Paulão ri à toa. Afinal, como o próprio resume, tudo ajuda. Homem de confiança de Argel, virou uma das lideranças do vestiário, expoente técnico da equipe, com direito a ser “homem-surpresa” e responsável por jogadas plásticas quando se aventura ao ataque e, de quebra, um dos jogadores mais bem quistos pela torcida.

Não bastasse o bom momento em campo, ainda goza de outro motivo de alegria. Será pai pela primeira vez de Pietra, que está com 36 semanas.

 Antes do nascimento da primeira herdeira, o jogador de 30 anos passa por um momento de consolidação. Além de peça-chave no sistema defensivo colorado, é uma das armas ofensivas.

Não raro, sai do seu campo com a bola dominada e arrisca lançamentos. Não bastasse isso, ainda aparece para auxiliar Anderson, Andrigo, Eduardo Sasha e Vitinho, dribla e ainda faz gols.

Já são dois em 2016. A habilidade, dissonante a um “zagueiro-zagueiro”, como o chefe o definiu logo em sua chegada, foi lapidada nas categorias de base quando era meia-esquerda.

A confiança pelo momento o faz arriscar mais, como disse em bate-papo com o GloboEsporte.com (confira no vídeo acima) após o trabalho realizado com portões fechados nesta quinta:De vez em quando faço umas loucuras (risos).

Faço jogadas que a torcida não espera. Mas faço com responsabilidade – Me fortaleci dentro da equipe.

Estou colhendo alguns frutos. Sou mais maduro do que alguns.

Busco exercer minha função na parte defensiva, mas tento ajudar no ataque. De vez em quando faço umas loucuras (risos).

Faço jogadas que a torcida não espera. São alguns lances que saem.

Até arrisco nos treinamentos, mas faço com responsabilidade. Sei que o principal é eu ajudar a defender.

Quando não desarma os adversários ou faz jogadas de efeito, Paulão pensa no futuro. Afinal, aguarda os momentos para o nascimento da filha.

O futuro rebento já foi homenageado com a inicial P, que também remete ao colorado e o irmão, Paulo Roberto, abaixo da coroa que simboliza a igreja evangélica que frequenta. Em casa, o tempo livre, hoje dedicados a filmes e trocas de mensagens no celular darão espaço a noites em claro e trocas de fralda (veja no vídeo abaixo).

Algo que referenda a fase pela qual atravessa.  Leve e sorridente, Paulão busca levantar a maior taça, a de pai, e ainda amealhar o Gauchão.

 Após ser poupado em razão de estar pendurado na vitória por 3 a 0 sobre o Glória pela última rodada da fase de grupos do estadual, voltará ao time neste domingo diante do São Paulo-RS por uma vaga às semifinais. No clube há três anos, soma 97 partidas, tendo balançado as redes em sete oportunidades.

 Confira o bate-papo na íntegra:GloboEsporte.com – Você defende, ataca.

Como analisa esse momento? Paulão – Me fortaleci dentro da equipe. Estou colhendo alguns
frutos.

Sou mais maduro do que alguns. Busco exercer minha função na parte defensiva,
mas tento ajudar no ataque.

De vez em quando faço umas loucuras (risos). Faço jogadas
que a torcida não espera.

São alguns lances que saem. Até arrisco nos
treinamentos, mas faço com responsabilidade.

Sei que o principal é eu ajudar a
defender.Quando era mais novo, você chegou a atuar mais à frente.

Isso serve como
credencial?Sim, cara. Costumo falar.

Nem toda a minha vida eu fui
zagueiro. Já atuei como segundo volante.

Como profissional, você tem mais
trabalho. Antes era mais lazer.

Eu me divirto jogando, claro. Mas sei do clube
o qual estou, a responsabilidade que tenho.

Antigamente, jogava mais solto. Se eu
tenho uma oportunidade de ir à frente e que eu sei dos momentos, acabo fazendo.

Você jogou em que função?Se eu disser que cheguei a ser meia-esquerda até meus 15, 16
anos (risos). Era um cara de chegada, cobrava falta, entrava na área.

Entrava para
cabecear. Sempre fui cara veloz, que usava meu corpo.

Mas em alguns momentos
utilizava essa habilidade. No profissional, você se adequa.

Hoje virei o Paulão
como zagueiro.O Argel agregou algo ao seu jogo?Cara, com certeza.

Ele foi o cara que me liberou, me deixou
mais solto para jogar. Ele pede para eu sair mais com a bola.

O Argel me
incentiva a subir. Eu sei que não farei uma jogada como o Anderson, até porque
ele é o cara apropriado a isso.

O (Fernando) Bob, Fabinho também, mas eu subir,
dar um passe, levantar a cabeça e dar um passe em profundidade. Ele percebeu
nos treinamentos e deu essa liberdade.

Há três anos no Inter, você já chegou a ser contestado pela torcida. Hoje é um dos mais
aplaudidos.

Ainda virou uma das lideranças do grupo. Chegou a ser capitão.

Como
foi essa virada? Foi tudo com trabalho. Quando eu cheguei ao Inter, que é um
clube de massa, campeão, sabia que a responsabilidade era maior.

Tinha o Juan
aqui, um cara que não deve nada a ninguém. Dentro do futebol ganhou tudo.

Jogou
na Seleção. Uma história no futebol muito mais vasta do que a minha.

Eu atuava
ao lado dele tranquilo. Não que os outros não me passem, mas sabia que estava
ao lado de um campeão, um cara que me acalmava.

Quase nunca discuti com ele. Até hoje há uma
amizade, o respeito.

  Cresci, amadureci, trabalhei.
Só com trabalho você reverte.

Em momentos nos quais fui contestado, e não foram
poucas vezes, eu não bati boca. Procurei trabalhar.

Sabia do meu potencial,
onde que podia chegar e trabalhei as coisas que eu não estava bem. Tive noção
do que eu precisava.

Sigo isso até hoje.O Argel chegou e o colocou na equipe, como um “Paulão e mais 10”.

O que você ainda espera melhorar?Eu busco evoluir todos os dias. Acordo e venho treinar em busca
da melhora, seja um domínio, passe, cabeceio.

Busco viver o Inter 24 horas. Sei
que preciso melhorar muito mais.

Quero ser um jogador que teve uma passagem pelo
Inter fixa. Minha filha está para nascer.

Os outros filhos que terei quero que
saibam que passei aqui. Quero ser lembrado.

Não quero ser apenas mais um
jogador que passou pelo Inter. Estou há três anos no clube.

É um trabalho diário,
faça chuva ou sol. não posso deixar ser em vão.

Trabalhei tanto por isso. Preciso
seguir assim.

É um sonho virar capitão, por mais que seja apenas uma partida. Muitos
jogadores passaram por aqui por muitos anos e não conseguiram.

É algo  muito grande por mim. Ter uma liderança no
grupo faz meu momento ser muito feliz.

 Eu busco evoluir todos os dias. Acordo e venho treinar em busca da melhora, seja um domínio, passe, cabeceio.

Busco viver o Inter 24 horas. Sei que preciso melhorar muito mais.

Quero ser lembrado. Não quero ser apenas mais um jogador que passou pelo Inter.

 Na derrota para o Veranópolis, o Alisson e você foram até o
Jackson, que tinha feito um gol contra, o levantaram e abraçaram. Como é essa
conversa?Sou um cara muito alegre.

Estou sempre para cima. Até nos
momentos difícil procura estar para cima.

É assim que você anima um ambiente. Já
ocorreu comigo.

Ano passado contra o Atlético-PR eu fiz um gol contra. A mesma
situação.

O Juan me levantou. Chegou e disse “vamos lá, nego velho”.

O Alisson também
veio e disse “vamos, vamos”. Agora ocorreu com o Jackson.

Eu estava perto dele.
Eu sei que ele não quis aquilo.

A bola bateu. Preciso chegar nele.

Ocorreu
comigo também. Quando você sente a dor também sabe o que o companheiro sente.

Então
é uma das coisas que penso. Se ocorre um lance assim, um companheiro perde um
pênalti, busco dar força.

O Jackson é um excelente jogador. Foi uma fatalidade.

Ele daqui a pouco fará o gol e nos ajudará. O fato de estar na liderança com
Alisson, Alex, Rodrigo Dourado é algo 
momentâneo.

Você amadurece, aprende, suga coisas positivas. Para eu
virar o grande líder não é algo que eu queira.

As coisas ocorrem, vou
aprendendo, sugando e tudo ocorre.    DRIBLE DA VACAPaulão passa por Brock e cruza para Marquinhos, que erraGOLEADORVitinho cobra escanteio e Paulão marca de cabeça contra AniladogolaçoAinda em 2014, Paulão faz de bicicleta na vitória contra o GoiásVocê será pai.

Parece que tudo ajuda. Tudo está ajudando (risos).

O início de 2016 está
inacreditável. Minha filhinha (Pietra) está para nascer.

Está com
36 semanas, muito próximo. Fico ansioso.

De madrugada penso no que pode
ocorrer, em vez de mexer no “Whatsapp” e vendo um filme será ela chorando para
eu fazê-la ninar. Estou muito feliz.

Sempre desejei ser pai. Tudo está acontecendo
seja na minha vida profissional ou pessoal.

Minha família está muito bem. Não há
coisa melhor que isso.

Trabalho com a cabeça leve. O trabalho flui bem.

Você vem
tranquilo.Trocar fralda eu não sei (risos).

Terei que aprender. Não tem jeito.

  Já se imagina trocando fralda?Cara, trocar fralda eu não sei (risos). Terei que aprender.

Preciso
ajudar, não tem jeito. Sou oito anos mais velho do que o meu irmão.

Já dei
mamadeira, fiz alguma coisas, mas trocar fralda não é meu forte. Saio daqui e
só falamos sobre isso.

Fralda, roupinha, hospital, pediatra. Estamos nessa
função.

Falta pouco. Precisamos acelerar, vermos médico, maternidade.

Daqui a
pouco a Pietra está aí chorando.O Inter está em evolução.

O grupo percebe?Percebemos que o time evoluiu, mas o Brasileirão é
completamente diferente. Sabemos da nossa responsabilidade.

É bom que o
crescimento tenha ocorrida neste final. Melhoramos nos últimos jogos da fase de
grupos.

Temos que aproveitar deste momento. São jogadores novos, mas com muita
capacidade.

Eles chegaram e agregaram. Você trabalha hoje, amanhã e depois para
dar um fruto futuro.

Vocês conversam sobre a responsabilidade de vencer o
Brasileirão?Sabemos que os nove primeiros jogos são principais. Eles dizem
pelo que você lutará.

Queremos ir para cima logo no primeiro jogo. Vamos fazer
as coisas acontecer.

Todo mundo precisa apoiar e marcar juntos. Precisamos continuar
trabalhando e ainda mais à vontade.

As coisas então fluirão.Terão mais jogadas espetaculares? 

(Risos) Quero que tenham muitas jogadas do Paulão atrás, mas
se for preciso irei.

Sei que quando ataco tenho que ser uma peça importante.
Não posso subir e perder a bola.

Quando eu vou à frente tenho responsabilidade.
Espero criar algumas jogadasConfira as notícias do esporte gaúcho no globoesporte.

com/rs  
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Fonte: Globo Esporte