A briga pelos direitos de transmissão do Brasileirão a partir de 2019 ainda está longe do fim, mas o Esporte Interativo já conseguiu mudar o cenário do futebol brasileiro. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o canal de Turner informou ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que fechou com 15 times para as transmissões daqui a três anos.

Mas isso é apenas parte das mudanças.
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Além do Brasileirão, o Esporte Interativo teria interesse em comprar a Copa do Brasil, e estaria disposto a pagar seis vezes mais o que a Globo paga atualmente pelos direitos da segunda principal competição nacional.

O Torcedores. com mostra o que mais revolucionou o futebol no Brasil com a entrada da Turner na disputa pelos direitos de transmissão dos principais campeonatos.

A Globo não tinha mais concorrência alguma pelos direitos de transmissão do Brasileirão. Depois da manobra feita em 2011 para a dissolução do Clube dos 13, que pretendia vender o campeonato a quem pagasse mais (e por isso a Record era a favorita), ficou no ar a impressão de que jamais haveria emissora capaz de bater a TV dos Marinho.

O Esporte Interativo surgiu na hora certa, porque essa ausência de concorrentes, mais a crise econômica, já serviam como fatores para a Globo propor a redução dos contratos. Sem ninguém para contrapor essas propostas, certamente os clubes teriam recebido menos, mas a Globo teve até que aumentar valores para não perder os clubes com os quais renovou, fora os que perdeu para a Turner, que também ganharam mais dinheiro.

Foi o Esporte Interativo, ainda quando pertencia à TopSports, que revolucionou o futebol nordestino. Em 2010, apoiou o retorno da Copa do Nordeste, que na época precisou de muita briga para ser relançada contra a vontade da CBF.

O EI bancou o torneio, que voltou definitivamente em 2013 e hoje é um sucesso de mídia em várias regiões do país. A Copa do Nordeste passou a valer até vaga na Copa Sul-Americana, ampliando a exposição dos clubes da região.

O sucesso da Copa do Nordeste motivou o surgimento da Copa Verde, que teve transmissão de sua primeira final no canal Space, no ano em que a Turner adquiriu 30% das ações do Esporte Interativo, dando exposição nacional a uma decisão emocionante entre Paysandu e Brasília.
Embora o Esporte Interativo não tenha os direitos de transmissão da Primeira Liga, foi o sucesso da Copa do Nordeste que levou os clubes do Sul, Minas e, depois do Rio, a criarem uma competição mais interessante que os estaduais.

O Nordestão, embora organizado pela CBF, é gerido pela Liga do Nordeste. É um passo importante para os clubes serem independentes no futuro.

Embora o Cade proibisse há tempos a venda “casada” dos direitos de todas as mídias do Brasileirão, a Globo não tinha concorrência e botava tudo em um pacote só. O Esporte Interativo conseguiu mudar esse cenário.

O fato com maior destaque foi a negociação do São Paulo, que embora tenha acabado com derrota do EI para a Globo, terminou sendo o primeiro caso de desmembramento da proposta da emissora dos Marinho, que se negava a dizer quanta pagava especificamente pela parte do SporTV e do PPV no bolo de R$ 1,1 bilhão que contemplava a TV aberta. O São Paulo conseguiu um contrato exclusivo de TV por assinatura com o SporTV e agora sabe o quanto ganha por esse acordo individualmente.

O Esporte Interativo foi a primeira emissora a detalhar publicamente uma proposta pelos direitos de transmissão do Brasileirão, e o fez por meio das redes sociais, onde se concentram as principais discussões dos torcedores atualmente. Valores nunca foram segredo, tal como a divisão das cotas.

Houve uma preocupação por anunciar cada passo das negociações, algo que antes ficava nas sombras do futebol brasileiro.
Embora não seja igual às condições propostas pelo EI, a Globo também deu um passo adiante ao propor a divisão em 40% do pacote de forma igualitária, 30% por audiência e 30% pela classificação no campeonato.

A Turner ofereceu uma divisão mais igual, com metade dividida entre todos os clubes, 25% por classificação e 25% por audiência. Mesmo assim, os clubes que fecharam com a Globo nas condições dela também tiveram uma evolução notável graças à concorrência do EI.

Desde o fim dos anos 1990, quando a ESPN Brasil transmitiu pela última vez alguns jogos do Brasileirão, a TV paga teve total domínio do SporTV na competição. A partir de 2019, dois dos 12 grandes estarão no Esporte Interativo.

Santos e Internacional fecharam com o canal da Turner e não terão transmissões no canal pago da Globo.

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Fonte: Torcedores.com