Motivos do insucessoSequência na carreira Um ídolo condenado ao limbo. Revelado
pelas categorias de base do Bahia, Charles aprendeu a amar o clube, a tê-lo
como uma extensão da própria casa. Foi campeão brasileiro com a camisa azul,
vermelha e branca em 1988.

Artilheiro, conquistou o carinho da torcida e o
direito a ser uma referência na história da equipe baiana. Chegou ao cargo de
técnico, sempre encarregado de resolver situações de crise.

No início desta
temporada, deixou o Fazendão. Pausa de uma história que atravessou o tempo,
escrita muito mais com a paixão do que com a razão.

Nesta segunda-feira, a TV
Bahia veiculou a primeira entrevista de Charles Fabian (confira o vídeo acima) após a saída do Bahia.
Em conversa com o repórter Sérgio Pinheiro, o ex-auxiliar técnico e treinador
tricolor desabafou.

Disse ainda estar abalado pelo insucesso da temporada
passada, quando não conseguiu ajudar o Tricolor a subir de divisão. Negou
também ter qualquer problema com jogadores do elenco.

– O futebol é uma grande
mentira. Treinador, muitas vezes, tem que esconder a verdade.

Às vezes, quando
você fala a verdade, você paga o preço. (.

..

) Vira e mexe, acordo no meio da
noite lembrando o que aconteceu, o que se passou, as inverdades que foram
ditas. Tanta mentira contada sobre Charles.

Criaram um personagem que não
existe, criaram um Charles que não existe. Nunca tive problema com nenhum jogador
no Bahia.

Nunca tive discussão com nenhum jogador do Bahia – afirmou.

Durante a entrevista, Charles
rebateu uma declaração de Ávine.

Em novembro do ano passado, o lateral-esquerdo
disse que a diretoria se reuniu com os jogadores e que o elenco foi contra a
decisão de efetivar Fabian na reta final da Série B. Segundo o ex-técnico
tricolor, não houve encontro entre dirigentes e atletas para tratar sobre a
troca de comissão técnica.

– Muita inverdade que ele
falou. Depois o Gustavo [zagueiro] falou que nunca houve essa reunião.

Ele foi
muito infeliz, inventou tanta coisa..

01Motivos do insucessoEm 2015, Charles assumiu o
cargo de treinador do Bahia após a demissão de Sérgio Soares, quando restavam
oito rodadas para o fim da Série B.

Ele se manteve como treinador por seis
partidas, com dois triunfos, um empate e três derrotas. O baixo rendimento
resultou no fim das chances de acesso do Bahia para a Série A.

Na ocasião, por
decisão da diretoria, Fabian entrou de férias.

Charles garante que fez o
possível para conquistar o acesso.

Ele diz que não sabe elencar motivos para o
fracasso e diz que o jogo contra o Santa Cruz, na Arena Fonte Nova, foi
decisivo para a permanência na Série B. A partida foi vencida pelo Tricolor
pernambucano, de virada.

– Se eu te falar o que
aconteceu, não sei. Tudo foi feito, tudo foi trabalhado para aquilo ali.

Eu
acho que o jogo-chave para não conseguir o acesso foi contra o Santa Cruz, que
saímos ganhando e deixamos virar – comentou.

O ex-técnico também falou
sobre a reunião dos jogadores para pedir desculpas após o fim das chances de
acesso.

Para Charles, o evento foi desnecessário.

– Aquilo ali, não teria nem
que ter acontecido.

Resposta tem que dar dentro de campo, não é no microfone,
não é pedindo desculpa para o torcedor. Pedir desculpa não adianta nada.

De que
adianta pedir desculpa?

01Sequência na carreiraCharles Fabian pretende
seguir com a carreira de técnico. Recentemente, fez curso para treinadores na
CBF.

Durante o período em que trabalhou no Bahia, também realizou estágio na
Alemanha, no Bayern de Munique e no Mönchengladbach. Ele assume que as feridas adquiridas
no período como treinador tricolor devem permanecer abertas durante um tempo e
servirão como lição para a sequência na profissão.

 

Até agora não consegui assistir nenhum jogo do Bahia. É complicado ainda, mas vou voltar assistir.

Aquelas duas estrelas ali, trem uma delas que eu fiz parte, então não tem como”- Pretendo continuar como
técnico. Esse meu início como treinador foi muito pesado, foi muito cruel.

Devo
carregar por algum tempo. Sei que vou sofrer por algum tempo, mas vou seguir.

Gosto de trabalhar, gosto de ser treinador, gosto do campo.

Uma das lições tiradas é a
construção de um contrato.

Charles conta que, no Bahia, aceitou trabalhar sem
uma multa contratual, o que não deve se repetir nos próximos clubes.

– Eu me culpo, porque em momento
nenhum eu agi com a razão.

Futebol, você não pode agir com o coração. Em
momento nenhum eu me protegi, quando me chamaram para ser treinador, eu não
exigi nada, não me deram um real de aumento de salário.

Não exigi. Não me deram
um contrato.

Qualquer treinador hoje, Bahia, Vitória, de grandes times do
porte, tem uma multa contratual. Doriva tem, Mancini tem, por que Charles não
ter?

Ídolo, Charles Fabian tem o
nome gravado na história do Bahia.

Seria possível ter um novo capítulo no Tricolor?
O ex-jogador não descarta. Deixa o futuro em aberto.

Espera o tempo apagar as
mágoas que foram criadas pela última passagem no Fazendão.

– Não sei.

Sinceramente,
hoje, eu tenho minhas dúvidas por tudo que aconteceu. A mágoa foi muito grande.

O que eu recebi de mensagem..

. Descobriram meu telefone, o que passava de
mensagem me xingando, me criticando.

(..

.) Até agora não consegui assistir
nenhum jogo do Bahia.

É complicado ainda, mas vou voltar assistir. Aquelas duas
estrelas ali, trem uma delas que eu fiz parte, então não tem como.

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.

Fonte: Globo Esporte