No dia 24 de março, Nacional e Remo empataram em 1 a 1, no estádio Ismael Benigno (Colina), em Manaus, pelo duelo de ida das quartas de final da Copa Verde. Mas o placar ficou em segundo plano. Isso porque após o apito final o estádio virou uma cena de guerra.

Em confronto contra torcedores, a Polícia Militar lançou uma bomba de efeito moral em direção à arquibancada e atingiu Matheus, filho do zagueiro reserva do Nacional Edson Rocha. Momento antes de ser ferido, o menino aparece brincando em gravação feita pela mãe.

Cinco dias depois do incidente, o defensor do Leão da Vila Municipal resolveu se manifestar. Edson fez questão de destacar a culpa da Polícia Militar na ação que, segundo ele, expôs o despreparo.

O defensor garantiu que ele, como torcedor, não levará mais seus familiares aos jogos.– É uma situação muito triste, porque hoje nem coragem tenho de ir ao estádio.

Ficarei com medo, principalmente, de quem deveria cuidar da nossa integridade: a polícia. Minha família não irá mais.

Porque todo o ocorrido foi culpa total da polícia – disse o zagueiro. Ainda segundo Rocha, a Tropa de Choque agiu de forma exagerada, haja vista que os torcedores não estavam agindo de forma violenta (assista o vídeo acima, onde é possível ver o momento em que a bomba é lançada).

– O que houve foi o que sempre acontece no fim das partidas: alguns torcedores foram até a grade da arquibancada para cobrar o árbitro quando ele se dirigia ao vestiários. Isso é normal, sempre acontece.

Não é normal o despreparo dos policiais que agiram de forma inaceitável. Jogar uma bomba sem nem se preocupar onde ela iria parar ou em quem acertaria? – questionou.

 Ficarei com medo, principalmente, de quem deveria cuidar da nossa
integridade: a polícia. Minha família não irá mais aos estádios.

“O jogador disse ainda que as bombas de efeito moral foram arremessadas no momento em que sua mulher filmava seu filho se divertindo na arquibancada. Rocha, inclusive, afirmou que seu celular quebrou durante a correria.

– Minha mulher fez um vídeo do Matheus, tanto que na hora em que as bombas foram arremessadas ela estava com o celular na mão. Com o susto, o aparelho caiu no chão e quebrou.

Ainda pisaram em cima. Foi uma correria só – finalizou.

Comandante da Polícia MilitarEm conversa com o GloboEsporte.com, o comandante da Polícia Militar do Amazonas, Dan Câmara, mencionou que a ação da Tropa de Choque, principalmente do policial que arremessou a bomba de efeito moral, causou, no mínimo, estranheza.

– Existe um procedimento de operação a seguir. Visualmente, aquela atitude tomada não estava no esboço do planejamento integrado.

No entanto, aquela atuação não passou pelo comando de controle, portanto quem pode analisar melhor o ocorrido é um departeamento de justiça da Polícia Militar. Visualmente aquela ação causou estranheza.

Não está dentro do procedimento padrão.Estado de saúdeNo dia do incidente, Matheus foi examinado pelo médico e pelo fisioterapeuta do Nacional.

Edson ainda entrou em contato com o médico, que receitou duas inalações ao dia por conta da dificuldade em respirar. Cinco dias depois do ocorrido, a criança realiza as inalações apenas na hora de dormir.

 Entenda o casoRevoltados com o acréscimo de quatro minutos no segundo tempo, torcedores esperaram o trio de arbitragem passar pelo acesso aos vestiários, que fica bem na frente das arquibancadas, a poucos centímetros da grade que separa a torcida do campo. Com a proteção da Tropa de Choque, os árbitros tentaram descer para os vestiários, quando a torcida nacionalina atirou diversos rolos de papel em cima dos mesmos e da polícia, que revidou com gás lacrimogêneo e uma bomba de efeito moral.

Uma das bombas atingiu o filho do jogador. Matheus, que teve algumas escoriações na mão, foi atendido imediatamente pelo médico do Nacional.

Segundo a mãe, Vanessa Rocha, ele também inalou fumaça e sentiu dor de ouvido.
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Fonte: Globo Esporte