Ronaldo, Maldini, Carmelo Anthony, Nesta. Este é o time de
estrelas que a NASL, segunda força do futebol dos Estados Unidos, vai reunir
nesta temporada. Mas nenhum deles entrará em campo.

Os três primeiros são donos
de times, e o ex-zagueiro italiano será técnico. Dentro dos gramados, porém, a
liga que começa neste sábado já não tem um nome como o de Raúl, campeão no ano
passado pelo Cosmos, e ainda vê a semi-profissional NPSL, equivalente à Quarta Divisão
americana, buscar os holofotes com Adriano.

Apesar de ser considerada a segunda liga dos Estados Unidos,
no país não há acesso e rebaixamento. A NASL é uma competição com regras
próprias e investimentos inferiores aos que são feitos na MLS.

Para se ter uma
ideia, para colocar uma franquia na Major League Soccer no ano passado era
preciso desembolsar cerca de US$ 100 milhões (R$ 355 milhões), enquanto para
jogar na NASL o valor estaria na casa de US$ 1,5 milhão (R$ 5,3 milhões).Se em 2015 o Cosmos apresentou Raúl, e o Fort Lauderdale
Strikers passou a temporada com a expectativa de Ronaldo poder entrar em campo,
neste ano a NASL conta com jogadores conhecidos, mas nenhum com o mesmo
impacto.

O pentacampeão Kléberson continua na liga, e o grego Samaras, o
argentino Cvitanich, o croata Kranjcar e o venezuelano Arango estão entre os
destaques da competição.- Os famosos compraram os clubes.

Pararam de jogar e são
donos do business. Claro que numa liga norte-americana que você tem um dono com
esse perfil você vai ter mais nome que os jogadores.

Não vejo por que ter
positivo ou negativo. Independentemente de quem for, o dono tem que ser
profissional para o time crescer – disse o técnico Caio Zanardi, dos Strikers.

A principal novidade da liga são as três equipes estreantes.
Paolo Maldini é um dos sócios do Miami FC, que será comandado por Alessandro
Nesta; o Rayo OKC é parceiro do espanhol Rayo Vallecano; e o Puerto Rico FC,
que tem o jogador de basquete Carmelo Anthony como dono, fará sua estreia
apenas no segundo turno e levará a competição de volta à ilha caribenha três
anos após o fim do Puerto Rico Islanders.

O San Antonio Scorpions e o Atlanta
Silverbacks não vão participar do campeonato neste ano, mas a NASL já anunciou
a criação do San Francisco Delta, primeira franquia na Costa Oeste, em 2017.A legião brasileira também chama atenção.

Contando o elenco
ainda incompleto do Puerto Rico, o Brasil só está atrás de Estados Unidos e
empatado com o Canadá no número de representantes, com 29 jogadores na liga,
nove deles nos Strikers. Além de Kléberson, o campeonato tem nomes como Ibson,
Matuzalém, Gabriel, Adrianinho e Adailton, entre muitos outros.

– Dentro do elenco não tenho nacionalidade. A nacionalidade
é Strikers.

Independentemente de qual nacionalidade seja cada um, quem está
melhor vai jogar. Não fico olhando passaporte para gerenciar o elenco –
explicou Zanardi, que passa as orientações para o time em inglês, mesmo com o
grande número de brasileiros no elenco.

– Tudo em inglês. A comunicação é em inglês.

Claro que,
quando tem algum atleta que tem algum problema, aí é em português. Mas a
informação tem que passar para toda a equipe.

Enquanto isso, a NPSL tenta dividir as atenções. O Miami
United impressionou ao contratar Adriano, e o Las Vegas City anunciou
recentemente que terá Ronaldinho Gaúcho em amistoso contra o time do Imperador.

– Na realidade, existem duas ligas profissionais. As demais
são semi-profissionais.

Você tem a MLS e a NASL, e as demais são ligas de verão.
Até a USL, que seria a Terceira Divisão, tem a sua importância.

As outras são
10 jogos no ano, só jogam de maio a julho. São torneios regionais.

Não tem como
falar dessas ligas. São ligas de bairro, que tem a sua importância, mas são
ligas regionais.

Quatro jogos neste sábado e um no domingo abrem a temporada,
com direito a duelo entre Ronaldo e Maldini no Fort Lauderdale Strikers x
Miami. A previsão de Caio Zanardi é de uma temporada bem equilibrada.

– Esse ano foi atípico, que todo mundo se reforçou. Os novos
clubes vêm forte também, com budget alto, o Miami e o Rayo contrataram bem.

Acredito que sete ou oito tem chance de brigar pelo título. Há um equilíbrio
muito grande e vai se desenvolver durante o campeonato.

É um campeonato muito
parelho, que vai ser definido por detalhes.
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Fonte: Globo Esporte