O presidente do Paraná, Leonardo de Oliveira, diz que é impossível pensar no clube sem a Vila Capanema, mas a possibilidade é cada vez mais concreta. O Tricolor e a União protagonizam uma longa disputa judicial que busca definir quem é o real proprietário do terreno. Os últimos rounds dessa briga não foram favoráveis ao clube, após a decisão dos desembargadores do  Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), que considerou a União como legítima dona de toda a área onde o estádio está construído e que, ao clube, resta apenas receber uma indenização.

O valor ainda não foi definido. O Paraná ainda tem como último recurso o Supremo Tribunal Federal (STF), mas o próprio clube entende ser muito difícil reverter a decisão.

Sem conseguir enxergar um horizonte jurídico, a alternativa pensada é montar um grupo para negociar e chegar a um acordo com a União por uma decisão “justa e aceitável” para as partes. Essa negociação envolveria também a prefeitura de Curitiba, interessada em construir um centro administrativo na região.

Leonardo de Oliveira afirma que nenhuma indenização poderia “compensar a história do Paraná Clube e a história
do torcedor na Vila Capanema” (confira as declarações do mandatário tricolor no vídeo acima).- Pensar no Paraná sem a Vila Capanema é impossível.

Hoje, é o
nosso estádio, nosso torcedor tem histórias lá, é um patrimônio da cidade, é um
patrimônio que não pode simplesmente se pensar em deixar de lado. Não
existe uma indenização que vá compensar a história do Paraná Clube, a história
do nosso torcedor na Vila Capanema.

O que se busca agora é formalizar ou
costurar um acordo para que a União atinja o que ela almeja com essa negociação,
para que o Paraná possa manter o estádio e fazer melhorias daqui para frente,
para que tenhamos a posse da Vila e que este processo caminhe para um acordo,
que seria a melhor saída, né? O processo já demonstrou que,
juridicamente, não vai se conseguir chegar a uma decisão justa ou aceitável por
todos os lados. Então, temos que sentar e costurar um acordo bom tanto para
União quanto para a prefeitura e para o Paraná – falou o presidente em entrevista ao GloboEsporte.

com.Confira tambémJustiça adia a decisão sobre o futuro da Vila CapanemaJustiça decide a favor da União sobre a posse do estádioCom risco de perder a posse, Paraná Clube reforma a VilaO Paraná Clube, inclusive, já tem feito melhorias na Vila Capanema.

Ele está realizando, por exemplo, a manutenção preventiva da estrutura da cobertura da arquibancada social do estádio. A previsão é que a obra fique pronta na próxima semana, a tempo de receber o duelo com o Foz do Iguaçu, pela partida de volta das quartas de final do Campeonato Paranaense.

Leonardo de Oliveira fala de outros assuntos nesta entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com, feita na noite de quarta-feira, na sala do presidente, na Sede da Kennedy.

O mandatário tricolor comentou sobre os primeiros passos para a criação da Liga Paranaense, sobre os primeiros meses à frente do Paraná Clube e sobre a campanha no estadual. Leonardo também comenta sobre a expectativa para a Série B.

Segundo ele, o diferencial da equipe em relação aos anos anteriores é o equilíbrio dentro e fora de campo.- Torço para que se reflita em resultado
dentro de campo.

Mas, dentro de campo, as coisas nem sempre acontecem
naturalmente. Você precisa ajustar algumas coisas no meio do caminho.

Só que
hoje, o que vamos buscar são ajustes. Não é mais refazer o elenco, como fizemos
no ano passado.

Não é mais começar o campeonato com pendências de anos
anteriores. Hoje, a gente começa o campeonato de uma forma muito melhor, muito
mais equilibrada.

Isso traz uma grande expectativa para o Campeonato
Brasileiro.Confira a seguir a entrevista completa:

GloboEsporte.

com: O Paraná esteve presente na reunião da Liga Paranaense na
terça-feira? O que você pode falar sobre esse projeto?Leonardo de Oliveira: Até existe um tabu em relação a isso. Dentro da reunião,
existiam alguns clubes onde foi manifestado, e isso é o ponto forte da reunião, um desejo por um futebol paranaense
melhor.

Nada além disso. Então, o desejo por um futebol paranaense melhor passa
pela melhoria dentro do processo federativo.

Pode existir uma Liga? Se dentro
do processo federativo não conseguirmos evoluir, o que não acredito..

. Acho que dentro do processo da
Federação, tem muito caminho para trilhar.

Tudo que se comentou ontem (terça-feira) pode ser feito
através da Federação, e a Federação está disposta a isso. Constituir uma Liga simplesmente para mudar o poder não tem sentido.

A prioridade, então, é um futebol paranaense forte com apoio da Federação?Temos
que esgotar as possibilidades de melhorar o futebol paranaense dentro da
situação que nós temos hoje. Então, se nós temos ideias, temos que levá-las à
Federação e trabalhar em cima disso.

Essa é a posição do Paraná. Vamos buscar,
estamos unidos junto a todo e qualquer clube que queira um futebol paranaense
mais forte.

Agora, se vai haver a criação de uma Liga, está se falando muito em
eleição de presidente..

. Não houve votação, não houve candidatura.

Eu não tive
oportunidade de me candidatar. Não soube de votação nenhuma.

Não há uma ata,
não existe um estatuto ainda. Estamos em um processo embrionário do futebol paranaense.

E aí os passos precisam ser dados com muito cuidado. As coisas precisam ser
construídas com muita clareza para que, já no início, não comece errado.

Para começar
certo, as coisas precisam acontecer e evoluir de uma maneira transparente. É isso
que a gente precisa para continuar o processo.

Como presidente do Paraná, qual você acha que são os
próximos passos deste grupo, qual caminho deve ser tomado a partir de agora?O que eu gostaria de propor é
que a gente comece a trabalhar pelo futebol paranaense. Eu, ano passado, entrei
no clube em abril como vice-presidente financeiro e só comecei a falar do
Campeonato Paranaense em janeiro deste ano.

Não houve nenhuma conversa com
patrocinadores, com televisão, com nada durante o segundo semestre. Agora chegou
o momento, estamos nas quartas de final do campeonato, e já temos que discutir
o Campeonato Paranaense de 2017.

Então, eu já vinha conversando sobre isso com
o presidente da Federação (Hélio Cury). Quando encerramos a negociação deste
ano, já chegamos à conclusão “precisamos começar a discutir o ano que vem”
porque agora temos tempo para construir um campeonato melhor para o ano que
vem.

Este é o caminho.A situação do Paraná não mudou muito
de dezembro para cá.

Mas nós já conseguimos algum avanço. A postura que temos
adotado tem trazido alguns benefícios para o clube.

Só que isso acarreta novos compromissosO que a Federação precisa fazer, na sua opinião?Inicialmente, eu gostaria de propor à Federação que
constitua um grupo, que tome o papel dela, de um grupo de clubes para que esses
clubes comecem a discutir o Campeonato Paranaense já. Não adianta começar a
discutir o Campeonato Paranaense em janeiro do ano que vem e reclamar que não
tem patrocinador, que não vende placa, que a proposta da TV é baixa.


faltando 20 dias para começar o campeonato, não adianta, não há mais o que se
fazer. Então, temos que começar agora para termos tempo de negociar, de termos
ideias, de sugerir possibilidades para negociar com os possíveis investidores
ou as autoridades do Paraná para que a gente construa um Campeonato Paranaense
melhor.

Como você avalia a tua gestão de 23 de setembro de 2015 até agora? Está sendo tão difícil
ou talvez mais tranquilo do que você imaginava?Não, é muito difícil. A situação do Paraná não mudou muito
de dezembro para cá.

Mas nós já conseguimos algum avanço. A postura que temos
adotado tem trazido alguns benefícios para o clube.

Só que isso só acarreta
novos compromissos, novas expectativas. Ao invés de facilitar a vida, isso vai
dificultando cada vez mais a gestão.

Mas é uma situação natural, a gente sabia
das dificuldades do clube, quando nos candidatamos, sabíamos do problema que
tínhamos que encarar e da oportunidade que tínhamos para resolver esses
problemas. Estamos trabalhando dentro desse planejamento, nada mudou.

Quais são os principais avanços dentro e fora de campo?Principalmente a forma de se posicionar, é o que mais está
trazendo benefícios para o Paraná. A forma como estamos nos posicionando e a
forma como estamos encarando os problemas nesta gestão estão trazendo grandes
benefícios.

Foi um caminho que escolhemos e que estão trazendo resultados. Esse
é o principal benefício da nossa gestão.

Este posicionamento a que você se refere é pela questão financeira ou algo geral?O posicionamento é em relação a tudo, é enfrentar os
problemas do Paraná de frente, procurar resolver definitivamente as situações,
tentar amarrar ao máximo todas as pontas do problema para que não fique uma
situação nos expondo a problemas no futuro. Essa forma de trabalhar com grande
intensidade os problemas e buscar sem desistir resolver o problema, isso está
trazendo bons resultados.

Isso que eu acho que é um diferencial neste momento.Com relação à salário de jogadores, por exemplo, o Paraná
está devendo algo do últimos meses? Como está a situação financeira hoje?Veja, a questão salário, muito explorada no passado, hoje
não é mais.

Então, acho que não é benéfico para nenhum dos nossos funcionários
nem para a imagem do Paraná ficar discutindo a vida financeira deles. Essa é
uma situação que vem sendo tratada internamente no clube.

O que posso dizer é
que o reflexo dentro de campo, dentro do comportamento das pessoas mudou
bastante. E isso tem um motivo.

Agora, tratar as coisas do Paraná tão
abertamente, acho que não é importante para o clube. Esses assuntos têm que ser
tratados internamente e estão sendo bem administrados até o momento na minha
opinião.

Essa (salários) é
uma situação que vem sendo tratada internamente no clube. O que posso dizer é
que o reflexo dentro de campo, dentro do comportamento das pessoas mudou
bastante.

E isso tem um motivo. O fato de Paraná ter sido líder praticamente a primeira fase
inteira  dá um pouco de tranquilidade neste início de trabalho?Acho que não.

Só aumenta mais a responsabilidade. Nós
trabalhamos para isso desde o momento em que entramos no clube, o departamento
de futebol e todas as outras áreas do clube trabalharam para isso.

Mas é
inegável que este não era o resultado óbvio no início do ano. Um clube que
entra com menos da metade da receita de seus adversários não pode esperar estar
alguns pontos na frente deles ao final da primeira fase do campeonato.

Foi isso
o que aconteceu. O que precisamos é manter essa competência, temos que ser mais
competentes do que nossos adversários e, neste momento, estamos conseguindo
ser.

Hoje, quatro reforços são titulares do Paraná (Nei, Nadson,
Válber e Robson). Como você avalia essa política de contratações? E a ideia é
mantê-la para a Série B?A política mudou bastante em relação aos últimos anos.

Nós trouxemos
reforços pontuais dentro da nossa realidade. Para o Campeonato Brasileiro,
sabemos onde precisamos reforçar.

E é dentro dessa filosofia que pretendemos
trabalhar. Mas não deve haver grandes mudanças em relação a filosofia, né? Os atletas
que vieram, vieram com uma boa avaliação.

Alguns deles eram apostas. Outros
deles já eram realidade.

Sabíamos que eles chegariam para jogar. E é dessa forma
que pretendemos continuar trabalhando.

Temos bons valores dentro da nossa base,
temos um suporte interessante neste grupo que foi montado, então já partimos de
uma ótima base para partir para o Campeonato Paranaense. É essa linha que vamos
seguir.

O Paraná tem definido quais posições precisam ser reforçadas ou
quantos reforços devem ser contratados para a Série B?O que nós precisamos, também a estratégia, é manter isso em
sigilo. O que precisamos é manter essa filosofia.

Esse é o padrão que o clube
vai seguir daqui para frente e espero que durante esses três anos de gestão que
nós teremos. Buscar reforços, sempre com grande avaliação, dominando as peças
que vamos trazer, buscando aprofundar o máximo o conhecimento do atleta antes
de ele vir para o Paraná, antes de assinar contrato.

Essa é a forma de
trabalhar e vai ser mantida. A quantidade de peças é o que menos importa.

A sequência
dos próximos meses é que vai dizer o quanto precisamos, o quanto a gente
precisa ou se a gente precisa de reforços. O que sabemos é que temos que entrar
na Série B com um elenco capacitado para buscar os objetivos do Paraná, que é
subir para a primeira divisão.

O resultado no Campeonato Paranaense mostra que
dá para fazer isso com um trabalho de pés no chão, como a gente vem trabalhando
agora. Então, essa sequência vai na mesma filosofia.

O Paraná está na Série B desde 2008. Você considera que o
Paraná tem, este ano, todos os elementos para brigar pelo acesso, como torcida, time e
questão financeira?Veja, fazer uma avaliação neste momento do que vai ser a
Série B é muito difícil.

Os 20 clubes que vão jogar a Série B não estão com
seus elencos prontos. Vão sofrer alterações, alguns vão ganhar peças e outros
vão perder peças.

Então, acho que avaliar a Série B, só com o início do
campeonato. O que posso dizer, desde o período que eu venho
acompanhando o futebol e o departamento financeiro principalmente, é que este é o ano em
que entramos mais equilibrados.

Estamos com um equilíbrio e temos uma boa
perspectiva em cima desse equilíbrio, em cima dessa condição, dessa linha que
temos para trabalhar. Então, isso torço para que se reflita em resultado
dentro de campo.

Mas, dentro de campo, as coisas nem sempre acontecem
naturalmente. Você precisa ajustar algumas coisas no meio do caminho.

Só que
hoje, o que vamos buscar são ajustes. Não é mais refazer o elenco, como fizemos
no ano passado.

Não é mais começar o campeonato com pendências de anos
anteriores. Hoje, a gente começa o campeonato de uma forma muito melhor, muito
mais equilibrada.

Isso traz uma grande expectativa para o Campeonato
Brasileiro.Confira mais notícias do esporte paranaense no globoesporte.

com/parana
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Fonte: Globo Esporte