Em janeiro, membros da Independente, principal organizada do
São Paulo, brigaram com policiais em partida da Copa São
Paulo em Mogi das Cruzes. Em março, o presidente da Gaviões da Fiel,
torcida do Corinthians, foi espancado após participar de reunião com
líderes de grupos rivais, em crime ainda não esclarecido. No último sábado,
integrantes da Mancha Alvi Verde invadiram o CT do Palmeiras para cobrar
jogadores após sequência de derrotas.

Mas uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instalada na
Câmara de São Paulo para investigar as organizadas é ignorada por seus
próprios membros. As últimas cinco reuniões ordinárias não tiveram quórum
suficiente – mínimo de cinco vereadores – e precisaram ser transformadas em
reuniões de trabalho, em que não é possível fazer votações ou deliberações.

Nem mesmo a presença de personagens importantes à investigação
animou os vereadores a participarem das sessões. No último dia 2 de dezembro, o
promotor Paulo Castilho, que encabeça o combate à violência de torcidas no
estado, foi ouvido apenas pelo presidente da comissão, Laércio Benko Lopes
(PHS), e pelo vice, Conte Lopes (PP).

A CPI deveria ter nove membros, mas Massataka Ota (PSB), que
era o relator, deixou o grupo. A vaga continua aberta, já que nenhuma bancada se interessou pela cadeira.

Completam a comissão os vereadores Adolfo
Quintas (PSDB), Alessandro Guedes (PT), Rubens Calvo (PMDB), José Police Neto (PSD),
Ricardo Teixeira (PV) e Toninho Paiva (PR) – o último esteve presente em apenas
um dos 13 encontros, justamente a primeiro, de instalação.  O futebol é uma
paixão e é economicamente relevante.

Se os outros não entendem assim, eu não
sou bedel de vereador”– Entendo que é um assunto importante. O futebol é uma
paixão e é economicamente relevante.

Se os outros não entendem assim, eu não
sou bedel de vereador – afirma Benko Lopes, o presidente da CPI que funciona
desde agosto de 2015.Na última quarta, o plenário ficou praticamente
vazio para a reunião que deveria escolher um novo relator – o documento tem que
ser entregue no fim de maio – e ouvir presidentes de clubes paulistas, mas os cartolas também não demonstraram interesse no assunto.

 O São Paulo, cujo presidente, Carlos Alberto de Barros e
Silva, admitiu recentemente financiar as torcidas com ingressos e transporte,
enviou um advogado para representar o clube, assim como fez o Palmeiras. O Corinthians
contou com superintendente de operações de seu estádio, Lúcio Blanco.

O Santos e a Portuguesa
não mandaram ninguém.Outra vez sem quórum, não foi possível escolher um novo
relator.

Benko Lopes foi o único vereador a se manifestar. Após meia hora de
encontro, chegou Police Neto – ele presidiria uma sessão da Comissão de
Trânsito, Transporte, Atividade Econômica, Turismo, Lazer e Gastronomia que
aconteceria logo em seguida, no mesmo local.

No fim da reunião foi possível ouvir Police Neto se despedir
de Benko Lopes:– Só eu vim?
.

Fonte: Globo Esporte