CAMISA DO HEXAO MEMORIAL E AS TAÇASHISTÓRIAS MARCANTESAMOR PELO SERGIPEA PADROEIRAEdson Silva Nascimento ou, simplesmente, Dida. O rapaz que aparece na foto abaixo traz consigo muita história, em especial das glórias do clube do coração. E pra ficar mais perto de tudo isso ele decidiu ser voluntário do Club Sportivo Sergipe.

 Um dos significados da palavra “guardião” é o seguinte: Pessoa que, por forte afeição, defende aguerridamente algo ou alguém; protetor, conservador, depositário. Podemos dizer então que Dida é uma espécie de guardião do Mais Querido, aliás, do Memorial do Sergipe.

Sendo assim, o GloboEsporte.com não poderia deixar de entrevistar este torcedor e voluntário do clube no ano em que celebram os 20 anos do hexacampeonato.

 01CAMISA DO HEXANo dia da entrevista, Dida Nascimento fez questão de vestir esta camisa que guarda com tanto carinho. O “guardião” do memorial rubro cita que só usa em ocasiões especiais.

O torcedor do Mais Querido conta como fez para conseguí-la e o que representa na vida dele.- Esta é a camisa de quando o Sergipe conquistou o hexacampeonato,
em 1996.

Naquele período, eu fiquei muito ansioso para comprar a camisa com as
seis estrelas. Porque eu tinha a do penta, mas era um título que o Itabaiana
também tinha.

Essa não, tinha um peso maior, título inédito. Quando eu soube
que a camisa estava disponível no comércio, corri e comprei logo a minha pra
vestir com todo prazer.

E até hoje visto com muito orgulho. São seis estrelas
conquistadas com muito sacrifício, não foi nada fácil até alcançarmos esse
estágio de hexacampeões.

É uma camisa que até hoje preservo com muito amor e
carinho, visto apenas em momentos especiais do Club Sportivo Sergipe e desfilo
com ela de forma deslumbrante para mostrar para todos o amor que tenho pelo
Sergipe e não é um time qualquer, é um hexacampeão, por isso tem que ser com
muito carinho – contou  Dida Nascimento.01O MEMORIAL E AS TAÇASUm cara apaixonado pela história e, consequentemente, pelas glórias do clube.

Esse é o Edson Silva Nascimento. Cuidar do Memorial do Sergipe para ele é uma grande honra.

Função esta que ele. mesmo sem receber nada, faz questão de exercer e tem o prazer de repassar um pouco do que está ali para cada visitante que vai ao estádio João Hora de Oliveira prestigiar o espaço.

Como está escrito na parte superior de uma prateleira: “Nossas taças, troféus gloriosos, são a soma do nosso valor”. Aí então está o maior valor que Dida pode receber do clube.

– Pra mim, é de uma felicidade imensa cuidar deste memorial.
Quando o Sergipe conquistou o hexa, eu não trabalhava no clube e até hoje sou
apenas um colaborador, um voluntário pelo amor que tenho pelo clube.

Ajudo de
coração, não ganho nada, apenas dou um tempo da minha vida com muito amor e
dedicação ao Sergipe. Verdade que cuido de todos os troféus, mas cuidar em
especial das taças do hexa é um orgulho e privilégio muito grande.

Pense, que
honra! Porque vários visitantes do memorial não conhecem os troféus daquela
sequência histórica e sempre me perguntam: “Quais os troféus do
hexacampeonato?”. E eu tenho sempre o prazer de mostrar e contar algumas
histórias.

Até porque eu tive a satisfação de conquistar esses títulos como
torcedor, apoiando nas arquibancadas e depois comemorando em campo com outros
torcedores, jogadores e dirigentes, dando volta olímpica e tudo mais – relata o torcedor e voluntário do alvirrubro. 01HISTÓRIAS MARCANTESDida nos falou também de momentos que ficaram registrados na mente dele até hoje.

Dos seis anos desta conquista histórica, ele lembra histórias de três períodos: 1991, 1995 e 1996. Confira.

#1991- Foi muito difícil para o Sergipe. Naquela época, o estádio
vivia cheio, tão cheio que às vezes não tinha nem lugar para nós sentarmos.

O
Confiança ganhou alguns turnos, embalou e estava com cerca de cinco pontos em
relação ao Sergipe, eles já se consideravam bicampeões.  Aí acontecia o seguinte, quando jogavam
Sergipe x Confiança, o nosso time ia pra cima, quem chegasse dez minutos
atrasado no campo já perdia o primeiro gol do Sergipe.

Daí o Mais Querido
acabou crescendo no final e ultrapassou o rival. Invertemos a vantagem.

Tanto
que ainda vencemos o último jogo, mas nem precisávamos mais. Era um bom time, mas ainda em formação, com vários meninos
como Elenilson, Baianinho, Sandoval e Leniton.

Eles se superaram e conseguiram derrotar
o forte time do Confiança, quase que a gente não acreditava – relembrou Edson Silva Nascimento.

#1995- O Sergipe ficou em uma posição incômoda e viu por várias
vezes o Confiança vencer os clássicos.

Foi então que o Sergipe ligou o sinal de
alerta e trouxe bons reforços. Nos jogos finais nós íamos para o campo
tremendo.

Sinceramente, eu tive muito medo do Sergipe perder aquele campeonato.
O Confiança queria botar água em nosso chope, mas nós conseguimos reverter essa
situação, vencemos o arquirrival e fomos pentacampeões, igualando o feito do Itabaiana.

Foi muito suado, muito sofrido, porém conseguimos – afirmou Dida.#1996

– Foi um ano que o Sergipe estava bem no estadual, permaneceu
com uma boa base e foi inclusive naquele ano que o Sergipe conseguiu fazer a
maior goleada do Campeonato ergipano até hoje, 14 a 0 no Propriá.

Era um time
muito bom e equilibrado. Foi um hexa histórico, pois é um título difícil de
alcançar, são poucos os clubes que conseguiram essa façanha.

E com esse
nivelamento do futebol vai ser muito difícil alguma equipe conquistar esse
título. Por isso nós comemoramos sempre.

Não foi nada fácil, como eu já disse.
A grandeza desse hexa é um presente pela luta e dedicação de todos os
jogadores e dirigentes – comentou o torcedor alvirrubro.

#Goleada (14 a 0 no Propriá)

– O Sergipe como tinha um time “arrumado”, não teve
dificuldade alguma ao enfrentar a equipe de Propriá. Tanto que a gente acabou
perdendo as contas dos gols do Sergipe no meio do jogo.

Até o placar não
conseguiu registrar direito quando passou dos 10. Se não me engano, o placar
não contava mais acima desse número.

Saíam outros gols, mas ele permanecia em
10. Só ouvindo as rádio pra saber exatamente quanto estava o jogo naquele
momento.

Ao contrário do adversário, o nosso time estava bem estruturado e com
um grande elenco. Com isso, alcançamos esse resultado histórico, que também
ficou como um grande marco na história do clube, pois nenhum time alcançou um
placar tão exagerado igual a esse – explica Dida Nascimento.

01AMOR PELO SERGIPECom tantas declarações feitas ao longo da entrevista, ainda houve espaço para Dida falar da importância do clube rubro na vida dele. –  O Sergipe representa uma parte da minha vida.

Algumas pessoas
até não gostam quando eu digo isso, mas aqui (Sergipe) é também parte da minha
família porque eu vivo o Sergipe. Um torcedor que mesmo em dia de semana
chuvoso deixa de ver jogos de times do sul e sudeste na TV para ir ao estádio
ver o Mais Querido jogar, um torcedor que já viu o time perder de seis de um
time do interior, como foi com o River de Carmópolis, e no jogo seguinte está
lá na arquibancada, como se nada de ruim tivesse acontecido, isso pra mim é
viver o clube.

Todo torcedor que ama o Sergipe, assim como eu, vai fazer de
tudo para estar sempre presente, principalmente nos momentos nos quais o time
estiver mal, ruim, porque é aí que o elenco mais precisa de nós – ressaltou o torcedor alvirrubro.
01A PADROEIRANo memorial rubro, além de todas as fotos, taças, camisas e objetos de valor, existe um espaço reservado para a fé, para a oração.

Em Especial, para Nossa Senhora Aparecida que, como mostra a foto abaixo, é bastante lembrada em quatro imagens. Jogadores e comissão técnica inclusive já levaram uma para o vestiário em diversos jogos do clube, principalmente os decisivos.

O curioso é que ela tem o manto azul, algo que poderia remeter ao Confiança, o maior rival dos colorados. Porém, Dida explica a devoção e faz uma pequena observação sobre a santa.

– O manto de Nossa Senhora é azul, o céu também é azul e nós
não podemos nos desfazer das coisas de Deus, da natureza, ou deixar de amar só
por causa da cor. Azul é uma cor bonita, mas o Sergipe resolveu adotar o
vermelho e o branco, que são cores ainda mais bonitas, que eu gosto mais.

Então, cultuamos o manto de Nossa Senhora, mesmo sendo
azul, e amamos o alvirrubro do Mais Querido. Sabemos que o manto é azul, mas o
coração da mãe de Jesus Cristo era vermelho.

Então é isso, ela estará sempre
nos abençoando aqui no memorial e nos jogos do time – finalizou Edson Silva Nascimento, o Dida.LEIA MAISO que vi e vivi durante o hexa: Torcedor recorda craques e títulosTorcedor cria botões especiais em comemoração aos 20 anos do hexa rubro1995: Sergipe sofre como em 91, mas consegue o penta e alcança ItabaianaPedro Costa: Atacante tricolor foi uma “pedra no sapato” do Sergipe no hexa1994: Marcelo Sergipano sai do Itabaiana para virar artilheiro no tetra do SergipeDa base à camisa 10 do Mais Querido: Veja a trajetória de Elenilson no hexaPonta-esquerda, camisa 11, goleador: Esse é Leniton, o “Branco” do SergipeUm craque pacato, teimoso, ‘pão-duro’ e cheio de história: esse é o Sandoval1991: O ano da virada, do gol salvador de Tuíca e da arrancada para o hexa”Baixinho bom de bola”, “um craque”, “goleador”.

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prazer, Rocha, Nego VéioSuper fantástico! Relembre esse “trio mágico”: Sandoval, Elenilson e Leniton 
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Fonte: Globo Esporte