A narração de Galvão Bueno é marcante. “Kanu, perigoso, entrou, bateu, acabou!”. O gol que selou a vitória por 4 a 3 da Nigéria sobre o Brasil nos Jogos Olímpicos de 1996 vai completar 20 anos no dia 31 de julho.

É, portanto, compreensível que nenhum jogador da atual Seleção olímpica que encara a Nigéria nesta quinta-feira, no Estádio Kléber Andrade, em Vitória, às 19h, lembre do momento. Nwanko Kanu fez sucesso como jogador do Arsenal nos anos seguintes.

Para um grupo de jogadores que nasceu entre 1993 e 1997, no entanto, é um personagem não muito familiar. A lembrança do jogo inexiste para todos, mas alguns se recordam que o conheceram de maneira diferente.

– No videogame ele era fera – diz Rodrigo Dourado, que tinha apenas dois anos em 1996. Alisson, um ano mais velho do que Dourado, tem a mesma opinião, enquanto outros jogadores não lembram tanto de Kanu.

Thiago Maia, Malcom e Gabriel Jesus, os mais jovens do elenco, sequer eram nascidos na época do jogo. Vieram ao mundo em 1997.

Felipe Anderson conta que o conhece por outra razão.- Jogo ao lado de um nigeriano no Lazio, e ele brinca comigo por causa do Kanu.

Presente naquela partida, Aldair lamenta até hoje o gol sofrido na prorrogação, que na época tinha a morte súbita e classificava a equipe que balançasse a rede. O zagueiro, no entanto, se recorda com mais exatidão do lance que gerou o empate nigeriano, aos 44 minutos do segundo tempo.

– Levamos um gol em uma cobrança de lateral, que poderíamos ter evitado. Foi uma tristeza na época, porque representou o fim do sonho do ouro – diz.

Time definidoO técnico da Seleção olímpica, Rogério Micale, teve apenas dois dias de treino com a equipe completa. Ele realizou duas atividades táticas, com intervenções a todo momento para orientar os jogadores no posicionamento em diversas situações de jogo.

Houve ênfase nos treinamentos de saída de bola, marcação por pressão, finalização e bola parada.O meia Rafinha, que se juntou ao grupo para finalizar a recuperação de uma lesão grave sofrida em 2015, participou normalmente das atividades, mas sua presença no banco de reservas desta primeira partida é incerta.

O time titular foi definido com Ederson, Fabinho, Wallace, Rodrigo Caio e Douglas Santos; Rodrigo Dourado, Felipe Anderson, Alisson, Gabriel Jesus e Gabriel.Nigerianos apostam em centroavante de 17 anosA Nigéria, que venceu as Eliminatórias Africanas e também está classificada para os Jogos Olímpicos, veio ao Brasil com um grupo de 20 jogadores.

O técnico Samson Siasia, que comandou o grupo campeão, foi promovido para a seleção principal, e quem comanda o time agora é Fatai Amoo, antigo assistente técnico.O nome mais badalado entre os atletas é o do atacante Victor Osimhen, de apenas 17 anos, que foi campeão mundial sub-17 em 2015 e artilheiro do torneio com dez gols.

Um deles marcado na vitória por 3 a 0 sobre a Seleção brasileira, nas quartas de final. Curiosamente, Osimhen e Kanu são os dois únicos carrascos nigerianos do Brasil na história do futebol.

Em 12 jogos, somando todas as categorias, são sete vitórias brasileiras, dois empates e dois triunfos nigerianos.
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Fonte: Globo Esporte