Valeu a pena o investimento. O Vasco abriu o bolso para ter Martín Silva no clássico com o Flamengo, quarta-feira, em Brasília, e não seria exagero dizer que pagou R$ 100 mil para voltar ao Rio de Janeiro com um ponto na bagagem. Esse foi o valor do fretamento de um jatinho para levar o goleiro de Montevidéu, onde estava com a seleção uruguaia, até a capital federal.

Em campo, foram pelo menos quatro defesas com grande grau de dificuldade que garantiram o empate por 1 a 1, a invencibilidade em 2016 e o aumento da série invicta contra o maior rival para oito jogos. Desde o aquecimento, já foi possível perceber a importância do uruguaio no atual elenco cruz-maltino.

Aos gritos de “Olê, olê, olá, Silva! Silva”, ele foi o mais ovacionado. E o torcedor não precisou esperar muito mais para ter o carinho retribuído.

Logo no primeiro minuto, Martín parou finalização cara a cara de Sheik. Era só a primeira das quatro defesas difíceis que fez na etapa inicial, com destaque para dois chutes à queima roupa de Guerrero – a outra foi em arremate de longa distância de Jorge.

 A importância do camisa 1 para o Vasco, no entanto, vai além das defesas. É nítido que o setor defensivo fica mais seguro quando Martín Silva está no gol.

Se contra o Botafogo a saída de bola muitas vezes foi problema, com chutões de Jordi, o titular mantinha a calma e conseguia sair jogando. Os zagueiros não pensavam duas vezes em recorrer a ele nas dificuldades.

Até mesmo em momentos tensos de um clássico, a experiência e catimba uruguaia ficaram evidentes. No lance em que Rodrigo é atingido por Guerrero com uma cotovelada, Martín Silva sai correndo do gol e interpela o árbitro pedindo uma punição.

O cartão amarelo pareceu tê-lo deixado satisfeito antes de retornar para sua baliza. No segundo tempo, a longa comemoração do Flamengo em sua área incomodou e, ao reclamar com a arbitragem, o goleiro acabou punido com cartão amarelo.

Enquanto muitos vascaínos ficaram cabisbaixos, porém, ele optou por gritos de incentivos que resultaram no empate minutos depois.  Com a sensação de dever cumprido, Martín falou sobre a decisão de entrar em campo menos de 24 horas depois da vitória do Uruguai sobre o Peru, em Montevidéu, pelas eliminatórias para Copa do Mundo de 2018 – quando ficou no banco de reservas.

Um voo fretado fez com que chegasse a Brasília pouco antes das 6h da manhã. – Valeu a pena.

Foi algo que o clube me perguntou se eu tinha disposição para viajar. Claro que não queria perder um clássico, não era mais um jogo.

Muito obrigado ao apoio da minha família, da minha esposa, que sempre falou: “Vai em frente. Faz o que você gosta de fazer e seja feliz”.

Tenho que agradecer ao clube por todo esforço em uma época que sabemos que não é fácil. Valeu muito a confiança de Jorginho, do presidente – disse o goleiro, que elegeu as defesas em sequência diante de Guerrero as mais difíceis.

 Jorginho reconheceu a importância do goleiro para manutenção da invencibilidade vascaína:- É um grande goleiro, acima da média. Fico feliz dele ter ido muito bem nos momentos decisivos em duas oportunidades claras no início do jogo.

Em alguns momentos, foi experiente, frio. No fim das contas, o Vasco saiu no lucro.

Se pagou R$ 100 mil para ter Martín, voltou com um ponto na tabela e, no mínimo, outros R$ 700 mil no bolso. Isso porque foi de R$ 800 mil a cota que o clube recebeu da empresa responsável pela organização da partida, além de todas as despesas pagas.

 Com dez pontos e invicto no ano, o Vasco é o líder da Taça Guanabara e encara o Volta Redonda, domingo, às 16h (de Brasília), pela quinta rodada.
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Fonte: Globo Esporte