A gestão
Nereu Martinelli no Joinville chega ao seu final nesta semana, mas, neste
domingo, na partida na Arena localizada no Norte de Santa Catarina será o desfecho
em campo, por assim dizer, da passagem do mandatário pelo clube. Quando a bola
rolar para JEC e Camboriú, a partir das 16h, serão os últimos 90 minutos de
Nereu Martinelli à frente do tricolor. Uma despedida sem arrependimentos, com
glórias e a satisfação de ter feito aquilo que esteve entre as suas
possibilidades.

A partir da próxima semana, Jony Stassun assumirá o comando do
clube. O
primeiro mandato de Nereu Martinelli teve início em 5 de julho de 2012 e,
posteriormente, com uma reeleição.

Porém, ele faz parte do clube desde 2008,
quando vice-presidente e diretor de futebol na gestão Marcio Vogelsanger. Em
sua passagem pelo clube, o atual presidente colecionou um título da Série C
(2011), um da Série B (2014).

Além destes dois acessos, foram dois vice-campeonatos
do Catarinense, 2014 e 2015 – sendo que o título desde último só foi decidido
na Justiça, em favor ao Figueirense.Entre
alegrias e frustrações, Nereu Martinelli enxerga que não há legado maior que a
reconstrução do clube.

Entre 2008 e 2016, o JEC deixou a Série C para chegar à
Série A, em 2015, algo que não acontecia há 28 anos, apesar da volta à Série B.
O respeito voltou a figurar no clube do Norte de Santa Catarina.

 – O mais
complicado foi a reconstrução do clube, ainda em 2008. Na época, jogava com
camisa alugada e era um time desrespeitado em Santa Catarina e no Brasil.

Acho
que o que mais se deve valorizar em uma instituição ou pessoa é o seu respeito.
Acho que o resto, o que aconteceu foi consequência de trabalho feito pelas
pessoas que estiveram no Joinville – explica Nereu Martinelli.

Confira outros trechos da entrevista do mandatário do JoinvilleLEGADO
O maior legado que levo não são os títulos nacionais. A minha maior satisfação
deste período foram ações sociais que conseguimos fazer através do JEC, de
ajudar pessoas.

É o que me deixa mais contente. Os títulos passam, mas as ações
como estas ficam.

Fizemos jogos contra os padres para ajudar freiras e outras
ações. Acho que foram mais de 500 camisas autografadas para entidades fazerem
rifas, ou ações para algum indivíduo que necessitava.

Isso compensa as muitas
noites mal dormidas, seja quando o time ganha ou perde, dias sem se alimentar
direito. É preciso ser forte para ser dirigente do Joinville.

É preciso
coragem, convicção, seja errando ou acertando. Mas não tenho arrependimento
algum.

 

DECISÕES
E FRUSTRAÇÕES
Uma frustração que tenho, já como presidente, foi a queda da Série A para a
Série B (em 2015). Mas acho que o dia a dia do clube é muito difícil.

O
Joinville é um clube presidencialista por sua natureza. Por mais que se delegue
funções, tudo acaba nas mãos do presidente.

Às vezes as decisões do presidente
não são aquelas que as pessoas gostariam que fossem tomadas, mas necessárias. A
experiência que tive, como dirigente mais antigo de Santa Catarina, e as
dificuldades fizeram com que os dias mais complicados fossem dias normais,
rotineiras.

O dia a dia do presidente de clube é difícil, sem hora para começar
ou terminar. Não há dia ou hora, mas a experiência torna o difícil, comum no
futebol.

 PROJETOS PARA O FUTURO
Tenho um outro projeto que vou retomar, voltado à área social. Preciso
retomá-lo.

Eu me preparei para deixar o Joinville. Faço a transição com o Jony
Stassun desde dezembro do ano passado.

Ainda que digam que eu não irei me
acostumar, esta não será a primeira vez que deixo o Joinville, mas a terceira,
acredito, como dirigente. Você perde alguns relacionamentos ao deixar o cargo,
mas eu irei passar isso ao novo presidente, para dar continuidade.

Os
presidentes que saíram do Joinville praticamente abandonaram o clube e levaram
com eles o conhecimento e os relacionamentos valiosos, não se pode perder isso
porque é um histórico que necessita ter continuidade. Estou muito tranquilo”.

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Fonte: Globo Esporte