Em General Severiano, Lucas Zen anda querendo tirar a alcunha que virou uma espécie de seu sobrenome no Botafogo. Se depender de Airton, pode passar o apelido para o seu nome. O termo, oriundo das filosofias orientais e que simboliza um estado de espírito tranquilo, simboliza a nova fase do volante alvinegro, que de caçador virou caça: ninguém mais do que ele sofreu tantas faltas no Campeonato Carioca.

Aos pouquinhos, o jogador de 26 anos vai apagando a imagem de violento e as cenas fortes de agressão contra Alexandre Pato e Nilmar, por exemplo, e das quais ele se arrepende. A versão 2016 de Airton é totalmente diferente das anteriores, como já havia prometido Ricardo Gomes desde a pré-temporada.

Por sinal, o técnico foi um dos responsáveis na virada da carreira, assim como o vice-presidente de futebol do clube, Antônio Carlos Azeredo, o Cacá, seu maior defensor internamente, além de familiares e amigos.Eu sei que em momentos ali do jogo eu acabei perdendo a cabeça.

Sei que
eu errei, que não fui correto, que as pessoas têm o direito de falar. (.

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falou. Eu tenho qualidade e se estou no Botafogo é porque não é à toa.

Então espero mudar essa visão das pessoas”- Eu sei que em momentos ali do jogo eu acabei perdendo a cabeça. Sei que eu errei, que não fui correto, que as pessoas têm o direito de falar.

Mas sei que eu não preciso dessas coisas. O professor Ricardo conversou comigo, hoje estou com uma nova cabeça, mais centrado.

Agradeço à minha família por ter me ajudado, me ajuda até hoje, meus amigos, e espero poder tirar essa imagem. Eu não preciso dessas coisas para poder aparecer, como o professor falou.

Eu tenho qualidade e se estou no Botafogo é porque não é à toa. Então espero mudar essa visão das pessoas – definiu o volante, que brincou sobre seu novo comportamento em campo.

– Agora estou zen (risos).Em entrevista na sede do Botafogo, em General Severiano, Airton relembrou os momentos difíceis vividos nos seus dois anos de clube; explicou como deu a volta por cima; elogiou o potencial do elenco recheado de jovens; projetou o clássico deste domingo contra o Vasco; e sonha com seu primeiro gol pelo Alvinegro.

Confira abaixo a entrevista completa:GloboEsporte.com: Como está vendo este seu momento no Botafogo?Airton: Eu estou feliz por esse momento que não só eu estou vivendo, o grupo está vivendo.

A gente sabe que é o começo de um trabalho. Está apenas no começo do ano, e a gente tem muito o que alcançar ainda.

A gente está trabalhando forte aí para gente alcançar coisas grandesRealizou um sonho de jogar no Botafogo?Meus aniversários quando criança alguns foram do Botafogo, eu acompanhava quando era criança. Não acompanhava muito, mas acompanhava.

Eu fiquei muito feliz de estar vestindo a camisa do Botafogo, de estar podendo jogar por esse clube muito grande e espero poder ficar bastante tempo. Conquistar título porque é isso que marca a carreira do jogador, que marca o jogador no clube, e eu espero poder conquistar bastantes títulos pelo Botafogo.

Eu lembro que em um jogo da Libertadores (..

.) o professor Eduardo (Hungaro) me chamou para entrar, e a torcida chegou a vaiar.

Aquilo mexeu um pouco comigo, entendeu?”E como foi o seu período afastado em 2015?Não foi um ano legal. Eu não cheguei a jogar muito, mas isso é fase, acontece.

 Nenhum jogador quer passar por isso, ficar um tempo sem jogar igual eu fiquei. Fui afastado, mas com apoio da minha família, dos meus amigos, pude sentar, refletir, sei que eu errei, eu sei que muitas portas se fecharam para mim por causa dessa coisa aí, do meu lado agressivo.

Mas graças a Deus esse ano estou podendo reverter isso tudo e espero poder continuar. Espero poder fazer um grande ano e alcançar grandes coisas Em que momento você percebeu que precisava mudar sua imagem com a torcida?Eu lembro que em um jogo da Libertadores (2014), o Lucas, que hoje está no Palmeiras, estava jogando.

Acho que o Edilson estava suspenso, e eu treinei na lateral direita se por acaso o Lucas fosse sentir, porque ele estava um tempo sem jogar. E o Lucas acabou pedindo para ser substituído, o professor Eduardo (Hungaro) me chamou para entrar, e a torcida chegou a vaiar.

Aquilo mexeu um pouco comigo, entendeu? Mas eu continuei trabalhando firme, acreditando no meu potencial.E como foi esse processo de mudança de postura?Hoje, o professor Ricardo junto com a comissão técnica, tem me dado bastante apoio, tem conversado comigo, meus companheiros, minha família também, que sempre esteve ali do meu lado.

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E graças a Deus estou podendo tirar essa imagem que eu deixei e que não me orgulho. Sei que eu errei, mas espero poder recuperar meu bom futebol.

 Eu sei que em momentos ali do jogo eu acabei perdendo a cabeça. Sei que eu errei, que não fui correto, que as pessoas têm o direito de falar.

Mas sei que eu não preciso dessas coisas. O professor Ricardo conversou comigo, hoje estou com uma nova cabeça, mais centrado.

Agradeço à minha família por ter me ajudado, me ajuda até hoje, meus amigos, e espero poder tirar essa imagem. Eu não preciso dessas coisas para poder aparecer, como o professor falou.

Eu tenho qualidade e se estou no Botafogo é porque não é à toa. Então espero mudar essa visão das pessoas.

 Graças a Deus, hoje estou podendo mostrar meu futebol, estou feliz e espero poder continuar no Botafogo.Como tem sido o contato com os torcedores na rua depois disso?É, alguns falam: “Poxa, você mudou, está jogando bem”.

Não é só uma vitória minha, é da minha família também. Pessoas que me ajudaram muito, meus padrinhos, meus tios, meus pais.

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A gente fica feliz que nosso trabalho está sendo reconhecido, não só meu, mas de todo o grupo. Estão elogiando o nosso grupo, que muitos não estavam dando nada, até hoje alguns falam, mas a gente sabe do nosso potencial.

Sabe que precisa melhorar e muito, mas fico feliz de ouvir elogio aos meus companheiros, sei o que cada um tem passado para alcançar o seu melhor rendimento.Acha que ela pegou no seu pé por sua passagem pelo Flamengo?Eu sou botafoguense desde criança.

A torcida me tirava um pouco, falava um pouco que eu era flamenguista porque joguei um tempo no Flamengo. Mas eu fiquei sempre tranquilo, procurando trabalhar e acabou acontecendo, saindo essa matéria (jogador mais caçado do Carioca) que até me ajudou um pouco.

A torcida me aliviou um pouco mais.Hoje você é quem mais sofre faltas no Carioca e no último jogo levou até cartão por reclamar de uma cotovelada.

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A pancada foi forte, ele tinha me dado uma cotovelada, mas é coisa do jogo, acontece. Agora eu tenho que ter mais calma na hora de falar com eles.

 Eu acabei exagerando ali, falando com o bandeirinha, não pode mais falar com eles. Mas é tranquilo, agora estou zen (risos)Quem é seu principal companheiro no elenco?Eu me dou com todo mundo, mas uma pessoa que fica junto no quarto, é brincadeira direto, é o Gegê.

É um amigo que hoje eu tenho aqui no Botafogo. Uma pessoa que me ajuda muito, é um garoto muito bom que tem.

um potencial muito grande, de grande coração.Boa fase, torcida apoiando, time vencendo.

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O que falta agora?Está faltando sair um golzinho, né? Por onde passei pude fazer um gol (veja no vídeo abaixo). Minha esposa fica até me cobrando: “Se fizer, vai lá na câmera e dedica para mim”.

É uma pessoa que está do meu lado, que me apoiou nas horas mais difíceis, que foram no ano passado. Se Deus quiser vai sair, e vou dedicar a ela.

 No último jogo contra o Fluminense quase saiu esse gol..

.É, passou pertinho.

Mas se Deus quiser daqui a pouco sai. O que espera para o clássico de domingo?O Vasco é uma grande equipe, muito bem formada pelo Jorginho, que joga muito bem.

Nós já jogamos com eles, foi um jogo equilibrado, difícil, e dessa vez não vai ser diferente. Eles vão estar jogando na casa deles, e a gente vai lá para poder jogar de igual para igual.

É clássico, não tem favorito, e a gente vai tentar sair com os três pontos.Só isso?E fazer um gol, né? (risos)
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Fonte: Globo Esporte