tempo livre em Porto Alegre entre o cotidiano prosaico da família, com idas à escola e às aulas de patinação das filhas, e o estudo a livros de metodologias de treinamento.

Recentemente, finalizou “Guardiola Confidencial”, obra sobre o técnico Pep Guardiola, do Bayern de Munique. Longe da loucura à beira do campo, trata de descansar e se atualizar até voltar a “endoidecer” na nova oportunidade de trabalho.

LEIA MAIS> Lisca deixa o Ceará após sequência ruim– O “Lisca Doido” já atrapalhou. Agora, não mais.

As pessoas entenderam que é um carinho do torcedor. Virou algo folclórico.

No Ceará, foi até grito de guerra. É um apelido de respeito.

As pessoas conhecem minha história. Os dirigentes sabem bem do meu trabalho.

Eu primei por isso. Encerramos o trabalho para manter essa imagem positiva por lá.

Eu sou apaixonado pelo que faço e vibro com as pequenas conquistas, mas agora é ter calma e trabalhar. Já trabalhei na Série D, na C e na B.

Agora, almejo a Série A. É uma evolução natural – afirma o técnico.

Lisca esteve nos estúdios da RBS TV nesta sexta-feira e conversou com a reportagem do GloboEsporte.com, sempre em tom enérgico.

Prontamente negou ter qualquer ressentimento de sua passagem pelo Ceará e mostrou-se compreensivo com a saída, mesmo após ter livrado a equipe do rebaixamento á Série C e ter apresentado 70% de aproveitamento, com 12 vitórias, quatro empates e três derrotas em 19 jogos em 2016. A saída de Lisca foi selada em “comum acordo” entre o técnico e o presidente, após a equipe perder força na reta final do Campeonato Cearense, em especial devido aos dois jogos sem vitória no clássico com o Fortaleza.

De acordo com o comandante, a diretoria do Alvinegro pediu alterações que contrastavam com sua filosofia de trabalho. O estilo de jogo considerado “pragmático” por membros da cúpula também pesou.

De temperamento forte, bateu pé por suas convicções e acertou o adeus amigável.– Saio sem mágoas.

A gente assumiu com a missão de tentar ficar na Série B, com 98% de chance de cair e escapamos. Teve o grito de guerra, que foi um reconhecimento e uma responsabilidade para mim, mas conseguimos concluir o serviço e ficou a imagem positiva.

Foi uma experiência profissional e pessoal muito boa. Estávamos bem no início do ano, mas tivemos contestações na maneira de jogar.

O presidente me chamou para reavaliarmos algumas coisas. Eu queria seguir os critérios que a gente tinha.

Em comum acordo, encerramos o trabalho – afirma o técnico.Lisca iniciou sua carreira nas categorias de base do Inter, em 1990.

Entre idas e vindas, saiu do Colorado de forma definitiva em 2007 e rodou por clubes do interior gaúcho, como o Juventude e o Caxias, e pelo Náutico, até chegar ao Ceará. No início deste ano, teve proposta do Figueirense, mas optou por seguir no Alvinegro.

Agora, aguarda nova chance em clube da Série A.Confira as notícias do esporte gaúcho no globoesporte.

com/rs
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Fonte: Globo Esporte