Cuca segue sem vencer no Palmeiras. Com a goleada por 4 a 1
sofrida para o Água Santa, neste domingo, em Presidente Prudente, o técnico
chegou a quatro derrotas em quatro jogos disputados à frente do Verdão e
admitiu: a crise, hoje, é uma realidade para a equipe.

– A culpa tem de ser dividida entre todos.

Você tem de ter
colhão, não é fácil. Eu me lembro quando jogava, é difícil.

Os jogadores têm de
ter auto-confiança voltada para eles. São passes fáceis que erramos, jogadas
que geralmente são fáceis de cortar e tomamos gol.

Isso tudo vai passar, mas
temos de viver a verdade. Nosso momento é muito crítico – afirmou, em
entrevista coletiva.

 Do ano passado para cá, o Palmeiras contratou 33 jogadores. Neste ano, foram oito reforços.

Cuca não acredita que o elenco seja o ideal. O técnico pretende fazer ajustes no grupo ao longo da temporada.

– O
pensamento tem de ser igual, não adianta pensar que tem um super time. Temos um
bom time, vamos parar por aí.

Requer ajustes, com o Alexandre (Mattos), o presidente em
cima disso. Assumo toda a responsabilidade da derrota, o culpado maior sou eu,
mas também não gosto de perder.

LEIA MAIS:> Veja como foi a derrota do Verdão para o Água Santa> Atuações do Palmeiras: panes da defesa levam time a vexameO técnico repudiou a invasão de torcedores organizados à
Academia de Futebol durante o treino de sábado e pediu união ao clube em todos
os âmbitos: desde a torcida, passando pela comissão técnica, até a diretoria,
para encerrar a péssima fase atravessada atualmente. 

– O Palmeiras tem de pensar em conjunto, tem de se unir,
fortalecer.

Tem de entender que tem de melhorar com o que tem aqui e trazer
mais jogadores para buscar título, que não vai ser de uma hora para outra, com
toque de mágica. Vai ter de ter muito trabalho e compreensão de todas as
partes: diretoria, comissão técnica e torcedor – argumentou o comandante.

 

– Para entendermos esse momento horrível que estamos
passando e tirarmos disso uma saída. Tomara que tenha chegado ao fundo do poço,
porque de lá não passa.

E se não chegou ainda, tem mais para ir. Talvez não agrade
muita gente, mas eu falo de coração.

O Palmeiras volta a campo na próxima quinta-feira, às 20h30
(horário de Brasília), contra o Rio Claro, no estádio do Pacaembu. Restam três
jogos pela primeira fase do Campeonato Paulista: o Verdão ainda encara
Corinthians e Mogi Mirim.

 Veja a coletiva na íntegra: É hora de jogar como time pequeno?– Você
não pode pensar assim. Quando você está em um time grande, tem de ter a
consciência de que a responsabilidade é sua de jogar na frente, marcar pressão,
como nós fizemos no começo do jogo.

O problema é que quando você vai perdendo
gols, vai criando uma instabilidade emocional maior do que já está, perdendo a
confiança.O que está faltando ao time?– Uma
ou duas chances que o adversário tem estão entrando.

Hoje foi assim. No
primeiro tempo tiveram quatro chances e fizeram três gols.

Jogamos com um
volante mais fixo, que era o Thiago (Santos), um segundo que era o Arouca,
então fomos mais precavidos para dar uma estabilidade maior para a defesa. E
tomamos três gols.

Depois, só com o Arouca, tomamos um. E ainda contra, na bola
parada.

Erros do time– Tomamos
o gol quarta-feira do Roger, hoje mais um por marcar errado. Mudamos a
marcação, colocamos por zona, e acabamos fazendo um auto gol.

São coisas que,
se você levar ao pé da letra, vai criando um estado anímico negativo, e o
jogador vai se afundando. Por mais que eles tentem, o adversário explora bem, e
a gente acabou perdendo gols.

Fizemos tudo que podíamos em termos de troca, não
tínhamos muitas opções em virtude de ter perdido jogadores para a seleção, por
lesão e suspensos.Atitude para o momento– O
que se pode dizer? Tem de ter equilíbrio.

Eu sei o que posso fazer em termos de
arrumar equipes. O pensamento tem de ser igual, não adianta pensar que tem um
super time.

Temos um bom time, vamos parar por aí. Requer ajustes, com o
Alexandre, o presidente em cima disso.

Assumo toda a responsabilidade da
derrota, o culpado maior sou eu, mas também não gosto de perder. É ruim.

Tivemos uma invasão ontem, acho um erro enorme, mas ainda bem que foi ontem. Já
pensou se fosse amanhã? Não podemos só olhar um lado, os caras estão vendo que
as coisas não andam, estamos quase na zona de rebaixamento do Paulista.

Foi uma
anormalidade, mas vieram com respeito, tentaram entender o que estava havendo
com buchicho de divisão de grupo.O que o clube deve fazer– O
Palmeiras tem de pensar em conjunto, tem de se unir, fortalecer.

Tem de
entender que tem de melhorar com o que tem aqui e trazer mais jogadores para
buscar título, que não vai ser de uma hora para outra, com toque de mágica. Vai
ter de ter muito trabalho e compreensão de todas as partes: diretoria, comissão
técnica e torcedor.

Compreensão do grupo– Para
entendermos esse momento horrível que estamos passando e poder tirar disso uma
saída. Tomara que tenha chegado ao fundo do poço, porque de lá não passa.

E se
não chegou ainda, tem mais para ir. Talvez não agrade muita gente, mas eu falo
de coração.

Relação com a torcida e momento do time– Foi
o que falamos hoje na preleção: “Pessoal, hoje é Páscoa, é o nascimento do
Cristo”. Expliquei que significa o ovo.

Passei que hoje era o dia de começar uma vida nova,
mesmo com um time muito jovem. É o Erik, o Allione, João Pedro.

..

São meninos,
não podemos jogar a responsabilidade neles. Como eu disse para os caras da
torcida: “Vocês querem jogar um peso nesses meninos maiores do que eles já têm? Vocês acham que brigando vão resolver alguma situação?” Temos de ser o mediador
dessas situações, para que a torcida entenda esse momento ruim.

Ficar sem a
torcida é pior. Se ela se virar contra, vai ser pior.

Uma coisa puxa a outra.
Não é só problema de jogador, torcedor, técnico.

São diversas coisas que,
reunidas, levam a gente a fazer jogos ruins, em virtude da instabilidade
emocional que o time vive. Toma o gol, tem um esforço enorme para fazer eles
reagirem e entenderem que isso é do jogo.

E bons jogadores que temos. Temos de
recuperar a auto-estima para buscar alternativas para fortalecer.

Tem de ver se
o meu sentimento bate com a diretoria e da presidência, tomara que sim.Algum jogo é exemplo?– Não
teve um jogo que você pegasse e dissesse: “O Palmeiras jogou bem”.

Contra o São
Paulo foi o segundo tempo. As vitórias mesmo foram difíceis, complicadas.

Não
tem um problema pra você dizer: “É esse”. Tem se unir de dentro para fora, de
fora para dentro, em todos os sentidos.

E não é pouca coisa.Mais sobre torcida– Você
tomar 4 a 1 de um Água Santa, que está beirando a zona de rebaixamento.

..

Não
posso querer que alguém sorria para mim. É natural, a gente mexe com a emoção
de milhões de pessoas.

Quando decepcionamos, como estamos decepcionando, vai
ter uma reação. Temos de entender isso.

Legado de Marcelo Oliveira– Seria
covardia hoje eu me referir, jogar em um profissional a responsabilidade do
fracasso que estou tendo. Se isso não está ocorrendo, é de forma interna que se
resolve.

Eles já fizeram grandes trabalhos, são de altíssimo nível. A culpa é
nossa.

É falta de tempo para treinar, de entender uma filosofia que estamos
tentando por. Pode ser um erro meu insistir em alguma situações também, temos
de assimilar.

O mais importante é se unir. Na hora ruim é fácil culpar três,
quatro.

A culpa tem de ser dividida entre todas. Você tem de ter colhão, não é
fácil.

Eu me lembro quando jogava, é difícil. Os jogadores têm de ter
auto-confiança voltada para eles.

São passes fáceis que erramos, jogadas que
geralmente são fáceis de cortar e tomamos gol. Isso tudo vai passar, mas temos
de viver a verdade.

Nosso momento é muito crítico.Clássico contra o Corinthians– O
melhor jogo que tem é o clássico, porque é um divisor.

Podia ser já. É outro
mundo, outro universo.

O jogador joga aquilo como deveria jogar os jogos de
menor intensidade, com times do interior. Essa regularidade o Palmeiras não
conquistou, mas jogos grande jogou quase todos bem e venceu a maioria deles.

O
que me preocupa é a falta de regularidade. Não adianta jogar meio tempo bom e
alguns esporádicos momentos bem.

Não temos constância de equipe equilibrada.
Tem de dividir um pedacinho cada um, que dói menos.

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Fonte: Globo Esporte