Evaristo de Macedo costumava
dizer que “calça menino não veste em homem”. A afirmação era uma saída para
perguntas constantes sobre o lançamento de jovens jogadores no futebol. Com a
frase, ele calava os críticos e, indiretamente, tentava arrumar mais tempo para
que os atletas novos pudessem ser aproveitados no time principal.

Algo bem
diferente da postura proposta pela atual diretoria do Bahia desde que assumiu a
função, em dezembro de 2014.Com o slogan de “A vez do
futebol”, Marcelo Sant’Ana prometeu dar destaque à divisão de base.

O gerente
de futebol, Éder Ferrari, chegou a vislumbrar o crescimento do aproveitamento
dos pratas da casa em detrimento de novas contratações. O primeiro passo foi
dado em 2015 e, neste ano, a continuidade da ideologia pode ser vista com
Doriva.

 Nas 16 partidas oficiais do
Bahia em 2016, foram nove novidades da base no time principal. Marlon, Júnior
Ramos, Luis Fernando, Dedé, Max, Felipinho, Mayron, Hugo Freitas e Geovane
Itinga tiveram suas chances.

Ao todo, com novos e antigos atletas criados pelo
clube e o jogo contra o Juazeirense, quando o sub-20 atuou, a lista de crias do
Fazendão sobe para 29 atletas.Na teoria, muito sucesso.

Na
prática, nem tanto. Alguns destes escolhidos não agradaram os torcedores e têm
sofrido com críticas constantes.

Zé Roberto e Rômulo são dois destes exemplos.
Para Doriva, é preciso ter paciência para fazer o projeto prevalecer.

Da
torcida e dos jogadores.- Tenho sempre dito que o
torcedor tem que ter calma.

Se o torcedor quer atletas jovens, quer que o clube
tenha política de trabalho de base eficiente, o torcedor tem que estar
preparado para abraçar esses jogadores e dar tempo para que eles amadureçam. É
o caso do Rômulo e do Zé.

Eles têm potencial, mas precisam amadurecer um pouco
mais. Estou apoiando eles, encorajando.

Torcedor tem o direito de criticar, mas
a gente procura conversar com os atletas, mostrar que faz parte do processo,
que ele tem que trabalhar em cima disso, porque ninguém fica imune a críticas.
Isso vai forjá-los para que eles amadureçam – afirmou em entrevista ao
GloboEsporte.

com.Tem que acreditar nele e continuar acreditando, não deixar cair em momento algum.

A gente tem tido a resposta positiva do Feijão e o torcedor tem visto isso. Para mostrar que o sucesso
pode ser conquistado neste projeto, o treinador elencou um exemplo.

Depois de
dois anos praticamente sem chance no Tricolor, Feijão tem reconquistado seu
espaço. Ainda longe de ser unanimidade entre os torcedores, o volante conquistou
totalmente a confiança do treinador.

 – Feijão é jovem, apesar de
ter uma rodagem. Estava um pouco desacreditado.

Acho que até ele não acreditava
nele. E foi fácil, porque o ser humano precisa de encorajamento.

A gente
encorajou, mostrou que ele tinha qualidade, elogiou as virtudes dele, e ele foi
crescendo, até ter a oportunidade e fazer aquele primeiro jogo contra o Santa
Cruz, e ele fez um baita jogo. Eu, no dia a dia com o atleta, não estava
inseguro, mas muita gente estava em relação à participação dele.

Mas ele
demonstrou que tem personalidade e potencial e que tem muita coisa ainda para
acrescentar. Tem que acreditar nele e continuar acreditando, não deixar cair em
momento algum.

A gente tem tido a resposta positiva do Feijão, e o torcedor tem
visto isso – opinou.Ao longo do ano, em suas
entrevistas coletivas, o treinador tem destacado alguns pontos em que os atletas
podem evoluir.

Um deles é a necessidade de jogar coletivamente. No último
domingo, após o triunfo sobre o Bahia de Feira, pelo Campeonato Baiano, ele
destacou este quesito.

Um dos perseguidos pela torcida por não tocar muito a
bola é Zé Roberto.Além dele, outro jogador que
chama a atenção por prender o jogo é Luisinho.

O atleta foi alvo de uma
conversa especial com o treinador. De acordo com Doriva, a ideia é que o
atacante mantenha a coletividade apresentada quando o time não tem a posse da
bola.

 – Eu sempre prego que o
futebol é coletivo, e a gente tem que jogar coletivamente. E o Luisinho é um
jogador individualista.

Ele é. Mas eu tenho cobrado dele a participação na
parte coletiva, quando a gente tem a bola.

Sem a bola, ele tem se dedicado com
a dinâmica, fechando as entrelinhas, que a gente prefere que ele feche e depois
saia para marcar o lateral. Ele tem feito isso muito bem.

Mas nesse jogo ele
estava prendendo a bola em demasia e estava demorando a servir os companheiros,
a dar o último passe. E ele teve três ou quatro chances que a gente teve de
fazer o gol se ele fosse um pouco mais rápido.

A cobrança foi em cima disso – finalizou
Doriva. LEIA MAISFique por dentro das notícias do esporte baianoClique aqui e assista a vídeos do Bahia
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Fonte: Globo Esporte